Braço forte


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No apagar das candeias daquela cabana, uma estrela ao Leste cintilou à sua mente e lhe perguntou:

 - Que  Sol é este que celebras antes de irdes para o leito? De quem é aquele rosto resplandecente que faz temer até as sombras do Abismo?

O eremita solitário, calado como lhe fora ensinado permanecer, olhou para seus pés, pensativo, e redarguiu com um enigma, olhando para estrela:

 - Para responder pergunta tão óbvia, cuida, antes, de perguntar pela resposta mais implícita.

E continuou:   Continuar lendo

Pedras queimadas


PEDRAS QUEIMADAS (*)

DOCE ELEGIA DE AMOR
OU AMOR EM PANDEMIA?
RETRATA A ALERGIA À DOR
DE FICAR PRA SIMPLES TIA?

SINCRONIA DE SABORES,
NO POR-E-NASCE, SENTIA,
FICA À MERCÊ DE CORES
DO SOL QUE SÓ ARDIA.

NUM DUETO, EXTINTORES
DE ALMAS, CANTANDO, VIA
ZÉ, ELBA E UMA COTOVIA.

SE FOSSE COMO TENORES,
QUE POETIZAM OS AMORES,
EU O FARIA À LUZ DO DIA.

*******

(*) Soneto composto a partir da música “Chão de Giz”, de Zé Ramalho.

Grande Pessoa


Escorpião, por Fernando Pessoa

GRANDE PESSOA

Para Fernando Pessoa, com admiração.

Grande Pessoa, o Fernando!
Quem me dera, pessoalmente,
aprender como um Graduando,
A transcender o que se sente!

Sob o Céu que me apreende,
E sob as nuvens, dançando,
Quero o Lume que ascende
E desce, à moda de Fernando!

(Ebrael Shaddai, 9 de Outubro de 2011, 13:04)

Translúcida


Lágrima
Desce célere
Como um títere
Bélico.

Íntima
Revolta póstuma
De um esforço máximo,
Titânico.

Fátima,
Pode ser vítima
E Maria a última
Afrodisíaca.

Tétrica
Tentativa do décimo
Soluço de Eurídice,
Lúbrico.

Vértice,
Num eterno ósculo,
Intenso e místico,
Melódico.

Lástima,
Que dareis em dístico
Ao meu pranto satírico?
Fétida!

Música,
Aos ouvidos, mítica;
No Coração, apoteótica,
Ágape.

Multicolorido


Todo ideal bolha de sabão
Tem de ser antes devaneio;
Se não, provoca-nos reação
E mostra, então, a que veio.

Está na raiz de dita canção
Sustém a junção e o anseio.
Se me perco, desando, vagueio,
Do Destino desmando o Coração.

De bolha de sabão, meu desejo
Torna-se célere em feroz ensejo,
Arco-íris brilhando, multicolor.

Mas, aos olhos cardeais, a dor
De mirar-te fugir ao sol se por
Eterniza-te em mim em um beijo!

***

Postado em um comentário ao post: Ideal de Bolhas de Sabão

Virgindade Fundamental


Há muita confusão que fazem com certos valores arquetípicos, tais como amor, amizade, coragem, inteligência, sabedoria, justamente por confundirem a origem e o objetivo de cada um deles. Exemplos como Ghandi, Jesus, Madre Teresa de Calcutá, ainda são mal-compreendidos. Mas, na verdade, o que há é a diferença entre os pontos-de-vista usados para entender cada um deles.

Algumas pessoas entendem o amor como a união física entre dois ou mais indivíduos. Assim, há quem diga que “fazer amor” é o mesmo que copular, fazer sexo, bem como aqueles que se identificam com a ideologia vigente e justificam dar a vida por essa mesma ideologia por seu amor pela Pátria. Eu amo isso, você aquilo. O Joãozinho ama soltar pipa e o empresário adora (ama, idolatra, faz tudo por) o Poder. Eu, no entanto, entendo o Amor como a Força que mantém tudo em seu lugar mas que, no entanto, nos permite ver que todos somos UM e podemos nos amar de variadas formas, já que todas essas formas valem a pena. Todos os seres nos merecem e nós merecemos todos eles.

Uma das virtudes que mais aprecio é a Virgindade. Há quem aprecie a virgindade física, como se ela fosse garantia de pureza espiritual. Quando há um propósito voluntário e coerente, ordenado e mantido no Coração, a virgindade física passa a ser apenas um sintoma de um voto de fé, de fervor e de amor. Mas, a virgindade forçosa, obrigatória e que subverte o Coração, é contra a Natureza, já que o próprio Deus nos ordena que cresçamos e nos multipliquemos. Assim como o desapego dos bens materiais e a abundância de esmolas não garantem o vigor da caridade, também o “lacre” do corpo não garante a pureza do Coração. Maria não foi escolhida como a mãe do Messias para ser virgem de corpo,  mas para ter um coração inefável e fosse santificada pela geração de seu Filho. A maternidade é sagrada, e a procriação da Vida, por extensão, também o é. O que santifica o corpo não é a ausência do sexo, mas a predominância, em nosso interior, de nobre ideais.

***

A Grande Mãe-Menina-Mulher Virgem (ou a Grande Deusa)

A Grande Mãe-Menina-Mulher Virgem

A Virgindade Fundamental

(Bethuliym Ha-Yesodi)

Procuro a Eterna Virgem, calma;
Serena, ela já não está nos altares.
É Virgem na palma, no coração, na alma,
Cheia de filhos, nos céus, terra e mares.

Intacta e digna, brilhante, e me veio
A ideia divina, santa, feminina:
A Virtude está em nosso meio, seio
Puro, ensina que a torpeza abomina.

Passageiro é esse mundo, seco, duro.
Inefável, nela está o Prazer Maior,
Que prefere o raro, difícil e melhor!

Olhamos, tristes, por sobre o alto muro;
O que lá fora há já o sabemos de cor:
Ferido é o passado; Virgem, eis o futuro!