Saudades da minha infância


Pode até parecer que não cresci ainda, estando eu para completar 29 anos encima da terra. Mas não renego meu instinto saudosista: como muitas coisas da minha infância, que foi ótima, graças a Deus e minha mãe, sinto muitas saudades dos desenhos que eu assitia. Através deles, de certa forma, aprendemos a conhecer a vida, e nos damos conta dos assuntos sérios do mundo lá fora por uma linguagem como que lúdica, suave.

Creio que muitas pessoas que assistirem esses vídeos vão lembrar deles, de alguns ao menos.

O que fazer quando se está gripado??


Algumas pessoas ficavam, na rua, na vizinhança, no trabalho, me perguntando se, com essa onda de gripes novas no mercado, não tinha ficado doente ainda. Isso me deixava puto da cara. Por que não perguntam se estou ganhando mais, se comprei um carro novo ou acertei na mega-sena?? Está certo: não ganhei nada disso, mas a intenção da pergunta já revelaria o desejo de coisas boas, certo?

Mas, para aqueles que adoram ver os outros derrubados ou que simplesmente nutrem uma curiosidade incômoda pela vida alheia, digo eu: estou gripado pela segunda vez este mês!! Creio eu que não seja gripe A (H1N1). Acho que não estaria, belo e formoso, blogando neste momento se esse fosse o caso. Até porque receio que seja apenas a volta da gripe anterior, talvez mal curada. E como sobrevivi à última…

Ontem, no banheiro, me perguntaram porque eu estava rouco. Quase que respondi que era pelos meus muitos shows no exterior, que Elvis Presley também fica rouco. Bem, trabalhando num call-center, com um condicionador de ar açoitando minha nuca e visivelmente com o nariz congestionado, já era para alguém perceber, não é mesmo?!? Senti um calafrio nessa hora, como se o Francisco Milani estivesse para incorporar em mim na pessoa do “Saraiva”.

– Pergunta idiota, tolerância zero!!

Parece que tudo realmente perde o sabor quando estamos gripados, e o cheiro também. Sabemos que o paladar e o olfato estão irremediavelmente casados por toda a eternidade. Mas parece que tudo o mais na vida perde não só o sabor e o aroma, mas as cores também. Toda pergunta idiota, como a que eu relatei, ficam maos intoleráveis, tudo nos irrita. A falta de ar e o peito congestionado é que nos impede de cometer um ato terrorista contra o filho do vizinho que joga papel de bala dentro do seu terreno, por cima do muro.

Eu disse àquele colega de trabalho que eu estava gripado. Ele me disse, com a maior naturalidade: “É bom pra você!! Mete um atestado e são alguns dias em casa ‘de boa’!!” Esse meu colega que quer ver o cara melhorar de vida.

Mas, e se voltar a tirar alguns dias de atestado médico?? O que se tem de bom para fazer quando estamos “de molho”?? São várias alternativas, apesar de saber que são limitadas ao aconchego do lar. Pôr os blogs em dia, visitar os amigos blogueiros que estão lá, sentindo a nossa falta. Baixar os episódios mais antigos de Os Smurffs e dos Gummies. Se entupir de salgadinhos; afinal, salgados abrem o apetite. Esgotar aquele desejo íntimo de dormir até meio-dia sem remorsos nem obrigações para com o despertador. Arrumar as suas roupas e caçar lotes de meias perdidas debaixo da sua cama. Voltar a lavar a louça.

No momento, me preparo para ir trabalhar, ainda que doente. Amanhã, se decidir assim, posso até tirar um atestado, se estiver afônico. Afinal, nunca soube de um operador de teleatendimento que fosse mudo ou afônico. Mas trabalho no call-center somente até dia 10/09. Depois disso, o serviço público e suas delícias implícitas estarão me recebendo em seu regaço generoso.

Uma comunidade inteira jogada na rua por uma reintegração de posse


Crianças na chuva, famílias inteiras: mulheres, crianças e idosos na rua, sem ter para onde ir, abandonadas à própria sorte, por causa de uma reintegração de posse de um terreno particular invadido, conhecido como acampamento Olga Benário, pertencente a uma empresa de transportes (Viação Campo Lindo) de São Paulo.  Ao todo, são mais 2 mil pessoas sem teto.

Bombas de efeito moral por parte do aparato de repressão das elites e tratores das empresas derrubando os barracos que ainda não tinham sido queimados pelos moradores da favela … em revolta pela decisão de despejo. Está certo: o terreno era particular e a reintegração era legal, mas arrancar aquelas pessoas sem que o poder público lhes desse uma alternativa, um rumo, uma direção, pessoas essas que não tinham nada??!!  Saíram para a rua com menos ainda. Agora, enquanto estavam lá, eram um estorvo para a empresa. Estando na rua, a responsabilidade passa a ser da prefeitura de São Paulo. E aí?? O que fizeram os dignos mandatários eleitos pelo povo??

Na noite do ocorrido, há dois dias, ainda nenhum representante da prefeitura ou assistente social tinha aparecido nem pra oferecer um café ou uma bolacha para aquelas crianças, que estavam o dia inteiro (algumas há ainda mais tempo, imagino) sem comer. E terminaram a noite na chuva, nas esquinas das ruelas, sem ter como se proteger nem onde dormir.

Crianças acampadas, sem ter para onde ir.
Crianças acampadas, sem ter para onde ir.

Não quero parecer demagogo ou sentimentalóide, nem fazer malhação de Judas com alguém. Eu estou aqui, confortável, sentado defronte ao meu PC, tomando café. Daqui a pouco vou dormir sabendo que há milhares, centenas de milhares de pessoas nas ruas desse país, sem rumo. Milhares de pais que assistem filhos pequenos reclamando de fome, sem ter um pedaçode pão duro para lhes dar. Não dá para fingir que não estou nem aí. Imagino que a maior parte dos que souberam deste fato também pensam assim.

Apenas os deputados, com suas casas e com apartamento funcional pago por nós, para onde levam parentes e suas prostitutas e menores para orgias, é que não estão nem aí. Somente o Lula, que arrota e se orgulha de ter passado fome e ser do povão, mas que depois no AeroLula reclama que a refeição e o serviço de bordo lhe faziam perder o apetite (pois não era digno de sua Excelência!) é que não deve se preocupar tanto. Apenas salvar Ladrões maranhenses e planejar a ascensão de Dona Dilma. Eis suas preocupações!!

Mas esses canalhas, esse miseráveis, esse homúnculos energúmenos, na hora de ir pedir votos e iludir aquelas pessoas… aí sim, eles se sujeitavam a sujar seus sapatos italianos na lama, que se assemelha muito a suas almas podres e insignificantes.

O doce sono do Guerreiro…


Todos nós temos, ou achamos que temos, algo de grande a fazer na vida. Às vezes, isso pode não ser lá grande coisa para algumas pessoas ou para nós mesmos. Não importa o que seja, mas desde que seja algo que exercite nossas habilidades ou nos faça aprender a podar nossos defeitos, é valido, então.

Com o tempo, aprendi porque as pessoas reclamam tanto depois de terem conseguido o que diziam querer. É porque não descansam. Mas como assim? Viciam em conquistas e esquecem de aproveitar o que conquistaram antes. Trata-se da ânsia (chamo de vício) de querer conseguir mais e mais, uns com a desculpa de garantir o que já tem, outros com o pretexto de que não sabem viver sem batalhas e lutas.

Mas à medida em que não aproveitam para curtir o pouco que conquistam e conhecer verdadeiramente a importância de uma única vitória acabam por tornarem-se pessoas escravas de uma guerra sem fim. Quando se dão conta, já se afastaram de tudo aquilo que sonharam quando eram inocentes, crianças, sonhadoras. Os sonhos de adultos são outros, mas no começo são sempre simples, seja lá o que for, casa, carro, estabilidade financeira, um mestrado, um cargo,uma família, um Amor… Mas aí nossa atenção vai se voltando para outras coisas distantes disso tudo. Vamos desejando coisas desnecessárias e perdendo o foco do que é essencialmente singelo, gastando, em vão, nossas energias.

A vida é simples. Os mecanismos que a tornam possível parecem complicados. Apenas parecem. Não entendíamos, quando crianças, como o avião voava. Mas um técnico adulto tem essas respostas na ponta da língua e as dá com uma frase apenas!! E a felicidade? Porque achamos difícil sermos felizes?? Não somos felizes porque não vivemos nossa realidade essencial. O que é preciso para manter uma boa saúde?? Refeições balanceadas e exercícios regulares. Mas pelo meu emprego, posso ficar sem comer e abdico do lazer com minha família em troca de uma cargo mais “importante”. O que é preciso para sermos felizes no Amor?? Amar, dar atenção, respeito, carinho. Ahhh, mas eu já faço tudo, dou tudo e mais um pouco para minha casa!” Para a casa sim, mas e para o seu Amor?

Lutas sem fim, complicações sem fim, desejos sem fim, nunca por completo realizados. Porque será que um discurso pela Amazônia não seria mais atraente que uma charge de três quadrinhos com uma dúzia de palavras?? Porque não é tão simples, e o que é simples diz tudo, e o que é complicado é a tentativa de ser simples fazendo os outros cansarem, dormirem.

Por que será que o pastor da parábola foi atrás da ovelha perdida, deixando as outras 99 sozinhas?? Porque a ovelha perdida era a miniatura simples das outras 99 reunidas. E as 99 reunidas não eram mais que um sinal de que uma estava faltando. Buscamos no que é excessivo o que é simples. A ânsia dos excessos de toda ordem em nossa vida nada mais são que sinais de que procuramos com mais intensidade o que é simples sem, no entanto, ter sucesso na busca.

Me vejo, depois de tantas buscas, deitado na relva verde, no colo do meu Amor. É outono, 3 horas da tarde. Uma leve brisa do Sul faz meus olhos lacrimejarem de um sono gostoso. Olho para o Céu e me lembro das coisas simples e gostosas da infância.

Jogar bola até as 7 da noite e voltar descalço, sujo, com a cara cheia de poeira e sem camisa para casa. Dançar lambada e deixar a menina que eu não gostava cair em público no concurso da escola. Viajar sozinho com 12 anos para ir visitar meu pai, escondido, e sentir o primeiro ar da Liberdade. A minha primeira bicicleta e a noite que passei em claro esperando meu pai trazê-la na manhã de Natal. Dormir depois do almoço aos sábados, na cama de cima do beliche, do lado da janela, com o vento sul acariciando meu rosto e as árvores cantando uma melodia monótona e sonolenta.

Isso são coisas que me fazem feliz, pois foram e ainda são (na memória) essenciais para mim. Essenciais como os sonhos, como a capacidade de imaginar um mundo novo lá fora, amanhã, depois de amanhã ou ano que vem. Essenciais como todas as primeiras vezes, como o número 1 para a matemática. Sem ele não existiria o 2 e nada mais. Simples como um barco de papel ou um castelo na areia. Efêmeros, mas inesquecíveis, enquanto outras coisas mais duradouras nos perseguem como pesadelos, como impostos, como políticos em época de eleições.