As Egrégoras e seu poder sobre a sociedade


Por Ebrael Shaddai.
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Começo do século XX. Década de 1920. A Alemanha está destroçada e falida. Os altos tributos de guerra, impostos pelos vencedores da 1ª Guerra Mundial, fazem o povo alemão entrar em uma histeria coletiva. As pessoas estão desesperadas. Milhões de vidas se perderam, e por nada. O orgulho nacional, impregnado na alma popular desde os tempos do glorioso Sacro Império Romano-Germânico, se espatifou sob os coturnos dos Aliados. A neurose e o desespero, causados pela fome e a humilhação frente ao mundo, são a tônica dos sentimentos populares. Bastou que alguém reverberasse as palavras que todos queriam ouvir de um líder, e já ouviam em seus corações, para que a Egrégora Nazista viesse ao poder.

EGRÉGORA — a palavra provém do grego egrégoroi e designa a força gerada pelo somatório de energias físicas, emocionais e mentais de duas ou mais pessoas, quando se reúnem com qualquer finalidade.

Duas pessoas estão assistindo a uma partida de futebol pela televisão. Torcem pelo mesmo time em campo. Elas juntam seus pensamentos, e mesmo que seu time esteja perdendo, sua união de pensamentos as fazem, cada uma, sentirem-se mais fortes e seguras. Sentem que, assim, conseguem ajudar melhor seu time. Esse é um exemplo típico de egrégora. Se, no entanto, aparecer alguém, que torce por outro time rival, que não em campo, e venha para desacreditar o time daqueles dois, ele é rapidamente repelido por aqueles, pois destoa de seus pensamentos. Pode ser a mãe de um deles, mas ela será repelida como se fosse uma inimiga.
É o poder da egrégora, alimentada pelas emoções das pessoas que a criaram, de fundo instintivo e corporativista, que faz com que aqueles pensamentos se sobreponham a qualquer resquício de bom senso. Quem consegue fazer as emoções das massas se manifestarem, e fluírem em certo padrão e direção  desejados, terá um poder inimaginável. Tal qual o poder que obteve Hitler sobre o povo alemão.
Quanto mais instintivas (fome, sede, desejo de vingança, derramamento de sangue, fervor religioso, etc.) forem as emoções despertadas, quanto maior o tempo de exposição da coletividade a essas emoções, mais pessoas se juntam (são incorporadas) a ela (a egrégora) e mais força ela terá. É uma reação em cadeia, tal qual uma bomba atômica mental, varrendo para bem longe qualquer traço de intuição e Razão das pessoas envolvidas.
Nesse caso, sem saber disso (talvez o soubessem, mas não creio), os americanos resolveram que somente algo tão radical, como a extinção de milhares de vidas humanas, instantaneamente, poderia sobrepujar e contra-impactar o poder daquela egrégora. Somente uma imagem tão aterradora, de cozimento de vidas humanas de sua composição, poderia parar a fome de sangue da Egrégora. Então, a Egrégora perdendo força, começou a desintegrar quando cada componente, sem mais pensar no orgulho coletivo, começou a dar mais importância à sua própria sobrevivência. E o instito de sobreviência é muito mais forte do que o desejo de vingança, pois está na raiz da própria vida do ser humano.
Nada pararia a Egrégora Nazista, que já estava fora de controle, e tinha se tornado um Ser (entidade viva, ainda que artificialmente criada, também chamada de mente-grupo ou formas-pensamento) à parte, independente, e que tinha força astral suficiente para controlar todos os movimentos de seus componentes. Dizia-se, inclusive, que a voz que ditara o livro Mein Kampf, escrito por Hitler na prisão enquanto ouvia a ópera Parsifal (de Wagner), era a voz do inconsciente coletivo dos sofredores amargurados do povo alemão, que já haveria constituído uma Egrégora, e manipulada por seres malignos das Trevas Interiores, conhecidos no Ocultismo e Thelema por Magos Negros. E os líderes maçons dos Aliados sabiam bem disso…
Outro caso em que considero que houve tão-somente a manifestação de uma Egrégora poderosa foi a aparição de Nossa Senhora de Fátima, em Portugal. No dia 13 de Maio de 1917, três crianças (Lúcia de Jesus dos Santos, de10 anos, Francisco Marto, de 9 anos, e Jacinta Marto, de7 anos) afirmaram ter visto “…uma senhora mais branca que o Sol” sobre uma azinheira de um metro ou pouco mais de altura, quando apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, freguesia de Aljustrel, pertencente ao concelho de Vila Nova de Ourém, Portugal. Lúcia via, ouvia e falava com a aparição, Jacinta via e ouvia e Francisco apenas via, mas não a ouvia. As aparições repetiram-se nos cinco meses seguintes e seriam portadoras de uma mensagem ao mundo. A 13 de Outubro de 1917 a aparição disse-lhes ser a Nossa Senhora do Rosário.
Certa vez, quando as crianças anunciaram que Nossa Senhora apareceria em tal data e horário, jornalistas do mundo inteiro se acotovelavam em um descampado para acompanhar o que seria um evento extraordinário. E deu-se a visão de uma figura gloriosa, constando das características descritas pelas crianças acerca da “bonita senhora”. Todos ficaram extasiados com a visão, e cheios de emoção e sem saber, multiplicaram os efeitos visuais provocados pela Egrégora (diga-se, pela força das crenças instintivas e religiosas dos que já a alimentavam). Disseram que viram o Sol dando voltas no céu e como que dançando, assim como mudando de cores. Claro que isso não aconteceu realmente, nem o Sol ficou a dançar como um marionetes às vistas de todos, como num tal espetáculo. Foram apenas efeitos visuais e hipnóticos de uma multidão em transe coletivo. Mas foi de tal intensidade (e se fossem aproximados, palpáveis) que fotógrafos daquela época, presente ao evento, registraram em imagens os fenômenos. E por isso a aparição lhes pedia mais e mais rezas de terços todos os dias: para que fosse continuamente realimentada, num afã de aumentar o orgulho de um dogma falso.
Esse último fato está ilustrado nesse vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=K36yrKz7xfc .
As Egrégoras não são essencialmente maléficas. Mas sua força é poderosa e inimaginável, com um poder de maniestação e multiplicação de efeitos surpreendente e fantástico. O que há de ruim, em todos os casos, em se estar imerso em uma Egrégora, em uma comoção coletiva, é que muitas pessoas não suportam o impacto do espelho mágico da ilusão cair por terra, despedaçando-se em milhares de estilhaços. Essas ilusões em pedaços, como cacos de vidro, ferem e gangrenam a alma dos empedernidos e dos desiludidos. Quando a Egrégora vem abaixo, e todos se vêem sozinhos, então se perguntam como puderam fazer isso ou crer naquilo. Por isso, o meu temor de que segredos escondidos acerca da vida de Cristo, que possam vir a ser revelados, provoquem, numa reação em cadeia, eventos nefastos em coletividades com muito fervor religioso e, individualmente, na saúde mental de pessoas sensíveis.
Não nego que existam também as Egrégoras benéficas, que são a união de pessoas em pensamentos positivos e de Amor fraternal, não motivadas e alimentadas por crenças pessoais, mas pelo desejo de ajudar desinteressada e incondicionalmente as pessoas necessitadas de auxílio e amparo, de ver o Mundo em Paz e Harmonia. Não devo desejar ao Mundo a minha Paz, mas somente a Paz, pura e simples!!
Paz Profunda a todos de boa vontade!!
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Fontes:

Dona Ludmila e o Sapo


Morar em morros não significa (ou, pelo menos, não significava até tempos atrás) viver sempre cercado de temores de fuzis ou traficantes cruéis. Eu tive essa experiência na pele, literalmente, ao sentir o calor humano e a solidariedade das pessoas nessas comunidades. Na pele sim, pele bronzeada pelo sol escaldante a escalar as escadarias que lembram muito as do Bonfim.

No morro encontramos gente de todos os tipos, de todas as nuances: gente de classe média ou carente, universitários ou que assinam com o polegar no carimbo, católicos, espíritas e crentes. Esbarramos em pessoas subindo com sacolas de supermercado, televisões de plasma ou sacos de cimento nas costas, trabalhando para os que constroem suas casas e ganhando uns trocados. Na minha época de trevas, em que não havia “acordado para a vida”, como dizia uma pomba-gira que muito me ajudou, eu carreguei cimento morro acima, sacos de areia e brita graúda. Trevas, mas também tempos em que aprendi a olhar mais fundo nos olhos das pessoas e participar de seus sofrimentos, que então também eram meus.

Estamos nos idos de 1997, num morro da periferia de Florianópolis. Dentre aquelas figuras pitorescas, encontrei, como já previra antes de ir morar lá, uma senhora tão polêmica quanto popular. Era dona Ludmila. Ela era o tipo de pessoa que você ou a ama ou a odeia. Em última análise, ou a admira ou dela sente pena, ou pelo fervor de crente “zelosa” ou por seu caráter irascível.

Ela, cedo pela manhã, já era vista descendo pelas escadas rezando alto e solitária, aos olhos já acostumados dos moradores. Era o “despertador” coletivo”: se o galo, em dia de chuva, ficasse “gripado”, lá estaria ela, com seu vozeirão imprudente, já que sofria de uma asma quase irritante. Descendente de poloneses, forte e temível, ia pelo caminho, em acessos esporádicos de fúria “santa”, chutando as imagens de santos nas grutas, derrubando e quebrando oferendas às entidades dos “macumbeiros”. Mesmo sendo avessa à televisão, adotara o “mármore do inferno” como bordão, e achava que era um dizer comum dos “crentes”.

Mesmo despejando sua ira contra tudo que considerasse idolatria, não acreditava que macumba “pegasse” nela. “A macumba é a própria mentira do diabo, querendo assustar os crentes do Senhor!! Como o diabo não pode contra a gente da Igreja, ele inventa essas baboseiras”. Quando perguntada porque perdia tempo em chutar a mentira, ela respondia que a macumba era mentira, mas que seu sapato era de verdade. Sempre em vestidos longos, no estilo mais antigo das anáguas pretas, ela não suava nunca. Era incrível ver como ela vestia aquele blazer azul-claro no verão, sem nem precisar de um lenço sequer para lhe enxugar o rosto.

Certo dia, jogaram um sapo morto com a boca costurada, dentro de seu quintal. O mundo parecia que ia desabar. Configurou-se o próprio mini-apocalipse daquele morro. Ouviu-se um rugido pavoroso naquela manhã de sábado:

– Quem foi o istepô, o lazarento que colocou esse feitiço na minha terrinha?? O inferno te espera, lazarento!! Querem me derrubar e trazer doença pra minhas crias!!

Nessas horas, acho que ela esquecia completamente que era crente, de tantos impropérios que ela arremetia aos quatro ventos. Eu dizia comigo que ela agora iria acusar… quem mesmo??

– Agora que sei!! Só pode ter sido aquela sirigaita da Babilônia, aquela “zinha” da Marlene!! Tá querendo roubar meu filho da mãe dele!! Quer destruir a família dos outros, a perdida!! Mas aquela rameira há de acordar amanhã com o bucho inchado, e o amante dela com o “bigo” bichado!! Ah, se vai!! E ainda mata um pobre bichinho pra matar para o “demo”…

Marlene era a namoradinha de 17 anos de Isaías, o caçula, que ainda morava com dona Ludmila. Depois de passar aquele dia inteiro investigando, entrando e invadindo a casa de todo mundo para maldizer a Marlene e a família da “perdida”, sua asma começou a arrefecer, depois que lembrara que não portava a “bombinha”. Voltou para casa, subindo o morro com dificuldades, não admitindo a ajuda de profanos. Quando chegou, finalmente, à sua casa, escutou ruídos no quintal. Foi ver. Encontrou dois meninos abrindo a boca do sapo, que ela deixou a secar ao sol, encima do tanque de roupas. Ela quase teve uma síncope.

– Menino, não toca nesse bicho!! Esse bicho já é do “demo”!!

O menino respondeu:

– Dona Mila, olha o que escrito no papel enrolado no saquinho!! O saquinho, na língua do sapo!!

Era o nome de Marlene!! Surpreendentemente, dona Ludmila senta-se na soleira da porta da cozinha e respira fundo. Nessa hora, não lembrava-se mais da crise de asma. Depois de alguns minutos sem falar palavra, responde aos meninos enfim:

– Bem, pelo menos o sapinho morreu por uma boa causa!!

Dona Ludmila não tinha jeito. Inimigo seu era inimigo de Deus, nem que o diabo lhe servisse de ajudante. Afinal, se não pode vencer o Inimigo, alie-se a ele!!

Jeremias não morreu!


Jeremias não morreu. Como dizia minha avó, ele deitou, mas não fez a cama. Casou-se cedo. Separou-se tão rapido como se casou. Envolveu-se de novo com mulher, ainda mais rapidamente. Jeremias não queria morrer, pois morrer, para ele, significava acreditar no que diziam os padres: morrer é não ter consciência. Ele queria mais: ele desejava não estar entre os vivos e ter consciência disso, de que se livrou do fardo de estar vivo.

Jeremias cursou Arquitetura. Desenhou prédios, um museu e planejou o interior misterioso dos antros do Forum. Mas não se contentou com tão pouco em alma, em meio a tanto concreto. Lembrava-se de sua mãe ridicularizando seu pai, ao contar que ele, ao cortejá-la, falava que iria alcançar as estrelas por ela. Quando criança, ele queria ser astronauta, mas ele temia morrer dormindo ao atravessar de volta a atmosfera. Ele queria ter a consciência de tudo. Quando Jeremias estava já com sua quarta mulher, ao saber que ela traía-o com o entregador de jornais (enquanto ele a traía com o projeto da sede do Jornal), ele desistiu de estar fixo na vida.

Jeremias esteve hospedado, para o espanto de todos, na garagem do fórum que ele mesmo idealizou. Foi removido para um albergue. Quiseram mantê-lo lá, mas ele fugiu. Ele vivia fugindo. Ele fugia da vida e da morte. Quando ele passava na frente da igreja matriz de sua cidade, ele virava as costas para as  beatas. Quando alguém lhe falava sobre o diabo,  ele começava a atirar pedras a esmo. Ele tinha tornado-se um andarilho, rejeitado, não pelo mundo, mas por si mesmo. Ele próprio se deserdara. A vida, de madrasta maledicente, passou a ser-lhe operadora de cobrança.

Jeremias vivia pelas escadarias, louco de pedra, a reverberar contra as imundícies que não havia visto ainda nas pessoas. Ele dizia que era justamente por isso que não ousava passar defronte a vidros ou espelhos, com medo de constatar ter-se tornado pior que aquelas. Suas únicas companheiras inseparáveis eram as pombas, com os olhos cinzentos ou negros, como a lhes confidenciar segredos, auferidos do alto das igrejas.

Certa vez, ele já andava em trapos esfarrapados, quando uma beata, ao sair da igreja,  interpelou-o:
– Meu filho, diga-me, o que aconteceu para você descer a esse nível?? O que seus pais devem estar achando disso no Céu??
Ao que ele respondeu, entre dentes careados:
– Já levantou da tumba e esqueceu de trocar a mortalha, velha??

Jeremias era motivo de chacota para uns adolescentes desocupados e de pena para outros. Mas aqueles não percebiam que invejavam o dinheiro que Jeremias deteve e a irregularidade das suas noites, tudo mesmo que desejavam. As pessoas que sentiam pena dele simplesmente temiam o seu mesmo destino, ou pior, o inferno que acreditavam ter para si ou para os seus, reservado há muitas eternidades.


A mais louca sina teve o arquiteto, tão querido na cidade, depois do mais cobiçado sucesso. Mas bastaria um tropeço qualquer para que ele fosse noticiado ainda com mais entusiasmo. Pois, a língua doce agrada ao paladar e salta aos olhos, mas é a acidez que atiça o apetite das massas. No meio da revolta, o movimento rotatório de sua alma conturbada de dores o arremessou no redemoinho da vida sem rumo. Em tal vida, Jeremias descobriu a liberdade das múltiplas visões que ele poderia ter, assistindo tudo de diferentes ângulos, dormindo debaixo de várias pontes. A ausência de posses o fez perceber que ele se degeneraria mais rápido, mas também que tudo o que lhe dera prazer ilusório também o faria desiludir mais tarde. Desiludiu-se cedo demais!! Por isso, ele estava ali, dentro de uma tumba no mundo, com gente lamentando seu deambular asqueroso e seus mulambos catinguentos.

Mas é o que fazem com seus mortos, não é mesmo?? – perguntou-se. A diferença é que mortos já não tem olhos para verem suas mulheres lhes sorvendo a fortuna com esbórnias, nem seus filhos crescendo sem direção. Mortos não sentem o vento no rosto, quando todos os esqueceram há muito, e quando até os deveres e os impostos não mais lhes importunam. Espantalhos de si mesmos é o que são esses mortos-vivos, fugindo do espelho como se tivessem realmente alguma esperança que os anos não tivessem passado.

Lá está Jeremias, olhando para a poça d’água. Chuva de verão  açoita seu lombo. Olha para a poça como Narciso para o Lago. Se apaixonou por sua Liberdade, não como para uma rota de colisão entre astros, mas como a única forma de sair do olho do furacão, e vislumbrar a vida fora dos sofrimentos “normais” e pesados. O sofrimento agora era leve. Deixou as roupas caras como um espírito que descansa do corpo que não mais anima.

No dia em que o último suspiro de amor se foi com a última lágrima derramada, ele secou de sua fonte de angústias. Ele soltou a corda que o mantinha atado à sua morte, vivida em meio a ilusões. Ele disse para si que estava morto para essa vida. Mas qual a vida que não morre a cada adormecer?? Qual vida não morre em cada ar que se expira??

Qual não é a vida tal um recomeço em cada minuto em que o sol se apronta para nascer?? A chuva cessou. Jeremias parou de pensar. Ele estava cansado, e adormeceu na poça d’água. Jeremias achava que estava, enfim, morrendo de verdade. Mas era somente mais um final de tarde.

Jeremias não morreu, embora, ainda que queira, ele não tenha consciência disso.

Ano Novo, Dia Novo!!


Nesse reveillon, passado à beira da praia, na Avenida Atlântica, em Balneário Camboriú, SC, me lembrei de umas conversas que tive com amigos ao decorrer desse ano. Hora da virada de ano é sempre hora de reflexões, gravidade de pensamentos, alegria e entusiasmo em prometermos coisas a nós mesmos. E em meio a essas reflexões, me recordei de algumas relativas justamente à passagem de ano.

Eu sempre, para fazer minhas análises de assuntos complexos, recorri a um artifício dos antigos gregos: a analogia. A analogia utiliza de comparações entre detalhes de coisas diminutas e corriqueiras de nossas vidas e do que temos ao nosso redor para tentar explicar coisas sobre as quais pouco ou nenhuma percepção temos, coisas grandes, distantes, abstratas e quase imponderáveis à nossa compreensão.

Com relação à contagem de tempo, verificamos que todos os indicadores de tempo são divisíveis por seis. Então, com essa relação à frente, me perguntava: por que não poderia eu relacionar um ciclo de um dia com um de um ano??

O dia tem quatro períodos, manhã, tarde, noite e madrugada. O ano tem a primavera, verão, outono e inverno.

O dia nasce e começamos um novo período de trabalho, pela manhã. À tarde, geralmente temos um período mais árduo de atividades. À noite, chegamos em casa e avaliamos já o que teremos de descansar para o próximo dia. Pela madrugada, descansamos, hibernamos em nossos cobertores, esperando um novo ciclo de vida nascer. O mesmo ocorre com a Natureza, respectivamente, durante a primavera, verão, outono e inverno.

A cada virada de ano, para o Ano Novo fazemos promessas, nos reconciliamos (às vezes, só aparentemente) conosco mesmos e com os outros, enfim, festejamos. Mas, se olharmos para os nossos dias, será que fazemos o mesmo?? Ou será que não fazemos tudo sempre igual?? A soma dos dias em fazermos as coisas melhores que nos dias anteriores nos dirá se realmente estamos vivendo anos melhores que os que passaram. Como podemos dizer que temos anos novos, se nossos dias, em seu somatório, estiverem sendo os mesmos de antes, se não estivermos tendo dias novos??

Se nossos dias estiverem sendo iguais sempre, sem novidade, sem melhoras efetivas, sem esforços valentes, então estaremos deixando passar as horas de nossa vida (as horas grandes, ou seja, os anos) sem novidade, sem renovação.

Pessoas assim, e eu poderia algumas vezes me incluir entre elas, vivem suas horas-grandes (anos) da mesma forma, apenas por viver. Façamos de cada dia um dia novo, e estaremos fazendo de cada ano, um ano novo, de verdade!!

Lembremos: 60 segundos, 60 minutos, 24 horas, 30 dias, 12 meses. Um ano é igual a 365 anos pequenos.

Feliz Dia Novo, Feliz Ano Novo!!

Bom Dia, Bom Ano também!!