O que lhe (me) faz feliz??


Algumas vezes, quando eu era mais jovem do que ainda sou hoje, me perguntava o que me fazia feliz…ou o que me faria feliz no futuro. Eu via com medo um futuro de empregos estáveis demais, uma família que me seguisse em todas as festas, uma casa para sustentar e outros prazeres “incômodos” da vida de adulto. Eu queria não estar em lugar algum por muito tempo, estar por muito tempo com a mesma pessoa, trabalhar muito tempo em um mesmo lugar, sentado todos os dias na mesma cadeira. Eu queria era liberdade…

Até aí tudo bem!! A juvntude traz consigo o fogo próprio das paixões instáveis, os desejos extravagantes, o horror e aversão a tudo que é, pelo menos aparentemente, parado.

Mas amadureci. A princípio, isso me entristeceu, pois vi aquela paixão toda, que me caracterizou por boa parte da minha vida, se amainar. Hoje vejo que isso não era propriamente ruim; apenas a paixão foi direcionada para um foco diferente, como se eu mudasse os óculos sem “trocar” de olhos. Passei a desejar uma vida segura, pois já não podia, como era quando semi-adulto, chegar em casa e saber que certamente haveria comida na mesa. Tinha agora que trabalhar e ir atrás de um emprego estável, e não mais perambular e trocar de empresa a cada 6 meses. Me casei. Quem casa quer casa. Com um emprego mais estável, contraí os empréstimos para construir uma casa. Terminamos de pagar a casa, quisemos melhorar os móveis. A sensação que temos é que as necessidades não cessam de nascer.

Mas é a vida, como ela é. Morrem seres, nascem mil outros, sem cessar na vida. Pois a vida não é sossego, é AÇÃO.  Mas, com o tempo, essas ações têm que se firmar em possibilidades cada vez mais calculadas.

É isso que eu queria para minha vida?? Não, não era… Disse que não era, mas que agora passa a ser, pois esse é o ritmo da vida. Não adianta querermos ser pra sempre adolescentes, tentar frear os sinais da idade, correr como um menino aos 40 anos, esquecer a vida real na terra firme para viver ilusões nas nuvens que passam e mudam de forma.

Quando jovens, a irresponsabilidade era inerente, e até tolerável, à própria adolescência. Pode a árvore adulta instalar suas raízes dentro de um recipiente de semente?? Viver a vida real, correr atrás de bens duráveis para a família e para a segurança do lar, não é de forma alguma renunciar aos sonhos de adolescente (ser ator de TV, subir o Himalaia ou ser astronauta), pois na verdade quando éramos adolescentes sonhávamos mesmo era em sermos adultos.

E cá estamos, adultos!! Todos os que se recusam a acompanhar os ritmos da vida, crescimento, amadurecimento e envelhecimento, acabam sofrendo, cedo ou tarde, com as decepções. Chegam à velhice, sozinhos, sem ter realizado nada de concreto, viciados, recalcados, mais dos que aqueles a quem criticavam. E não viveram a vida, a vida como ela é, e sempre deve ser. Sem delírios, a vida que traz mais felicidade, a vida como a vemos em toda a natureza.

Essa é a pergunta que vos faço: o que pode fazer uma pessoa mais feliz do que poder fazer, mais do que o que se quer, o que se deve fazer?? Poder responder no futuro com algo concreto, duradouro, e não apenas como uma lembrança de um acampamento de verão?? O que pode ser mais satisfatório do que a sensação de dever cumprido, de  algo nobre e grande, de uma obra de vida, de algo real e mais que imediato??

Feliz aquele que constrói sua casa na rocha!!

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