Relógio de Lilian


Essa poesia escrevi a uma Amiga muito especial, que já mora em meu Coração:

O Tempo Luminoso

Tempo, meio-Tempo:

Vida não é sofrimento;

É sim, contentamento.


Tempo, pouco Tempo:

Um ano é apenas um Dia

Nas mãos de Quem cria.


Tempo, todo Tempo:

Vida é Amor de Deus

Que sempre inicia

Não acaba,

num  Ano, Num Dia…


Adoração sem sacrifícios, Amor sem cálculos


Texto inspirado no artigo Sete Tolices do Mundo (por Mahatma Gandhi), in O que é isso?

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Indolor deve ser a renúncia. É o que pensa todo ser humano. Ninguém se interessa por um “sacrifício” que venha a tolher suas conveniências pessoais. Poucos indivíduos ainda cogitam a possibilidade de se internar num claustro, sem sua carteira, sem ventilador, com peças de roupas que lhe sufoquem no verão ou que não lhe protejam do frio no inverno. Poucos ainda supõem deixar de lado seu egoísmo, sua vaidade, para adorar a um Deus que se manifeste no rosto coletivo, e não apenas aos seus próprios, diante do espelho.

Vejo que, hoje em dia, prestamos mais atenção às coisas subjetivas, impessoais, que as pessoas fazem do que nas próprias pessoas. Nos fixamos em cada ato que elas manifestam, em cada erro do irmão, em cada deslize do vizinho, em cada gafe do Presidente, enfim, em todas as imperfeições do que, propriamente, se fitar nos rostos, nos olhares, e toda flor de sentimentos que, por ai, podem ser expressos.

Por não prestarmos mais atenção às pessoas, fechamos nossos olhos. Ao menos, os desviamos  pra coisas menos luminosas. Nos trancamos em nós mesmos. As mesmas pessoas, não vendo reação por seus sorrisos, numa falta total de fé em si mesmas, ao não verem ecoados seus olhares, também baixam suas cabeças. Poucos olhares espontâneos prese nciamos atualmente, e os que flagramos, vez por outra, não demonstram mais compreensão, somente a mesquinharia dos que  se sentem pobres de  convívio, sentimentos, Amor e Realização.

Quando dizemos fazer algo em honra de Deus, de uma causa, de um ideal, nunca o realizamos para nós mesmos. Não adianta: digamos ser a Deus ou para que outros se apercebam, fazemos tudo ou para fazermos os outros felizes ou a nós mesmos, para nossa própria auto-satisfação. Não há o colocar-se no lugar do outro, no Tempo do outro; há o ser Herói, fazendo algo de grandioso e frutífero, ajudando o outro a salvar-se, e assim, adquirindo a esperança no próprio resgate, no próprio ressarcimento de seus esforços, para recuperar a identidade de si como estando em Todos. Afinal, pelo que dizem (e assim creio), Deus está  em Todos, todos d’Ele viemos e d’Ele fazemos parte…

Um dia, li em um livro, deveras famoso em nossos tempos, que:

O primeiro Caminho para chegar a Deus é a Oração; o segundo, a Alegria.

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Ora, toda oração é união com o Outro, é devoção ao Outro, é pedir pelo Outro, é compartilhar com o Outro. No rosto do Outro, feliz ou sofrido, encontramos o Sorriso de Deus. Olhar-se com olhar limpo, olhar o Outro com o Olhar da água, cristalino, também é uma Oração, é acercar-se de Deus no Outro. Olhemo-nos mais nos olhos!! Oremos!! O que mais nos revolta, por vezes, nas relações, é saber que nosso pior inimigo também é vindo do mesmo lugar, do Coração de Deus. Não é que nosso inimigo mereça nossa piedade ou intervenção, como algo imprescindível; nós é que, para nos considerarmos filhos de Deus, precisamos intervir por nossos iguais, olhar nos olhos do carrasco, lá no fundo, e o amar profundamente. Amar não é salvar somente o Outro; é salvar a nós mesmos, é como um náufrago achar uma tábua no meio do Oceano, é redimir toda a Humanidade num abraço interior. Se não somos todos irmãos, então somos todos órfãos, pois há um só Pai…

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O Amor é uma Ponte em mão-dupla entre os Corações.
O Amor é uma Ponte em mão-dupla entre os Corações.

A Alegria mais pura é aquela dada inadvertidamente, sem que possamos prever. Por isso, Jesus nos aconselhou que, quando alguém nos pedisse algo, que o déssemos sem pestanejar. Quando pensamos se vamos dar ou não, sempre avaliamos primeiro se nos vai faltar, se outros não quererão também, o que isso vai parecer, se há alguém olhando. Enfim, nosso egoísmo e nossa Razão irracional nos enchem de preocupações torturantes e nos tiram a alegria e a  surpresa que nos causam o sorriso gratuito de quem recebe algo de boa vontade. E essa Alegria só nos chega quando age o Coração. Esse é o dar sem querer receber; quando avaliamos algo, sempre fazemos alguma conta de Custo x Benefício. E Amor não se negocia, não se aposta, não se prevê, não se calcula.

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Como dizia Einstein, Deus não joga dados. Simplesmente, o Amor acontece. Esse é o Grande Milagre: o Amor acontecer à nossa revelia, a despeito de nossa mania de pretender controlar tudo, quando não conseguimos, sequer, evitar um mero resfriado!!

Ciúme, Espelho, Solidão e Amor Verdadeiro


CIÚME

Quando há atração sexual e o ciúme entra é porque não há amor. Há medo, porque o sexo é uma exploração. O medo se torna ciúme. Não se pode amar alguém não-livre, pois o amor só existe se dado livremente, quando não é exigido, forçado e tomado. Quanto mais controlamos, mais “matamos” o outro. As causas do ciúme estão dentro de nós; fora estão só as desculpas. O amor não pode ser ciumento. Ele é sempre confiante. Confiança não pode ser forçada. Se ela existir, segue-se por ela. Senão, é melhor separar, para evitar danos e destruição e poder amar outra pessoa. Quando amamos alguém, confiamos que não quererá outro. Se quiser, não há amor e nada pode ser feito. Só através do outro tornamo-nos conscientes de nosso próprio ser. Só num profundo relacionar-se o amor de alguém ressoa e mostra sua profundidade: assim nos descobrimos. Outra forma de autodescoberta, sem o outro, é a meditação. Só há dois caminhos para chegar ao divino: meditação e amor.




RELACIONAMENTO COMO NUM ESPELHO


O amor se relaciona, mas não é  relacionamento, que é algo acabado. Ele é como um rio fluindo, interminavelmente. Há flores do amor que só desabrocham após uma longa intimidade. Relacionar-se significa que estamos sempre começando, sempre tentando nos tornar conhecidos. A alegria do amor está na exploração da consciência. Quando investigamos o outro, fazemos o mesmo conosco. Aprofundando-nos no outro, nos aprofundamos em nós mesmos. Tornamo-nos espelhos para o outro e o amor torna-se meditação. Quando mais descobrimos, mais misterioso o outro se torna: o amor é uma aventura constante. Quando estamos apaixonados, a linguagem não é necessária. O amor não escraviza, não é possesivo nem exigente. Ele liberta, permitindo aos amantes voarem alto, em direção a Deus. Quando apreciamos nossa solidão, nos tornamos meditadores. Só quem é capaz de ser feliz sozinho pode contribuir com a felicidade de outro.



SOLITUDE  E  SOLIDÃO


Na solitude estamos constantemente encantados conosco mesmos. Ela é abençoada, um profundo preenchimento, que nos mantém centrados e enraizados. Ela é independente. Todos são um fim em si mesmos. Ninguém existe para ser usado. Quem está no pico da solitude só se atrai por quem também esteja só. Dois solitários olham um para o outro, mas dois que conheceram a solitude olham para algo mais elevado. Se estão felizes consigo mesmos, tornam-se companheiros. As palavras felicidade e acontecimento têm a
mesma raiz em inglês. Porque a felicidade simplesmente acontece. Para ser feliz é preciso deixar acontecer. O caminho do amor deve ser tomado com tremenda consciência e o da consciência, com tremendo amor. Depois de cada experiência profunda nos sentimos sós e tristes: seja um grande amor ou uma  meditação. Por isso muitos evitam experiências profundas. A solitude é bela e livre. É um momento em que o outro não é necessário. Após essa liberdade o amor é possível. O amor traz solitude e a solitude traz amor.

Já a solidão não cria amor; apenas necessidade. Ela pode matar. Dois solitários não conseguem se relacionar porque isso não ocorre a partir da necessidade.

Solitude é uma flor desabrochando, é positiva, saudável. Só o amor dá a coragem de sermos sós. Só assim acumulamos energia até transbordar e transformar-se em amor. Sós, acumulamos amor, celebração, dança, energia, prazer, vida. Só o excesso de energia possibilita o orgasmo, que não é um alívio, mas celebração. Quando os amantes se afastam, eadquirem sua solitude, beleza e alegria. A alegria traz a necessidade de compartilhar. A paixão é muito pequena diante da ompaixão. Solitude é mover-se para dentro e amor é mover-se para fora. Ambos os movimentos são enriquecedores.



AMOR VERDADEIRO

Quando há dependência não há maturidade nem amor, há necessidade. Usa-se o outro, o que é desamoroso. Ninguém gosta de ser dependente, porque a dependência mata a liberdade. Os homens sempre querem mulheres que sejam “menos” do que eles. A maturidade vem com o amor e acaba com a necessidade. Amor é luxo, abundância. É ter tantas canções no coração, que é preciso cantá-las, não importando se há quem ouça. Quando somos autênticos, temos a aura do amor. Quando não, pedimos amor aos outros. Quem se apaixona não tem amor e, assim, não pode dar. Quem é maduro não cai de amor, mas se eleva nele. Duas pessoas maduras que se amam, ajudam-se a se tornarem mais livres. Liberdade, moksha, é um valor mais elevado que o amor. Por isso é que o amor não vale a pena se a destruir.




(Extraído de Relacionamento: Amor e Liberdade, by Osho)


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