Há muita confusão que fazem com certos valores arquetípicos, tais como amor, amizade, coragem, inteligência, sabedoria, justamente por confundirem a origem e o objetivo de cada um deles. Exemplos como Ghandi, Jesus, Madre Teresa de Calcutá, ainda são mal-compreendidos. Mas, na verdade, o que há é a diferença entre os pontos-de-vista usados para entender cada um deles.
Algumas pessoas entendem o amor como a união física entre dois ou mais indivíduos. Assim, há quem diga que “fazer amor” é o mesmo que copular, fazer sexo, bem como aqueles que se identificam com a ideologia vigente e justificam dar a vida por essa mesma ideologia por seu amor pela Pátria. Eu amo isso, você aquilo. O Joãozinho ama soltar pipa e o empresário adora (ama, idolatra, faz tudo por) o Poder. Eu, no entanto, entendo o Amor como a Força que mantém tudo em seu lugar mas que, no entanto, nos permite ver que todos somos UM e podemos nos amar de variadas formas, já que todas essas formas valem a pena. Todos os seres nos merecem e nós merecemos todos eles.
Uma das virtudes que mais aprecio é a Virgindade. Há quem aprecie a virgindade física, como se ela fosse garantia de pureza espiritual. Quando há um propósito voluntário e coerente, ordenado e mantido no Coração, a virgindade física passa a ser apenas um sintoma de um voto de fé, de fervor e de amor. Mas, a virgindade forçosa, obrigatória e que subverte o Coração, é contra a Natureza, já que o próprio Deus nos ordena que cresçamos e nos multipliquemos. Assim como o desapego dos bens materiais e a abundância de esmolas não garantem o vigor da caridade, também o “lacre” do corpo não garante a pureza do Coração. Maria não foi escolhida como a mãe do Messias para ser virgem de corpo, mas para ter um coração inefável e fosse santificada pela geração de seu Filho. A maternidade é sagrada, e a procriação da Vida, por extensão, também o é. O que santifica o corpo não é a ausência do sexo, mas a predominância, em nosso interior, de nobre ideais.
***

A Grande Mãe-Menina-Mulher Virgem
A Virgindade Fundamental
(Bethuliym Ha-Yesodi)
Procuro a Eterna Virgem, calma;
Serena, ela já não está nos altares.
É Virgem na palma, no coração, na alma,
Cheia de filhos, nos céus, terra e mares.
Intacta e digna, brilhante, e me veio
A ideia divina, santa, feminina:
A Virtude está em nosso meio, seio
Puro, ensina que a torpeza abomina.
Passageiro é esse mundo, seco, duro.
Inefável, nela está o Prazer Maior,
Que prefere o raro, difícil e melhor!
Olhamos, tristes, por sobre o alto muro;
O que lá fora há já o sabemos de cor:
Ferido é o passado; Virgem, eis o futuro!
-27.596903
-48.549454
Curtir isso:
Curtir Carregando...