O doce sono do Guerreiro…


Todos nós temos, ou achamos que temos, algo de grande a fazer na vida. Às vezes, isso pode não ser lá grande coisa para algumas pessoas ou para nós mesmos. Não importa o que seja, mas desde que seja algo que exercite nossas habilidades ou nos faça aprender a podar nossos defeitos, é valido, então.

Com o tempo, aprendi porque as pessoas reclamam tanto depois de terem conseguido o que diziam querer. É porque não descansam. Mas como assim? Viciam em conquistas e esquecem de aproveitar o que conquistaram antes. Trata-se da ânsia (chamo de vício) de querer conseguir mais e mais, uns com a desculpa de garantir o que já tem, outros com o pretexto de que não sabem viver sem batalhas e lutas.

Mas à medida em que não aproveitam para curtir o pouco que conquistam e conhecer verdadeiramente a importância de uma única vitória acabam por tornarem-se pessoas escravas de uma guerra sem fim. Quando se dão conta, já se afastaram de tudo aquilo que sonharam quando eram inocentes, crianças, sonhadoras. Os sonhos de adultos são outros, mas no começo são sempre simples, seja lá o que for, casa, carro, estabilidade financeira, um mestrado, um cargo,uma família, um Amor… Mas aí nossa atenção vai se voltando para outras coisas distantes disso tudo. Vamos desejando coisas desnecessárias e perdendo o foco do que é essencialmente singelo, gastando, em vão, nossas energias.

A vida é simples. Os mecanismos que a tornam possível parecem complicados. Apenas parecem. Não entendíamos, quando crianças, como o avião voava. Mas um técnico adulto tem essas respostas na ponta da língua e as dá com uma frase apenas!! E a felicidade? Porque achamos difícil sermos felizes?? Não somos felizes porque não vivemos nossa realidade essencial. O que é preciso para manter uma boa saúde?? Refeições balanceadas e exercícios regulares. Mas pelo meu emprego, posso ficar sem comer e abdico do lazer com minha família em troca de uma cargo mais “importante”. O que é preciso para sermos felizes no Amor?? Amar, dar atenção, respeito, carinho. Ahhh, mas eu já faço tudo, dou tudo e mais um pouco para minha casa!” Para a casa sim, mas e para o seu Amor?

Lutas sem fim, complicações sem fim, desejos sem fim, nunca por completo realizados. Porque será que um discurso pela Amazônia não seria mais atraente que uma charge de três quadrinhos com uma dúzia de palavras?? Porque não é tão simples, e o que é simples diz tudo, e o que é complicado é a tentativa de ser simples fazendo os outros cansarem, dormirem.

Por que será que o pastor da parábola foi atrás da ovelha perdida, deixando as outras 99 sozinhas?? Porque a ovelha perdida era a miniatura simples das outras 99 reunidas. E as 99 reunidas não eram mais que um sinal de que uma estava faltando. Buscamos no que é excessivo o que é simples. A ânsia dos excessos de toda ordem em nossa vida nada mais são que sinais de que procuramos com mais intensidade o que é simples sem, no entanto, ter sucesso na busca.

Me vejo, depois de tantas buscas, deitado na relva verde, no colo do meu Amor. É outono, 3 horas da tarde. Uma leve brisa do Sul faz meus olhos lacrimejarem de um sono gostoso. Olho para o Céu e me lembro das coisas simples e gostosas da infância.

Jogar bola até as 7 da noite e voltar descalço, sujo, com a cara cheia de poeira e sem camisa para casa. Dançar lambada e deixar a menina que eu não gostava cair em público no concurso da escola. Viajar sozinho com 12 anos para ir visitar meu pai, escondido, e sentir o primeiro ar da Liberdade. A minha primeira bicicleta e a noite que passei em claro esperando meu pai trazê-la na manhã de Natal. Dormir depois do almoço aos sábados, na cama de cima do beliche, do lado da janela, com o vento sul acariciando meu rosto e as árvores cantando uma melodia monótona e sonolenta.

Isso são coisas que me fazem feliz, pois foram e ainda são (na memória) essenciais para mim. Essenciais como os sonhos, como a capacidade de imaginar um mundo novo lá fora, amanhã, depois de amanhã ou ano que vem. Essenciais como todas as primeiras vezes, como o número 1 para a matemática. Sem ele não existiria o 2 e nada mais. Simples como um barco de papel ou um castelo na areia. Efêmeros, mas inesquecíveis, enquanto outras coisas mais duradouras nos perseguem como pesadelos, como impostos, como políticos em época de eleições.

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2 comentários

  1. Ebrael,

    “Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos”.
    William Shakespeare

    Sonhos proporcionam uma energia vital e nossa mente registra como coragem, eacreditamos que serão realizados num piscar de olhos, mas por motivos diversos adiamos, e para continuarmos “vivos” relembramos momentos felizes que aliviam a sensação de incapacidade. É um novo gás estimulante a base do gás do passado, o qual alimenta nosso presente e futuro.

    As boas lembranças fortalecem e renovam nossas forças.

    Abraço,

    A luz de Deus Nosso Senhor, sempre te ilumine!

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    1. Um dia, eu disse que “cada segundo é um convite a dizer adeus ao minuto futuro”. Paradoxal?

      Quando você conta o segundo presente, já disse adeus a ele. Quando conta o segundo passado, eis um convite a dizer “olá” a um aborto ou a um herói. Do que preferimos lembrar? Quantos heróis há?

      Ficam as perguntas respondidas! 😦

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