Pedro Boaventura, à beira do caminho.


Seu nome era Pedro. Pedro Boaventura. O sobrenome (*) pressupõe felicidade, fortuna. Mas Pedro não era feliz. Pedro tinha, e sabia disso, características que poderiam fazer qualquer homem feliz e bem-sucedido: era carismático, razoavelmente charmoso, inteligente. Mas nada dava certo para ele. Pelo menos, era isso que ele achava.
Pedro nascera em uma pequena cidade do extremo oeste de Santa Catarina, chamada Palma Sola. Como toda aquela região, Palma Sola era eminentemente agrícola. Seus pais eram lavradores pobres, como a grande maioria na região o era. Eram os idos de junho de 1978, quando ele veio ao mundo. Uma chuva de granizos havia devastado a minúscula roça de milho, no começo do inverno daquele ano. Sua mãe, Maria Bernadete, havia dias que estava debilitada pela subnutrição, jazia na cama, aparentemente sem forças para parir. Ele nasceu abaixo do peso, naturalmente, de parto prematuro, depois que seu pai, Marco Luigi, um rude e ignorante lavrador, batera nela por não ter lhe feito a janta, pois não conseguia mais cortar a lenha para o fogão.
Passaram-se dois meses até que conseguissem batizar o menino na capela do povoado onde tinham roça. As dívidas acossavam a família, e só conseguiram pagar as custas do batizado à base de doações de vizinhos. Até aquele momento, não haviam decidido qual seria seu nome. Num momento de descontrole e desespero, Marco resmungou perante o padre, na hora da unção:
 – Que Deus tenha misericórdia desse pobre diabinho, pois se um dia não tiver o que dar de comer ao pestinha, eu, ele e a mãe vamos ter que comer, nem que seja, sopa de “pedra”!!
Maria, sua mãe, num lampejo, achando se tratar de um sinal divino, bradou:
 – Já sei! Ele há de se chamar Pedro. Nem que eu tenha que engolir pedra, ele não há de passar fome.
Parece que as bênçãos da mãe foram providenciais!! A roça deu conta de prover o mínimo para o sustento de Pedro. Pedro cresceu, ainda assim, um menino franzino. Riam-se dele, porque não queria ser lavrador, mas sim doutor. Diziam que ele não tinha nem sandálias de couro cru, como poderia pensar em calçar alparcatas?? Queria ser advogado, pois queria pôr na cadeia os homens que, a exemplo de seu pai, espancavam suas mulheres-escravas. E agora, depois de crescido, ainda apanhava de seu pai, todas as vezes que dizia querer ir pra escola, e não ir para a roça, às 5 horas da manhã.
Tudo corria normalmente na vida de Pedro, até aquele momento. Até mesmo as surras de relho de cavalo, quase que diárias, eram usuais para um garoto de 11 anos do interior de Santa Catarina.
Um dia, ele quis comprar uma pipa, na quermesse da festa de São João, no mês de seu aniversário. Pedir apara o seu pai dar-lhe dinheiro pra comprar, ou fazer para dar-lhe de presente, estava fora de cogitação. Era possível que ele ficasse tão “leve” por causa de uma sova, que o vento poderia levá-lo como a uma pipa. O vigário da paróquia da cidade precisava que alguém engraxasse seus sapatos para a solenidade de São João. Pedro aprendeu em dois tempos como fazer o serviço. Ganhou alguns tostões, suficientes para comprar a pipa. Chegando à quermesse, onde estava o pipeiro?? As pipas tinham sido todas vendidas, e se foi o pipeiro!! – lhe disseram. E ainda por cima, seu pai o flagrou com o dinheiro na mão, no meio da multidão, e ele foi levando com a cinta no lombo até o casebre onde moravam. Depois de soluçar de dor durante horas, o menino falou algo que, ao invés de melhorar sua vida, o trouxe à realidade de um inferno que não existia ainda dentro dele:
 – Diabos!! Nada dá certo nessa minha vida!! Poxa, que merda de vida!!
Pedro cresceu sem namoradas. Só estudava. Estudava e apanhava. Por pouco não morrera de uma surra que levou de seu pai, com socos no peito e nas costas. Tinha vergonha das meninas, porque sabia que não poderia levá-las em casa, pela animalidade de seu pai. Pedro começara a ter fantasias sexuais um pouco estranhas. Quando se masturbava, tarde da noite, o fazia pensando em mulheres grandes e altas, que pudessem bater no seu pai. Por isso, Pedro tinha poucos amigos, e pouco saía além da roça de milho, a soltar pipa e subir em árvores. Somente nessas ocasiões poderia, sem recriminações, sonhar livremente.

Na escola, ia bem nos estudos rudimentares. Apesar disso, as meninas da cidade, justamente as mais lindas, troçavam por ele ir com uma sandália remendada com pregos. Todos na cidade o conheciam por apagar os erros, no caderno fino, com os dedos. Um dia, fez uma borracha artesanal com elásticos de látex, usados em hospitais da região, trazidos por um médico. Foi a piada do mês. As meninas, algumas pelo menos, se riam dele por ele ser o “caxias” que não lhes dava bola. Ele era um garoto bonito. Os rapazes sabiam disso, e lhes faziam côro. Ainda assim, querendo abandonar a escola, por traumas como esses, e por nunca conseguir amarrar a sandália adequadamente, que já se desfazia com os anos e não lhe servia mais, continuou até certo tempo. Um belo dia, deixou a escola, e foi ajudar seu pai na roça, e apanhava ao anoitecer, sempre que tentava ajudar seu pai, torto de bêbado, a chegar em casa vivo. Nunca mais conseguiu vaga novamente para estudar nas escolas da cidade.

Já tinha 21 anos, quando a única coisa certa, sem conflitos, que vivera em sua vida, o amor pela sua mãe, fora afrontada de forma fatal. Nessa época, Pedro trabalhava em uma sapataria da cidade, na sapataria de seu Valdivino, , como aprendiz. Seu Valdivino era homem bom, mas deveras muquirana. No entanto, Pedro era grato pela oportunidade. Ao chegar em casa à noite, encontra seu pai com a cara na mesa, dormindo e roncando, como um porco cachaceiro que era. Perguntou-lhe, despertando-o, pela mãe. Era estranho que, às oito horas da noite, sua mãe não estivesse com a barriga encostada no fogão à lenha, cozinhando feijão. Chorando e já sentindo o aroma fatal de sangue, vai ao quarto. Torcia para que sua mãe, já com 42 anos, estivesse apenas desmaiada. Mas desmaiada estava, definitivamente. Tinha o crânio afundado por um martelo caseiro, que estava a dois metros dela, encima da cama. Em vão, tomara-lhe a pulsação. Teve vontade de cravar o cutelo, pendurado na parede da cozinha, no pescoço de Marco. Mas, ouviu sua mãe dizendo que “amaldiçoado o filho que levanta a mão contra seu pai.” Chamou a polícia, que levou seu pai para a cadeia da cidade. Lá, o pai, envelhecido mais de 10 anos ao saber o que tinha feito, se enforcou com sua cinta, com a complacência dos policiais, então.
Pedro saiu da cidade. Fugiu daquela casa, como o diabo foge da cruz, ele, o diabinho que comeria pedra, e que estava comendo agora o pão que o diabo-pai havia lhe amassado. Mas antes, encarregou-se de por fogo em toda a casa, salvando apenas a foto de seu batizado, onde estava sua mãe. A metade contendo seu pai, ele a recortou e queimou. Pediu suas contas na sapataria, na qual estava desde os 14 anos, sem ser efetivado, e foi-se embora, sem rumo, à base de caronas nos caminhões de carga de hortaliças que saíam da cidade.
Por que nada estava certo em sua vida?? Por que a vida havia lhe tomado a pessoa para quem queria fazer tudo certo?? A mãe era a única referência de carinho que tinha. Por não ter tido coragem de expulsar seu pai de casa e defender sua mãe, achava que não teria coragem de mais nada. A mulher-salvadora-gigante, das noites de suas masturbações, não havia chegado para salvar os dois. Não acreditava que alguma coisa voltasse a fazer sentido.
Dois meses depois de ter saído com uma mala, contendo meia-dúzia de peças de roupa e seus documentos, Pedro havia perambulado por diversas cidades, afogando as mágoas em cachaça, já que ainda era virgem. Não sentia-se disposto a conquistar mulheres. Não que achasse que fosse gay. Mas, já que a mulher que sonhava encontrar na fantasia de guri, tão doentiamente, a quem chamou Joelma, não havia lhe aparecido, se desiludiu com as mulheres. Estava, a essa altura em Mafra, no planalto Norte catarinense.

Seu dinheiro havia, enfim, acabado. Tomou uma última bebida, num só gole ávido, agoniado que estava. Era uma dose generosa de licor de absinto, vendido clandestinamente numa bodega. Começou a delirar, triste que estava e pelo teor tóxico da bebida, sentado ao meio-fio, perto da estação rodoviária. Vê, num lampejo, um homem se aproximar dele e sentar ao seu lado. O homem lembrava a descrição de alguém que sua mãe jurava, de pés juntos, ter visto quando criança, encostado no carro-de-boi de seu avô materno. Um homem de barbas ralas e olhos negros, vestes surradas. Mais parecia um mendigo, mas sua mãe dizia ser Jesus.
O homem lhe pergunta:
 – O que fazes aqui, à beira do caminho?? O que procuras??
 – Procuro um carro do hospício. Não sabe de um que passe por aqui?? – respondeu Pedro, sarcasticamente.
 – Não, não sei. Mas por que achas que precisas de um??
 – Por que achas que estou aqui?? Te respondo: porque nada, absolutamente nada em minha vida, foi como eu sonhei. Nunca consegui terminar nada nessa vida. E tudo que conseguia começar se desfazia com tantas pedras no meu caminho. Não sei porque minha mãe (que Deus a tenha!!) foi me dar esse nome.

Fez uma pausa, retirou o excesso de saliva do canto da boca, cheirando à cachaça velha, e continuou:

 – Nunca sonhei em ser sapateiro. Nunca quis ver minha mãe apanhar e morrer com  o crânio arrebentado. Nunca sonhei em ser incomodado por um mendigo a 500 km de onde eu nasci. Nunca sonhei estar aqui. Você acha que isso não deixaria alguém “fora da casinha”??

O “mendigo” pensou bem no que ia falar. Enfim, disse-lhe:
 – Quanto mais fugimos da cruz, mas os pregos surgem em nossas mãos. Para merecer o paraíso, não é necessário conhecer o inferno. O inferno existe desde que o paraíso surgiu.
E concluiu:
 – Não sou Jesus, não, antes que eu me esqueça de falar!! E uma última coisa: você está parado, aqui, à beira do camnho. Para que as coisas dêem certo na vida, apesar das paradas constantes, é preciso estar a caminho!!
 – Você também é louco!! Só pode ser – resmungou Pedro.
Quando levantou novamente a cabeça, parece que o mendigo ficou mais baixo, e lhe disse:
 – Quem é maluco aqui é você, rapaz!!
Um ônibus queria deixar a rodoviária, e Pedro estava deitado na saída dos veículos. Meio lesado ainda, com fome, Pedro foi arrastando sua mala pelo caminho que leva a Joinville, repetindo por muitas horas, como um lunático:
 – O importante é estar a caminho… o importante é estar a caminho…

Depois disso, Pedro nunca mais fora visto, apesar das especulações, de algumas testemunhas e do motorista que poderia ter passado com um ônibus sobre ele, de que estivesse perambulando atrás de comida pela região, como um andarilho, arrastando sua mala. O caso do andarilho Pedro, misterioso e lunático,logo correu as cidades do Palnalto Norte. Tempos depois, mais ou menos um mês após o episódio da rodoviária, seu corpo foi encontrado por um motorista de caminhão que havia encostdo seu veículo no acostamento de um estrada vicinal em Três Barras, próxima de Mafra, para urinar. Seu cadáver já estava em decomposição acelerada, carcomido de vermes. Fora identificado por seus documentos, constantes de sua mala e por exame de arcada dentária.

Os moradores de Palma Sola ficaram sabendo da trágica ocorrência envolvendo Pedro, a terceira morte de uma mesma família em menos de 6 meses. Numa missa, oferecida por seu antigo patrão a seus pais, seu Valdivino avistou uma pessoa familiar ao lado do altar, na hora da consagração da Hóstia Era Pedro, maltrapilho, com a face cadavérica e cabelos desgrenhados. Logo, notou a presença de seu Marco, pai de Pedro, ao lado desse, caído, com o pescoço arroxeado.

Pedro pediu, encarecidamente:

 – Rezem por minha mãe, que ainda sofre pelo cão sarnento que a matou, pois que por ele já há quem o vele. Os homens que dele cuidam não desejam orações nem sinais-da-cruz.

Num súbito lampejo, percebeu que Marco não se enforcou sem ajuda. Pedro mostrou aos olhos perplexos de seu Valdivino o que acontecera. A cinta que Marco usou pra se enforcar era sua, mas estava sendo usada por engano por Pedro naquele dia. Pedro apareceu na delegacia para pronunciar as últimas pragas contra Marco. Num gesto de ira santa, Pedro esticou a cinta de seu pai, que ele usava, para dar a surra que nunca teve coragem de lhe aplicar. Num arrombo de remorso, Marco pediu para morrer e pegou, sem  que Pedro resistisse, a cinta da mão de seu filho, a quem costumava apelidar de diabo. Amarrou a cinta na grade da janela, alta que era e, sem que Pedro quisesse evitar e ainda com um olhar frio,  se dependurou para a morte, sendo seu próprio juiz, seu carrasco e o condenado. Em segundos, o corpo do pai de Pedro pendia, sem vida, na parede da prisão. Quando deu por si, Pedro saiu do corredor das celas, duas apenas, e deixou a chave da cela com Sílvio, sobrinho de sua mãe, o qual jurara que nunca havia  visto Pedro na delegacia. Pedro saiu pelos fundos da delegacia, pulou o muro de trás e desapareceu pelo mato, em direção à sua casa, para destruir de vez o templo do terror onde vivera sua vida, e morrera um pouco de si, ao ver a mãe ensanguentada no soalho da casa.

Hoje, reza a tradição da geração passada, que mulheres da região oeste de Santa Catarina ainda chamam Pedro quando estão sendo espancadas por seus maridos para lhes salvar. Agora, Pedro Boaventura é invocado como Pedro da Cinta. Dizem vê-lo nas noites de São Joaão, a estalar sua cinta marrom, atrás de homens cruéis para castigar, pois como ouvira um dia Pedro, …

O importante é estar a caminho!!

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(*) Boaventura sobrenome fictício.

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Créditos: Ebrael Shaddai

“Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a realidade terá sido mera coincidência.”

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Pare de falar e comece a fazer


Pequenas atitudes diárias e mudanças de hábito podem contribuir com a proteção do meio ambiente. Todos podemos fazer nossa parte. 

Veja como:
  • Todos sabemos (mas às vezes esquecemos) que podemos economizar água de maneiras simples, como não deixando a torneira ligada ao fazer a barba, lavar o rosto ou escovar os dentes.
  • Reutilize a água usada na lavagem de roupas para a limpeza de calçadas, de quintais ou mesmo para lavar seu carro.
  • Usar um barbeador elétrico ou lâmina de barbear com lâminas substituíveis, em vez de descartáveis, ajuda muito na redução de resíduos.
  • Use toalhas para secar o seu rosto e mãos ao invés de lenços de papel descartáveis. Além disso, pendure suas toalhas para secar, para que possam ser reutilizadas várias vezes.
  • Prefira fraldas de pano em lugar das descartáveis, que ficam anos acumuladas em lixões.
  • Compre bebidas em garrafas reutilizáveis (de vidro ou alumínio), ao invés de porções únicas em embalagens descartáveis.
  • Ao embrulhar o seu lanche, opte por embalagens reutilizáveis para armazenamento dos alimentos, em lugar de folhas de alumínio ou saquinhos de plástico.
  • Ao sair de casa, não se esqueça de desligar todas as luzes e aparelhos eletrônicos; desligue também carregadores, pois estes continuam a consumir mesmo se não estiverem mais carregando. Poupar energia ajuda a reduzir a poluição do ar.
  • Ao comprar aparelhos eletrodomésticos, verifique nas especificações técnicas se são eficientes no consumo de energia.
  • Não vá a lugar nenhum sem a sua sacola de pano, de modo que você possa simplesmente dizer “não” ao plástico sempre que for fazer compras.
  • Por mais radical que pareça, a forma mais fácil de reduzir suas emissões de carbono é minimizar o uso de automóveis. Ao invés de dirigir, tente andar de bicicleta, caminhar, pegar carona, usar transportes públicos etc.
  • Se você não tem outra opção senão dirigir para o trabalho, procure por carros de maior eficiência de combustível e mantenha os pneus regulados na pressão correta para reduzir o consumo do seu carro.
  • Agora, se você está entre a maioria dos motoristas que passam horas presos no trânsito, considere desligar o motor se for ficar parado por um período longo.
  • Para os apressadinhos, lembre-se que dirigir agressivamente aumenta o consumo de combustível e as emissões de gases de efeito estufa. Por isso, se você quiser contribuir com o meio ambiente, acelere gradualmente e tente manter uma velocidade constante.
  • Você tem o hábito de beber café? Usar uma caneca lavável é uma alternativa ecológica aos copos plásticos ou de isopor não-biodegradáveis.
  • Deixe um copo de vidro e uma garrafa reutilizável no local de trabalho para diminuir a quantidade de copos plásticos ou de garrafinhas de água. 80% de garrafas de plástico são recicláveis, mas apenas 20% são efetivamente recicladas.
  • Quando precisar de folhas para rascunho, use o verso daqueles documentos antigos que você não precisará mais.
  • Se não existir um sistema de reciclagem no escritório, inicie um! Reciclagem de lixo contribui efetivamente para a redução de emissões de carbono. E estima-se que 75% do que é jogado no lixo pode ser reciclado, embora atualmente a reciclagem seja de apenas 25%.
  • Quando for imprimir, imprima frente e verso.
  • A maioria dos acessórios de computadores como cartuchos de tinta, CDs e DVDs são feitos de materiais que poderiam ser reutilizados. Os cabos e alto-falantes são bastante padronizados, o que significa que eles podem ser reutilizados em vários modelos de computadores.
  • Reduza as emissões de carbono do seu escritório, configurando computadores, monitores, impressoras, copiadoras, alto-falantes e outros equipamentos no seu modo econômico e desligando-os ao final do dia.
  • Desligue todas as luzes desnecessárias, especialmente nos escritórios e salas de conferência, banheiros e áreas que não estão sendo utilizadas.
  • Se você está em busca de algo para personalizar o seu escritório, escolha plantas de interior. Essas plantas são boas para o ambiente, pois removem poluentes presentes no ar.
  • Nos dias de calor, experimente abrir as janelas e usar roupas leves ao invés de ligar o ar-condicionado.
  • Não coloque lâmpadas ou televisores perto do seu ar-condicionado, uma vez que este irá identificar o calor proveniente desses aparelhos e, por isso, trabalhará mais tempo que necessário.
  • Quando cozinhar, faça com que o tamanho da panela corresponda ao tamanho da boca do fogão, assim reduzirá o gasto energético.
  • Doe o que não quiser ou não precisar mais, ao invés de jogar fora.
  • Recicle, Reduza e Reutilize. 
  • E plante uma árvore!

Paulo Mendes Campos e o Folclore de Deus


Há amigos meus que me fazem elogios por minha forma de escrever. Me perguntou uma amiga, por esse dias, comentando as Memórias, como eu conseguia escrever do jeito que o faço, Qual seria o segredo por detrás da escrita enfática e emotiva que desenvolvo?Responderia, agora, de uma só vez: é tudo por culpa de Fenando Mendes Campos!! Ele é o escritor de crônicas que mais impressionou meu filme da mente.

Eles escrevia com a alma sim, sem os dedos. Bastava que seus olhos da mente focalizassem uma lembrança sua, ou qualquer idéia distante, fosse qual fosse, e o papel pegava fogo. Ele me encantava e me apaixonava, e muito mais agora, pelo jeito meio indefinido de pesar o que ele compunha. Conseguia impor uma tal dramaticidade mista de humor e poesia, e isso deixava tudo mais leve. Foi aí que eu comecei a entender o que minhas professoras de Português diziam ser a tal Prosa Poética, a alquimia última de um grande escritor, pelo menos na minha percepção.

***

Vou reproduzir aqui uma de suas crônicas, a que eu mais amo, absolutamente poética, filosófica e vital:

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Folclore de Deus

Para Deus, tudo dos homens é o mesmo folclore: o cego Deraldo e Goethe, o inventor da roda e Einstein, Vitalino, de Caruaru, e Rodin, a Saudade de Ouro Preto e a Heróica; Lampião e Napoleão são rimas aos ouvidos de Deus.

O sabugo de milho vira foguete nas mãos do menino, mas o foguete vira sabugo nas mãos transespaciais de Deus.

Para Deus, tudo dos homens é a mesma simplicidade: Paulo corre atrás da bola; Eva Curie viu a ave; vovô Freud viu o ovo. 

Deus acha graça em todos os elementos.Há doenças dispendiosas que se tratam anos a fio em hospitais suntuosos; há homens fortes que (só) carregam nos estádios o secreto câncer de viver; mas para Deus todas as doenças são dores de cabeça.

Para Deus, todos os homens são pobres: mendigos das esquinas de Wall Street, indigentes dos cartéis de aço, flagelados dos subterrâneos petrolíferos; mas Deus prefere os pobres sinceros, e os faz invisíveis.

Deus é o único hipnotizador: crescei e multiplicai-vos. E os homens inventam passagens sobre e sob o rio, semânticas, paixões assassinas; de mãos cruzadas e olhos estarrecidos, a gente acorda.

Deus é a moeda clandestina em um país estrangeiro: pobres de nós se confundimos a sua efígie de ouro de lei com o perfil niquelado de César.

Para Deus, todos nós somos loucos metidos em camisas de onze varas: sobre os ombros do paciente ele corteja os graus da certeza neurótica do analista.

O que seguras em tua mão é aquilo que te prende; o que possuis é aquilo que te priva; mas Deus diz: bebe a água sem bebê-la; anda por toda a parte sem ir a parte alguma.

Na semente, Deus é a árvore; na árvore, Deus é a semente.Onde a palavra começa, a palavra acaba, e aí está Deus.

Para Deus, todos os homens levam nos bolsos objetos escondidos: selos antigos, uma esfera de aço, um anzol enferrujado, um canivete sem folha; por isso é preciso, de pena de nós mesmos, fazer força para não chorar. Pois todo menino enterra seu tesouro.

Deus é a luz, e assim a energia é a matéria multiplicada pelo quadrado da velocidade de Deus.

Deus dá nozes a quem tem dentes: ao funâmbulo estende as cordas; o sofrimento, Deus dá a quem tem alma; a alegria, essa Deus a reservou a quem não tem nada.

Deus é o grande madrugador: ele estava de pé entre folhagens portentosas na aurora do mundo; e ele andava em ti enquanto dormias.

Mas Deus é também o grande boêmio: ele passou por tua noite quando bebias teu penúltimo copo de vinho; talvez não o viste, mas todos os teus sentidos se alertaram, e bebeste um gole inquieto e enxugaste os teus lábios com o dorso da mão e sentiste saudade de tua casa.

Deus é a chave de ouro do poema; mas as outras 13 chaves pendem de teu chaveiro; e os metais de tuas chaves abrem aposentos de frustração, onde não te encontras.

Deus é o guardião, a zaga, o meio apoiador, o ponta-de-lança e o entendimento misterioso entre as linhas; o ferrolho não prevalecerá contra ele; por isso as multidões vibram com seu virtuosismo.

Para ele, o homem primitivo será o último homem, e o primeiro homem foi o único sábio. 

Sendo o centro do círculo, todos os pontos que formam o tempo são equidistantes de Deus.



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OS OITO “ESSES” ENTRE O SINTOMA E A SAÚDE



Refletindo sobre a tensão dinâmica existente entre a saúde e os sintomas de adoecimento, que podem aparecer tanto no corpo – também chamado de soma – quanto na psique e todo seu entorno profissional, familiar, social, emocional e espiritual, percebe-se a existência de oito palavras iniciadas com “s” exercendo influencia significativa na qualidade de vida de todo ser humano. Essas palavras não têm ordem de prioridade e, na realidade, são implicativas entre si e no todo, são elas: sono; sexo; sabor; serenidade; sinceridade; sentido; significado; e sacralidade; todas muito importantes na manutenção harmoniosa da saúde biopsicosocial e espiritual dos seres humanos.


Antes de comentar cada uma dessas oito palavras, ampliarei sobre a dualidade conceitual e dinâmica entre a saúde e os sintomas de adoecimento. Saúde tem haver com o conceito de cura ou inteireza e integridade, condição em que o indivíduo atingiu sua melhor consistência e consciência sobre si mesmo e da importância das oito palavras iniciadas com “s”, com isso, abundância, prosperidade, riqueza, afluência e felicidade, se tornarão sentimentos presentes ao longo da vida. Opostamente, sintoma, conceito que representa a idéia de coisas que caíram possibilitando a retomada de consciência, – do grego é a junção de sýn + ptôsis = coisas em queda – aponta para a falta de cuidado e atenção para uma ou mais dessas palavras iniciadas com “s”, abaixo comentadas:

·     Sono é necessário para o equilíbrio biológico e psicológico, mas precisa acontecer de maneira consciente e respeitosa. Um indivíduo que carrega sentimentos de medo, culpa, raiva, ódio ou arrependimento não conseguirá desfrutar totalmente dos benefícios do sono e ficará suscetível a todo tipo de sintomas de adoecimento. Ou seja, quem não tiver uma vida vígil íntegra e ética, mesmo sem ter insônia ou tomando soníferos para dormir não terá um sono revigorante e biopsiquicamente pleno.

·       Sexo é o encontro prazeroso e harmonioso da união com o contra ponto sexual intrapsíquico presente em todo ser humano, que geralmente é projetado nas relações extrapsíquicas. As relações sexuais deveriam ser comemorações conscientes e festivas da convivência amorosa, equivalente à integração consciente da anima ou do animus, proposta pelo psicanalista C. G. Jung. Com isso, as projeções cessarão e as relações humanas poderão ser mais reais e menos idealizadas.

· Sabor é a capacidade para a experimentação consciente de toda diversidade que vai sendo manifestada ao longo da existência humana. Quem saboreia os vários aspectos da vida amplia a consciência do presente e a percepção de que passado e futuro são ilusões que podem tirar o brilho do aqui e agora. Porque diversão e entretenimento é a capacidade de estar entre o diverso, sem medo e sem pré-juízos.

· Serenidade é a capacidade de apreciar a vida de forma calma e tranqüila, interferindo, aceitando e distinguindo entre o que pode ser mudado do que não pode. Porém, para isso é necessário o respeito – em latim, respicere, que significa ao mesmo tempo: “olhar para, se olhar e se deixar olhado” – que é a capacidade de se aceitar e aceitar a singularidade humana. De ver e se deixar ser visto por inteiro.

·      Sinceridade, palavra que vem do latim “sem cera”. Na Grécia antiga as colunas de mármore, para ficarem belas, eram completadas com cera e pó de mármore, escondendo toda imperfeição. As belas colunas com cera enganavam os arquitetos, muitas vezes não suportando o peso que lhes fora destinado. A partir daí os construtores solicitavam colunas sinceras – sine cera. Abrir mão da cera, do verniz das aparências ou da persona significa poder encarar a sombra, ou seja, os aspectos indesejados e mal resolvidos de nós mesmos.

·      Sentido é a meta existencial. É impossível que nossa condição única, criativa e complexa seja destinada apenas para garantir os mecanismos de bio-sobrevivência. Por isso, pecado – do grego hamartia – representa a perda do alvo que é a experiência de totalidade.

·      Significado equivale ao processo de auto-realização da própria existência. Quem não consegue conferir significado a sua própria vida e a de seus semelhantes, além de ser extremamente infeliz é quase incapaz de viver. Para mim, o maior significado da existência é o de servir e amar o amor, sempre em rumo da evolução que é a reunião do todo. Só assim os sentimentos de insegurança começam a cessar, pois o daimon, que é o gênio vocacional ou o chamado e a finalidade existencial que existe na essência de cada ser humano, trará significado e coragem.

·      Sacralidade que é a manifestação de toda dimensão e experiência espiritual unitiva, onde sentimentos numinosos irão conferir relatividade à noção de tempo e espaço, despertando para a fé e a religiosidade, independentes de qualquer denominação religiosa.

Então, essas oito palavras são o caminho para que possamos viver uma vida saudável e feliz, distanciando do sintoma em direção à saúde, mais duas palavras iniciadas com “esse” que somados as oito, perfazem a totalidade de dez que, numerologicamente, representa a unidade!



WALDEMAR MAGALDI FILHO (wmagaldi@gmail.com) é psicólogo, especialista em Psicologia Junguiana, Psicossomática e Homeopatia. Autor do livro: “DINHEIRO, SAÚDE E SAGRADO – interfaces culturais, econômicas e religiosas à luz da psicologia analítica”. Mestre e doutor em Ciências da Religião, que atuou tanto no meio corporativo de empresas multinacionais quanto no comércio varejista. Atualmente, atende clientes em seu consultório, apresenta palestras em empresas, coordena e ministra aulas nos cursos de Psicologia Junguiana; Psicossomática e Dependências, Abusos e compulsões da FACIS – Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo.