Por Joicinha






Ciúme é uma palavra que vem do latim zelemum e do grego zelós. Uma reação ao risco de algum tipo de perda, voltado para o outro. É um querer bem, mais para o outro, desviando sua atenção, para o que anda acontecendo internamente.


Freud entende o ciúme como parte da natureza humana e que se instala na infância, como ponto central o complexo de Édipo, ou seja, o ciúme que a criança sente do pai que ama. Já para outros autores o ciúme seria o medo disfarçado em amor, ou fruto de relações narcisistas na infância.


Nesse vídeo do Tears For Fears, podemos observar o quanto a mulher anula o seu posicionamento, e acaba vivendo aprisionada pelos desejos do parceiro.


Quantos de nós não passamos por uma situação parecida?Onde o outro tem total autoridade sobre nossos atos. Quantos ainda vivem acorrentados e não sabem, que é bem pior. Grande parcela da humanidade vive acorrentada, entre seus desejos, emoções e impulsos. 


Entendemos que o homem tem seu instinto, e que ele fala mais em alguns momentos, mas por outro lado existe a questão além do ciúme, que conhecemos como “possessão”.Que nada mais é que a ansiedade ao extremo.


Uma frustração amorosa, convivência familiar desestruturada, escola ou ambiente de trabalho nocivo ou ameaçador, podem causar um acúmulo de ansiedade, ou a pessoa pode ficar de tal maneira comprometida emocionalmente, que tentar buscar uma saída para fugir desta realidade. 


A obsessão associa-se a um desejo intenso e a uma necessidade de preenchimento desta privação.


Essa obsessão pode levar o outro a um mecanismo de estratégias para seduzir, levando a atração fatal, que busca a possessão como forma de incluir o outro em sua própria vida, tentando o máximo de controle, pois a falta deste irá provocar intensa dor e isso é o que ele vive fugindo.


Fortes emoções acontecem à vida de uma pessoa obsessiva, ela acaba tornando-se atormentada psiquicamente e interpessoal. Podem  também ocasionar manifestações de ciúmes patológicos,onde as conexões entre fantasias e realidades se perdem facilitando episódios psicóticos onde a ação  torna-se real.

A pessoa propensa a um amor obsessivo tem dificuldades com relacionamentos saudáveis, liga-se facilmente a relações amorosas repletas de briga, desconfiança e ciúmes com desfecho que todos nós conhecemos que é a violência bruta.



Grande parte também se torna atraída por essas relações fixando-se em parceiros problemáticos e indisponíveis, parceiros emocionalmente inacessíveis, muitos dos quais não se sentem da  mesma maneira por ele ou ela.


Esta luta entre parceiros é um desvio onde as pessoas obsessivas não querem observar e sentir seu próprio desafeto e seu próprio terror, pois sentem que a relação com o outro é muito dolorosa e ao mesmo tempo o contato é muito assustador, pois para eles, isso vai acabar novamente em dor e separação. 


O obsessivo quando se sente acuado em suas próprias estratégias, percebe-se perdendo o controle, passa a ter medo das conseqüências e percebe que suas vias de evacuação estão cortadas.


Uma vez que não é possível fugir, o único meio disponível para escapar é o recuo no mundo irreal de fantasias e obsessões, pois percebe que seu mundo está em constante tensão, um inferno sem alívio ou fuga física, onde a fantasia, muitas vezes trágicas, se torna a única opção. O transtorno obsessivo compulsivo é um distúrbio debilitante e destrutivo.


Este sentimento é deveras democrático, pois qualquer pessoa, independente de raça, sexo, etnia ou classe social, está sujeito a ele. Ele só desaparecerá quando o Homem aprender realmente a amar, o que implica aprender que ninguém é dono de ninguém, pois o outro é livre, e assim somente os laços do amor podem mantê-lo ao nosso lado.


Portanto, apenas ao curar as dores da alma, entre elas o medo, a falta de confiança em si mesmo e no outro, a insegurança, entre outras, é que este monstro devorador das relações afetivas será vencido.

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