O Primeiro Beijo


Bem, em geral, o primeiro beijo é como todo rito de passagem (salvo quando sem querer ou por violência). Rito de passagem? E o que seria um rito de passagem?? Que diabos é isso?? Para mim, um rito de passagem é todo e qualquer evento que faz um indivíduo transcender de um estágio a outro de sua existência, tanto a nível social, econômico, filosófico ou moral. E o rito de passagem tem, como primeira função, o objetivo de prover uma pessoa dos meios de satisfazer uma necessidade, presente ou futura. Exemplos disso: uma iniciação religiosa,em que o indivíduo é imbuído de novas funções na religião de um grupo; o trote (respeitoso) dos calouros que recém-ingressam nas universidades…

E o primeiro beijo?? Seria um tal rito desses?? Sim, é claro. O menino ou menina, que tem seu corpo transformando-se para um corpo mais apto à reprodução e à luta pela vida, precisa desse primeiro contato, que é a porta de entrada dos sentidos, o contato do olfato-paladar. Quando nascemos, lá está o olfato-paladar a nos apresentar a mãe, no período da amamentação, seguido do tato, audição e, por último a visão. É curioso: pois na adolescência, me lembro, foi nessa sequência que amadureci sexualmente. O carinho do sexo oposto, apresentado primeiramente pelo primeiro beijo (olfato-paladar), depois pelo tato (abraços e carícias), seguido pela audição (sons da excitação externada) e por último, a visão (da nudez, da mecânica da reprodução e do prazer).

Meu primeiro beijo foi estranho. Eu, saindo da escola, envergonhado que era, vi que uma guria me olhava (me comia com os olhos) sem parar. Eu me aproximei, meio que disfarçando. Ela nem me disse nada, muito menos eu precisei inventar algo pra falar. Me tascou um beijo, e eu já emendei outro. Nunca tinha beijado (óbvio!!) e me vi beijando profissionalmente. Quando menino, sempre tinha aquele negócio de treinar em algo (pulso, sorvete, etc.), mas sempre achei que aquilo não funcionava. Era simplesmente, e hoje percebo isso, o instinto. Era instintivo: está nos genes!! Somos animais também, somos permeados em nossas almas pelos instintos. Já nascemos meio que intuindo (instinto= intuição inferior, latente) o que vamos fazer, o que precisamos fazer. Está ali, tudo pronto, uma massa de modelar, uma comida semi-pronta sendo descongelada no microondas do nascimento.

Cá estou, pronto, desenvolvido, com um filho de 9 anos. Naquele dia eu já era um homem. Não um homem completo, mas um homem mesmo assim. Não havia transposto ainda aquele limiar do beijo, mas pouco a pouco, vamos transpondo, um a um, as barreiras que nos separam da nossa felicidade, que consiste em satisfazer nossas necessidades, materiais, espirituais e sociais. Que bom seria que, entre nossas necessidades, estivesse também a de satisfazer a dos que não podem se satisfazer com o mínimo!! Pois, se a felicidade consiste, também, em ter e inventar mais e mais necessidades, e satisfazê-las, seria ótimo que quiséssemos acudir mais e mais necessitados…

Um dia queria beijar, quando era menino. Não conseguia, pela timidez. E alguém, que nem sei onde está agora, me ajudou nisso. Pode parecer uma coisa banal. Mas, naquele momento, para mim, não havia coisa mais importante no mundo acontecendo que meu primeiro beijo!!

O Santo Graal e a Linhagem Sagrada (M. Baigent e outros)


Peguei um e-book essa semana sobre um assunto (vocês já devem ter percebido) pelo qual sou fascinado: o Santo Graal. Ainda devo postar mais especificamente sobre esse tema aqui; por ora vou resumir o tema desse livro

O livro foi escrito por Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln, três escritores britânicos. Trata da tese da estruturação e o surgimento da descendência real de Jesus e Maria Madalena, que eram, segundo algumas fontes, descendentes (os dois) de um ramo da família de Davi.

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Os Manuscritos de Nag Hammadi


Os Manuscritos de Nag Hammadi, também chamdos de apócrifos, são uma coleção de textos bíblicos, essencialmente gnósticos, que datam, aparentemente, do final do século IV ou no inicio do século V, ou cerca de 400 d.C. . Os manuscritos são cópias, e os originais a partir dos quais eles foram copiados datam de muito tempo antes. Algum deles – o Evangelho de Tomé – por exemplo, o Evangelho da Verdade e dos Egípcios – são mencionados pelos primeiros padres da Igreja, tais como Clemente de Alexandria, Irineu e Orígenes.

Em primeiro lugar, eles são importante porque  escapam à censura e revisão da ortodoxia romana. Em segundo lugar, porque eles foram escritos para uma audiência egípcia, não tendo que distorcer para os ouvidos romanos e, por que eles podem se basear em fontes de primeira mão, testemunhas oculares. Como era de se esperar, os Manuscritos de Nag Hammadi contém muitas passagens antagônicas à ortodoxia e aos “seguidores da mensagem”.

Em um documento, chamado Segundo Tratado do Grande Seth, Jesus é descrito precisamente como ele aparece na heresia de Basilides – escapando à morte na cruz através de uma engenhosa substituição. Alguns outros trabalhos da coleção Nag Hammadi testemunham uma rixa entre Pedro e Madalena que poderia refletir um cisma entre os “seguidores da mensagem” e os “seguidores da linhagem”. No Evangelho de Maria, Pedro se dirige a Madalena como se segue: “Irmã, nós sabemos que o Salvador te amou mais que as outras mulheres. Conte-nos as palavras do Salvador
de que tu te lembras – que tu conheces, mas nós não.”

Indignado, Pedro pergunta aos outros discípulos: “Ele realmente falou em particular para uma mulher e não abertamente para nós? Devemos nós todos dar a volta e escutá-la? Ele a preferiu a nós?” Mais tarde, um dos discípulos responde a Pedro: “O Salvador certamente a conhece muito bem. Por isso, ele a amou mais que a nós.  No Evangelho de Felipe, as razões para esta rixa, parecem óbvias.. existe, uma ênfase recorrente na imagem de uma câmara nupcial. Segundo este Evangelho, “O Senhor fez tudo misteriosamente, uma crisma e um batismo e uma eucaristia e uma redenção”. Esta câmara , à primeira vista, poderia ser simbólica e alegórica. Mas o Evangelho de Felipe é mais explícito:  “Existem três que sempre caminharam com o Senhor: Maria , sua mãe e sua irmã e Madalena, chamada sua companheira.”

Segundo um pesquisador, a palavra “companheira” deve ser traduzida por esposa. Certamente, existem razões para fazê-lo, pois o Evangelho de Felipe se torna mais explícito: “E a companheira do Salvador, é Maria Madalena. Mas Cristo a amava mais que a todos os seus discípulos e a beijava na boca frequentemente. O restante dos discípulos ficavam ofendidos com isso e expressavam sua desaprovação. Eles lhe disseram: “Por que mais do que a todos nós?” O Salvador respondeu e lhes disse: “Por que eu não te amo como a ela?” ( O Evangelho de Maria, O Evangelho de Felipe, em Nag Hammadi Library in English, p.472, 140,138;).

(“Os Manusritos de Nag Hammadi“, in A Genealogia Secreta de Jesus).

Acredita-se que haja muitos outros, textos, livros, cartas e escritos apócrifos ainda desconhecidos. Muito do que havia fora destruído por ordem da Igreja. Somente os que não contradiziam a “pureza da fé”, foram conservados e aceitos pela Igreja.

Acessando o link abaixo,  eu disponibilizo uma coletânea de livros apócrifos renegados pela igreja:

http://docs.google.com/open?id=0ByWMKZOs54SuOWdjU3gyZEd4NGc

Jesus, a "Estrela da Manhã"??


Tem algo muito estranho na Bíblia, sobre a qual estava refletindo lendo hoje pela manhã. Lendo um post do Sedentário e Hiperativo, do Marcello Del Debbio, sobre a origem do termo Lúcifer, utilizado usualmente pelos cristãos para se referirem ao ‘diabo’, fiquei curioso e fui pesquisar algumas passagens bíblicas citadas pelo Marcelo.

1) Em Isaías 14,12, na passagem em que fala da queda da Estrela da Manhã (o Rei da Babilônia), lemos:

Na Bíblia ‘Almeida Revista, Corrigida e Anotada’, usada por evangélicos:

“Como caíste do céu, ó estrela da
manhã, filha da alva! [como] foste
lançado
por
terra,
tu que debilitavas as nações!”


Na Bíblia Vulgata, a edição-base em latim adotada como oficial pela igreja católica e, posteriormente, pelos protestantes, consta para o mesmo versículo:

quomodo cecidisti de caelo lucifer qui mane oriebaris corruisti in terram qui
vulnerabas gentes.”

2) Porém, em referência a Jesus, em 2 Pedro 1,19 lemos:

Na Bíblia ‘Almeida Revista, Corrigida e Anotada’:

“E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem
fazeis em estar atentos como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que
o dia esclareça, e a estrela da manhã [Jesus] apareça em
vossos corações, (…)”

Na Vulgata:

et habemus firmiorem propheticum sermonem cui bene
facitis adtendentes quasi lucernae lucenti in caliginoso loco donec dies
inlucescat et lucifer oriatur in cordibus
vestris.”


Ou seja, é curioso, pois os cristãos atribuem o nome Lúcifer ao suposto ‘diabo’, enquanto não se apercebem que em outra, no Novo Testamento (o ‘Testamento de Jesus’), Jesus também é chamado de Lúcifer. Fica claro, então, que o nome Lúcifer nunca foi e nunca será o nome de um tal ‘diabo’. A não ser que Jesus seja o próprio Lúcifer, caso este seja um Ser individual… “aquele que traz a luz” à Humanidade.

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Referência: Sedentário & Hiperativo