Este foi o romance que deu a conhecer Umberto Eco ao grande público, constituindo um enorme êxito de vendas no Brasil desde que foi publicado pela primeira vez, e continua ainda a ser uma obra bastante popular. E não é de espantar: escrito com imenso humor, o romance dá-nos a conhecer de uma forma expressiva o que era viver num mosteiro medieval. O tema central do romance é a liberdade de estudo e de ensino, a livre circulação do conhecimento. Mergulhada em obscurantismo durante séculos, os mosteiros cristãos constituíam fortalezas onde o conhecimento era preservado com imensas dificuldades. Dado a inexistência da imprensa, os livros tinham de ser copiados à mão por monges dedicados; em consequência, os livros eram bastante raros e de difícil acesso. A ideia ainda hoje popular de que os antigos eram muito sábios resulta em parte da falta de circulação do conhecimento que persistiu até à revolução científica dos séculos XVII e XVIII. Newton, por exemplo, teve por várias vezes a experiência de fazer redescobertas matemáticas que tinham sido conhecidas séculos antes, mas que entretanto se tinham perdido por falta de circulação do conhecimento.

Evidentemente, havia outros obstáculos à livre circulação do conhecimento, na Idade Média, além do problema tecnológico de não existir ainda a imprensa. Um dos mais importantes, tema central deste livro, era o dogmatismo religioso, que encarava o conhecimento como potencialmente perigoso. O romance de Umberto Eco apresenta-se como um livro de detectives: uma série de misteriosas mortes afectam um mosteiro e o protagonista tem por missão descobrir a verdade, um pouco ao estilo de Sherlock Holmes. O contraste entre as novas ideias mais abertas e racionais, mais voltadas para a experiência empírica, e os velhos hábitos fechados e místicos, de costas voltadas para a informação que podemos obter pela experimentação cuidadosa, desempenha também um importante papel no romance. Como é também costume nas estórias de Sherlock Holmes, as mortes a investigar têm à primeira vista um aspecto sobrenatural, mas no fim acaba por haver uma explicação muito humana, demasiado humana, de todas as mortes. Entretanto, o leitor fica preso da primeira à última página, precisamente para saber como se resolve o mistério.

As mortes são o resultado do dogmatismo religioso de um monge, apostado em impedir que um livro julgado perdido de Aristóteles, sobre o riso, possa ser conhecido. E este é um dos aspectos mais profundos e bem conseguidos do romance: poderia pensar-se que matar outras pessoas por causa de um livro sobre o humor não passa de invenção de um romancista ocioso, mas isso seria ignorar que a maior parte dos crimes que assolam a humanidade têm por base o dogmatismo intolerante de quem pensa ter o monopólio da verdade e o direito de a impor aos outros.

Alguns aspectos do romance poderão ser menos simpáticos. O autor parece apostado em atirar aos olhos do leitor uma imensidão de conhecimento histórico, o que por vezes acaba por tornar a leitura menos agradável, apesar de fazer as delícias dos diletantes. A imaginação fervilhante do autor acaba por vezes por ser labiríntica, levando a que quase se perca o fio da história. Mas a bondosa relação do protagonista com o seu discípulo, a sua defesa da racionalidade límpida e sem cedências, a oposição ao dogmatismo que procurava fazer paralisar o conhecimento — todos estes elementos fazem deste romance uma experiência inesquecível.

O título do livro surge na última frase do livro, “Stat rosa pristina nomine, nomina nuda tenemus“, que se pode traduzir do seguinte modo: “A rosa antiga permanece no nome, nada temos além do nome”. A ideia é que mesmo as coisas que deixam de existir ou que nunca existiram deixam atrás de si um nome. Eco refere-se talvez ao fato de o Livro do Riso, de Aristóteles, no centro da ação, não ter existido realmente, ou apenas ao fato de, na ficção, ter deixado de existir, deixando apenas o seu nome. 

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10 comentários em “O Nome da Rosa (Umberto Eco) – Download

  1. Orrra que Livro maravilhoso !!! Porque será é tão difícil de se achar em?? vcs sabem?? rsrsrs. E Jesus msm fala na Bblía ” Meu povo perece por falta de conheceimento” (não sei se é com essas palavras). Esse Livor deveria ser leitura obrigatória para VESTIBULARES rsrsrsrs. Oh valeu por disceminarem a CULTURA, Pessoas assim tem o meu respeito !!!
    VIVA A SABEDORIA !!!!

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    1. Obrigado, Raphael!

      Todo e qualquer blog deveria ter esses objetivos bem claros, mesmo! Disseminar o conhecimento e expressar o pensamento livre de cada um.
      Claro, nada contra ninguém que faça do blog seu meio de renda, mas acho o objetivo cultural o mais nobre que os blogs podem cultivar.

      Abçs!

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  2. Olá! quero parabenizá-lo pelo excelente trabalho, seu blog é muito útil, me ajudou bastante nos trabalhos acadêmicos, faço Bacharelado em Teologia, e o filme/livro O Nome da Rosa, sempre é citado pelos professores, sua explicação é ótima, fui também em sua página do windows live e foi como se tivesse achado ali, grande parte do que me será útil em estudo. Agora este vai ser um dos blogs que vou sempre visitar.
    Que Deus lhe abençoe muito mais!

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    1. Olá!
      Seja bem-vinda, e abuse dos livros e pdfs disponíveis, bem como de todo o material do blog, desde que, claro, cite os créditos (links de origem0.
      Sei bem como é procurar materiais de qualidade sobre assuntos complexos e não encontrar; e também conheço a satisfação de encontrar o que buscamos!
      Venha sempre que quiser!
      Bjs!

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  3. Ebrael, eu não li o livro todo, mas assisti ao filme e foi fantastico. Alias, sempre que passa na TV e eu posso, volto a ver. Alguns filmes com temas tão inteligentes sempre me prendem a atenção. Eu tambem gosto muito do Codigo da Vinci. São 2 filmes que me fizeram prender a respiração!

    “a maior parte dos crimes que assolam a humanidade têm por base o dogmatismo intolerante de quem pensa ter o monopólio da verdade e o direito de a impor aos outros” – é isso, infelizmente, a verdade doentia e cruel que sempre existiu na sociedade de ontem e de hoje e que será a de amanha – como vc mesmo já mencionou em texto recente.

    Amigo, um beijo afetuoso de sua fã.

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