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Citações - Prosa

Saber Virar A Página (Adaptação de Paulo Coelho, Texto de Sonia Hurtado)


Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos, não importa o nome que damos. O que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.

Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã… Todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.

O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas. Portanto, às vezes ganhamos e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”.

Antes de começar um capítulo novo é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa…
Nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba. Mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

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Errata: Título retificado. Anteriormente, eu tinha colocado no post como se o texto fosse de Paulo Coelho. Mas, na verdade é de Sonia Hurtado, colombiana, publicado em um jornal. Apenas a adaptação é de Paulo Coelho.

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Palhoça, SC: Minha Terra


A princípio, criei esse blog para postar minhas memórias, que estavam sendo comidas pelo tempo e pelas traças entre pilhas de cadernos. Mas, pelo entusiasmo, acabei diversificando demais os temas das postagens, fugindo assim do objetivo principal. A partir de agora será diferente…

Eu nasci a 25 de Outubro de 1980, às 23h15min, na Maternidade Carmela Dutra, em Florianópolis, SC. Meus pais moravam, naquela época, em Palhoça, distante 13 km de Florianópolis. Minha mãe continua morando no mesmo terreno em que foi criada, em Palhoça. Meu pai mora agora em Balneário Camboriú, SC. É sobre a cidade de Palhoça que vou falar agora, e citar também alguns locais dela que me marcaram.

Localizada entre o litoral e a Serra do Mar, Palhoça é hoje uma das cidades que mais oferecem alternativas de lazer para os turistas. Entre as praias mais conhecidas destacam-se Enseada de Brito, Guarda do Embaú, Pinheira e Praia do Sonho.

Praias e ilhas paradisíacas, morros que revelam maravilhosas vistas e parques ecológicos onde é possível sentir a natureza em sua plenitude. Tudo isso está localizado no município de Palhoça SC a apenas 13 km de Florianópolis. A exuberância natural do lugar fez com que a cidade fosse reconhecida pela Embratur como polo turístico.

As tradições, costumes e arquitetura deixados pelos colonizadores de origem portuguesa, açoriana, italiana e alemã ainda hoje estão presentes no dia-a-dia de Palhoça SC. Outro aspecto relevante do município é o seu artesanato diversificado, destacando-se entre eles o artesanato indígena, que resgata os valores e a cultura daquele povo. No município ainda existem engenhos e alambiques que produzem artesanalmente a farinha e a cachaça.

Palhoça possui um dos maiores mangues de toda a América do Sul. Quase 70% de sua área é composta pela Mata Atlântica, que pertence ao Parque Estadual da Serra do Tabuleiro. Considerado a maior unidade de conservação do Sul do Brasil, com 90 mil hectares, o parque é destino obrigatório de quem visita Santa Catarina. O local ocupa área de nove municípios, sete ilhas e apresenta grande diversidade de ecossistemas, incluindo campos de altitude, mata nebular, floresta de araucárias, restingas e manguezais. Isso, sem falar no território de Palhoça se concentram 87% da área do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, a maior área preservada de mata nativa de SC, e que abriga centenas de espécies atualmente em extinção em seu ecossistema.

Fotos Selecionadas:


Essa é minha cidade, minha terra, e cujas histórias contarei, em outras oportunidades, mescladas às minhas próprias, pois que tudo que vivi de mais significativo se encontra marcado no chão dessa terra.

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Indicações

Risíveis Amores (Milan Kundéra)


Risíveis amores, ou O Livro dos Amores Risíveis — título escolhido para a edição em Portugal –, (Smêŝné Lásky no original), escrito entre 1960 e 1968, é considerado por muitos leitores e críticos literários de todo o mundo uma das melhores obras de Milan Kundera. O livro é composto por sete contos, sete histórias de amor:

A obra trata do equívoco, seja de situações ou de sentimentos. O equívoco, nesse sentido, está na essência do risível, que intitula a obra. Mal-entendidos que abrem perspectivas novas e caminhos para novas situações são uma constante nos contos. O estranhamento mútuo da parte de amantes, a inversão do caráter amoroso são uma mostra da incapacidade de comunicação que permeia as relações humanas na contemporaneidade. A temática, tratada de maneira literária pelo autor, é a velha temática da solidão humana, sua impossibilidade de transposição dos limites da subjetividade. No mundo ambientado pelo autor, os amantes tratam-se reciprocamente como objetos, e não mais do que isso. Falta de capacidade de comunicação e excessivo cinismo são traços comuns de caráter das personagens da obra. A mudança de perspectiva, porém, quase sempre revela nuances desagradáveis aos amantes. O risível é a necessidade humana pela farsa, pela simulação, pela representação teatral e a incapacidade de experimentar sentimentos verdadeiros. Através da incapacidade de comunhão dos personagens, Kundera parece querer desvelar para o leitor a absoluta falta de sentido da vida sob essas condições.

(Resenha extraída de Wikipedia, a enciclopédia livre)

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Minhas Poesias

Meu Tempo Não-Linear (Meu Rio)


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I – Fervente

Meu tempo, fervendo,
Um rio nascendo
Imerso n’água,
Nada vendo, me aquecendo.

Meu tempo, fervendo,
Um rio nascendo,
Subindo e virando,
…E a vida crescendo.

Meu tempo, fervendo,
Um rio nascendo,
Dormindo, rolando…
O que está acontecendo?


II – Corrente

Meu tempo, correndo,
Um rio descendo,
E as pedras clamando…
De limo se enchendo.

Meu tempo, correndo,
Um rio, tudo vencendo.
Corredeira passando…
Novos sons se espalhando.

Meu tempo, correndo,
Um rio, e a terra tremendo
Do útero adentro
Para o mundo, para o centro!!

 

III – Enchente

Meu tempo, entendo
É um rio enchendo;
As árvores, os peixes fitando
E o Sol me amornando.

Meu tempo, me vendo,
Sou um rio enchendo;
Meu curso tecendo,
Minhas curvas criando.

Meu tempo, me lendo.
Fertilizo este mundo,
Sou para tudo fecundo.
Serei o que pretendo.

 

IV – Persistente

Meu tempo, presente.
No corpo valente,
O feminino gritando,
Levando minha semente.

Meu tempo, permanente.
Um tanto persistente.
Cruzando e lavando
Pedra e pedra, mudando.

Meu tempo, vivente.
Turbilhão vai subindo.
Flutuando e caindo,

Por que grita tanta gente??

V – Descendente

Meu tempo, ainda quente,
Um rio que se ressente.
Deixando pra trás pau e folha,
Permitindo assim que se colha.

Meu tempo, minha gente.
Um rio com afluente,
Pra regar os pastos
Dos rincões mais vastos.

Meu tempo, meu tenente.
Um rio de viajantes.
Leva aos lagos verdejantes
Meus legados, envolvente.


VI – Imanente

Meu tempo, minha mente,
Um mar, bem em frente.
Antes, de um lado, caranguejo
É tudo o que eu vejo!!

Meu tempo, reminiscente.
Um mar, um ensejo.
Por mais que eu tente,
Não me lembro do primeiro beijo.

Meu tempo, de repente,
É o mar que eu almejo!!
Um sal que me alente,
Peço, mais um desejo!!