Ciúme, Espelho, Solidão e Amor Verdadeiro


CIÚME

Quando há atração sexual e o ciúme entra é porque não há amor. Há medo, porque o sexo é uma exploração. O medo se torna ciúme. Não se pode amar alguém não-livre, pois o amor só existe se dado livremente, quando não é exigido, forçado e tomado. Quanto mais controlamos, mais “matamos” o outro. As causas do ciúme estão dentro de nós; fora estão só as desculpas. O amor não pode ser ciumento. Ele é sempre confiante. Confiança não pode ser forçada. Se ela existir, segue-se por ela. Senão, é melhor separar, para evitar danos e destruição e poder amar outra pessoa. Quando amamos alguém, confiamos que não quererá outro. Se quiser, não há amor e nada pode ser feito. Só através do outro tornamo-nos conscientes de nosso próprio ser. Só num profundo relacionar-se o amor de alguém ressoa e mostra sua profundidade: assim nos descobrimos. Outra forma de autodescoberta, sem o outro, é a meditação. Só há dois caminhos para chegar ao divino: meditação e amor.




RELACIONAMENTO COMO NUM ESPELHO


O amor se relaciona, mas não é  relacionamento, que é algo acabado. Ele é como um rio fluindo, interminavelmente. Há flores do amor que só desabrocham após uma longa intimidade. Relacionar-se significa que estamos sempre começando, sempre tentando nos tornar conhecidos. A alegria do amor está na exploração da consciência. Quando investigamos o outro, fazemos o mesmo conosco. Aprofundando-nos no outro, nos aprofundamos em nós mesmos. Tornamo-nos espelhos para o outro e o amor torna-se meditação. Quando mais descobrimos, mais misterioso o outro se torna: o amor é uma aventura constante. Quando estamos apaixonados, a linguagem não é necessária. O amor não escraviza, não é possesivo nem exigente. Ele liberta, permitindo aos amantes voarem alto, em direção a Deus. Quando apreciamos nossa solidão, nos tornamos meditadores. Só quem é capaz de ser feliz sozinho pode contribuir com a felicidade de outro.



SOLITUDE  E  SOLIDÃO


Na solitude estamos constantemente encantados conosco mesmos. Ela é abençoada, um profundo preenchimento, que nos mantém centrados e enraizados. Ela é independente. Todos são um fim em si mesmos. Ninguém existe para ser usado. Quem está no pico da solitude só se atrai por quem também esteja só. Dois solitários olham um para o outro, mas dois que conheceram a solitude olham para algo mais elevado. Se estão felizes consigo mesmos, tornam-se companheiros. As palavras felicidade e acontecimento têm a
mesma raiz em inglês. Porque a felicidade simplesmente acontece. Para ser feliz é preciso deixar acontecer. O caminho do amor deve ser tomado com tremenda consciência e o da consciência, com tremendo amor. Depois de cada experiência profunda nos sentimos sós e tristes: seja um grande amor ou uma  meditação. Por isso muitos evitam experiências profundas. A solitude é bela e livre. É um momento em que o outro não é necessário. Após essa liberdade o amor é possível. O amor traz solitude e a solitude traz amor.

Já a solidão não cria amor; apenas necessidade. Ela pode matar. Dois solitários não conseguem se relacionar porque isso não ocorre a partir da necessidade.

Solitude é uma flor desabrochando, é positiva, saudável. Só o amor dá a coragem de sermos sós. Só assim acumulamos energia até transbordar e transformar-se em amor. Sós, acumulamos amor, celebração, dança, energia, prazer, vida. Só o excesso de energia possibilita o orgasmo, que não é um alívio, mas celebração. Quando os amantes se afastam, eadquirem sua solitude, beleza e alegria. A alegria traz a necessidade de compartilhar. A paixão é muito pequena diante da ompaixão. Solitude é mover-se para dentro e amor é mover-se para fora. Ambos os movimentos são enriquecedores.



AMOR VERDADEIRO

Quando há dependência não há maturidade nem amor, há necessidade. Usa-se o outro, o que é desamoroso. Ninguém gosta de ser dependente, porque a dependência mata a liberdade. Os homens sempre querem mulheres que sejam “menos” do que eles. A maturidade vem com o amor e acaba com a necessidade. Amor é luxo, abundância. É ter tantas canções no coração, que é preciso cantá-las, não importando se há quem ouça. Quando somos autênticos, temos a aura do amor. Quando não, pedimos amor aos outros. Quem se apaixona não tem amor e, assim, não pode dar. Quem é maduro não cai de amor, mas se eleva nele. Duas pessoas maduras que se amam, ajudam-se a se tornarem mais livres. Liberdade, moksha, é um valor mais elevado que o amor. Por isso é que o amor não vale a pena se a destruir.




(Extraído de Relacionamento: Amor e Liberdade, by Osho)


Saiba mais sobre Osho:

www.osho.com

www.oshobrasil.com.br/principal.htm


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11 Replies to “Ciúme, Espelho, Solidão e Amor Verdadeiro”

  1. Amigo Ebrael,

    Muitas pessoas submetem o amor a coisas desnecessárias. Dizer, por exemplo, que o ciúme é tempero do amor é algo incoerente, pois o amor se realiza em si mesmo.

    P.s: Meu blog está em festa. Se possível, passe lá para ver.

    Abração e ótimo final de semana.

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  2. Ebrael,

    ciúme é um sentimento que sugere insegurança. Às vezes um pouco normal diante de situações, afinal a vida é cercada de tentações, atrações…

    O amor é como você disse, sem cobranças. Amar é doar-se, sem exigir nada em troca

    “Amo a liberdade, por isso deixo as coisas que amo livres.
    Se elas voltarem é porque as conquistei.
    Se não voltarem é porque nunca as possuí.” (John Lennon)

    Abraços, amigo!

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  3. Olá Ebrael!

    Penso que o ciúme é uma consequência de imaginarmos que alguém nos pertence. Não me parece que exista, apenas porque há atracção sexual. Uma mãe pode sentir ciumes dos filhos, quando eles começam a dispersar a sua atenção, e nem por isso o elemento sexo é incluído nessa relação.

    Concordo com a segunda ideia, de que o amor é um sentimento em permanente evolução e essa evolução tem que ser interior, sem dependência da conjuntura externa. É uma espécie de estado de graça que vai engrossando (usando a metáfora do rio) consoante a nossa maturidade espiritual.

    Beijinhos
    Luísa

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  4. Ebrael, foi bom esplanar cada palavra separadamente. Quanto ao espelho, achei interessante vc dizer que quanto mais “conhecemos o outro mais misterioso se torna”, se olhar na otica do amor compartilhado, sim, porque temos interesse na outra parte. Se sentirmos que se torna mais misterioso e nos aflige, tem algo errado.
    Não gosto de ciumes, um pouquinho é bom, mas se começarmos a sentir muito, se não for obsessivo, quem sabe tem algum fundamento!
    Do ex marido jamais senti nada de ciumes, deve ter sido meu erro, confiei demais.
    Beijocas

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  5. Oi amigo Ebrael

    Amei o post, e adoro ler osbre Osho, é maravilhoso, é um ser iluminado, sempre aprendo muito com seus textos.Acho que o ciume significa possessão, ou seja, as pessoas se acham donas das outras, mas ninguem é de ninguem.O amor é ser livre, ter respeito com o outro, confiança e querer o melhor.
    Bjs

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  6. Ebrael,

    Pouco ou quase nada a acrescenta em seu texto que toca tão bem a ponto nevrálgicos.
    Apenas ocorre-me que aprender a controlar as emoções é muito importante porque elas são extremamente poderosas…
    Abraços !
    Obrigada pela visita 🙂

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  7. Bem, penso assim sim, mas têm um porém: o Amor “maduro” (bom de ser comido) cresce com o Tempo. Não há Amor à primeira vista, não o Amor maduro, mas apenas a semente (desejo de tornar o outro livre como somos ao saber da semente – Tiqvah). Quando tornamos o outro livre em si mesmo, e desencadeamos (romper cadeias) o potencial do outro, amamos o outro. O outro ainda nem é livre, mas já antevemos o outro pleno de si ao nosso lado (o mesmo que ver a semente e enxergar a árvore adulta nela). Ou seja, Osho analisa o Amor, segundo ele, como as pessoas dizem. O “Eu te amo” cresce com a confiança, a liberdade e a comunhão sexual plena e irrestrita, todas essas coisas completando-se com o Tempo.

    Como disse, ninguém pode dizer que ama o outro logo de cara, como se diz vulgarmente. Podemos dizer que enxergamos a semente do Amor, a Paixão, que tudo faz nascer. Mas Paixão também é Amor, no estágio do nascimento, mas também é Amor. O que acontece é que regamos demais, ou aquecemos demais, a semente, que vem a apodrecer e esgotar nossa terra.

    As pessoas podem ser desconfiadas por Natureza, mas como tudo na Natureza se transforma (e se consolida, por cristalização), então, o Tempo solapa a desconfiança. Se a desconfiança permanece por mais tempo que o necessário para provar o Amor, então vira doença e o Amor não vinga.

    A dependência é tão tirânica para quem é dependente como para aquele a quem se é dependente. Há, aí, uma concordância leniente, um acordo, que se não superado pelo amor, acaba por vampirizar a ambos. Todos somos interdependentes, ninguém escapa a isso. Também precisamos evitar que tentemos compensar a dependência com a tirania, o que vira uma Guerra por Poder.

    Sobre o ciúme – o ciúme é insegurança e vaidade. É temer que o outro seja feliz sem a nossa presença. Logo, quando vemos que o outro é feliz conosco (não implica ausência de dores, mas superioridade de realizações vs. frustrações), o ciúme deixa de ser tão feroz. O orgulho de macho e fêmea reinantes sempre vai existir, pois é inerente ao nosso instinto animal, mas a vaidade e a insegurança não são instintivas, são desvios.

    Bjss!

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