Oscar Wilde – Trechos de "O Recital do Cárcere de Reading"


Oscar Wilde nasceu em 16 de outubro de 1854 em Dublin, Irlanda. Filho de William Robert Wilde, cirurgião-oculista que servia à rainha. Sua mãe, Jane Speranza Francesca Wilde, escrevia versos irlandeses patrióticos com o pseudônimo de Speranza.Foi educado no Trinity College, Dublin e mais tarde em Oxford. Lá ele recebe a influência de Walter Pater e da doutrina da “arte pela arte”.

Em 1879, vai para Londres, para estabelecer-se como líder do “movimento estético”. Em 1881 é publicada uma coletânea de seus poemas. Em 1882, sem dinheiro, aceita participar de um ano de viagens entre USA e Canadá. Essa viagem lhe rendeu fama e fortuna.Em 1884, casa-se com a bela Constance Lloyd. Com a publicação de “Retrato de Dorian Gray“, sua carreira literária deslancha.

Oscar e Constance tinham 2 filhos: Cyril e Vyvyan. Mas uma noite, Robert Ross, um hóspede canadense jovem, seduziu Oscar e forçou-o, finalmente, a confrontar-se com seus sentimentos homossexuais que o perseguiam desde a época em que era estudante.

Anos depois Oscar foi preso com acusações de conduta homossexual e sentenciado a 2 anos de prisão com trabalhos forçados, sendo a última parte em Reading Gaol. As condições calamitosas da prisão causaram uma série de doenças e o levou às portas da morte. Foi declarada, ainda, sua falência.Morreu como um homem arruinado em 30 de novembro de 1900.

Pensam que o coração de quem matou,
tisna a semente dadivosa.
Não! A Terra
de Deus é acolhedora,
e, mais que o homem, generosa:
mais rubra floriria a
rosa rubra
e mais de neve a nívea rosa!
Brotar-lhe-ia uma rosa cor de
sangue
da boca! E, branca, outra do peito!
Quem sabe? Tem Jesus estranhas
vias,
e é estranho, às vezes, seu conceito:
– fez, outrora, ante um Papa,
abrir-se em flores
seco bordão de um Seu eleito.
Mas nem rosas vermelhas,
nem de neve,
podem florir nestes terrenos.
Só nos dão cacos, sílex e
pedras;
só nos dão mágoas e venenos…
A flor abranda o Desespero aos
simples,
– e é crime, aqui, sofrer de menos.
Ah! jamais rosas brancas ou
vermelhas
pétala a pétala cairão
sobre essa lama em que ele dorme,
unido
ao muro hediondo da Prisão,
– pra lembrar que Jesus morreu por
todos,
a nós, e aos outros que virão!

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