Texto inspirado no artigo Sete Tolices do Mundo (por Mahatma Gandhi), in O que é isso?

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Indolor deve ser a renúncia. É o que pensa todo ser humano. Ninguém se interessa por um “sacrifício” que venha a tolher suas conveniências pessoais. Poucos indivíduos ainda cogitam a possibilidade de se internar num claustro, sem sua carteira, sem ventilador, com peças de roupas que lhe sufoquem no verão ou que não lhe protejam do frio no inverno. Poucos ainda supõem deixar de lado seu egoísmo, sua vaidade, para adorar a um Deus que se manifeste no rosto coletivo, e não apenas aos seus próprios, diante do espelho.

Vejo que, hoje em dia, prestamos mais atenção às coisas subjetivas, impessoais, que as pessoas fazem do que nas próprias pessoas. Nos fixamos em cada ato que elas manifestam, em cada erro do irmão, em cada deslize do vizinho, em cada gafe do Presidente, enfim, em todas as imperfeições do que, propriamente, se fitar nos rostos, nos olhares, e toda flor de sentimentos que, por ai, podem ser expressos.

Por não prestarmos mais atenção às pessoas, fechamos nossos olhos. Ao menos, os desviamos  pra coisas menos luminosas. Nos trancamos em nós mesmos. As mesmas pessoas, não vendo reação por seus sorrisos, numa falta total de fé em si mesmas, ao não verem ecoados seus olhares, também baixam suas cabeças. Poucos olhares espontâneos prese nciamos atualmente, e os que flagramos, vez por outra, não demonstram mais compreensão, somente a mesquinharia dos que  se sentem pobres de  convívio, sentimentos, Amor e Realização.

Quando dizemos fazer algo em honra de Deus, de uma causa, de um ideal, nunca o realizamos para nós mesmos. Não adianta: digamos ser a Deus ou para que outros se apercebam, fazemos tudo ou para fazermos os outros felizes ou a nós mesmos, para nossa própria auto-satisfação. Não há o colocar-se no lugar do outro, no Tempo do outro; há o ser Herói, fazendo algo de grandioso e frutífero, ajudando o outro a salvar-se, e assim, adquirindo a esperança no próprio resgate, no próprio ressarcimento de seus esforços, para recuperar a identidade de si como estando em Todos. Afinal, pelo que dizem (e assim creio), Deus está  em Todos, todos d’Ele viemos e d’Ele fazemos parte…

Um dia, li em um livro, deveras famoso em nossos tempos, que:

O primeiro Caminho para chegar a Deus é a Oração; o segundo, a Alegria.

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Ora, toda oração é união com o Outro, é devoção ao Outro, é pedir pelo Outro, é compartilhar com o Outro. No rosto do Outro, feliz ou sofrido, encontramos o Sorriso de Deus. Olhar-se com olhar limpo, olhar o Outro com o Olhar da água, cristalino, também é uma Oração, é acercar-se de Deus no Outro. Olhemo-nos mais nos olhos!! Oremos!! O que mais nos revolta, por vezes, nas relações, é saber que nosso pior inimigo também é vindo do mesmo lugar, do Coração de Deus. Não é que nosso inimigo mereça nossa piedade ou intervenção, como algo imprescindível; nós é que, para nos considerarmos filhos de Deus, precisamos intervir por nossos iguais, olhar nos olhos do carrasco, lá no fundo, e o amar profundamente. Amar não é salvar somente o Outro; é salvar a nós mesmos, é como um náufrago achar uma tábua no meio do Oceano, é redimir toda a Humanidade num abraço interior. Se não somos todos irmãos, então somos todos órfãos, pois há um só Pai…

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O Amor é uma Ponte em mão-dupla entre os Corações.
O Amor é uma Ponte em mão-dupla entre os Corações.

A Alegria mais pura é aquela dada inadvertidamente, sem que possamos prever. Por isso, Jesus nos aconselhou que, quando alguém nos pedisse algo, que o déssemos sem pestanejar. Quando pensamos se vamos dar ou não, sempre avaliamos primeiro se nos vai faltar, se outros não quererão também, o que isso vai parecer, se há alguém olhando. Enfim, nosso egoísmo e nossa Razão irracional nos enchem de preocupações torturantes e nos tiram a alegria e a  surpresa que nos causam o sorriso gratuito de quem recebe algo de boa vontade. E essa Alegria só nos chega quando age o Coração. Esse é o dar sem querer receber; quando avaliamos algo, sempre fazemos alguma conta de Custo x Benefício. E Amor não se negocia, não se aposta, não se prevê, não se calcula.

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Como dizia Einstein, Deus não joga dados. Simplesmente, o Amor acontece. Esse é o Grande Milagre: o Amor acontecer à nossa revelia, a despeito de nossa mania de pretender controlar tudo, quando não conseguimos, sequer, evitar um mero resfriado!!

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5 comentários em “Adoração sem sacrifícios, Amor sem cálculos

  1. Ebrael, como é dificil a convivencia entre as pessoas! Muitos só vivem para procurar e apontar defeitos. Eu estava conversando com uma amiga que eu não gosto de me meter na vida de ninguem, só opino se desejarem e quiserem ouvir. Odeio falatórios e que nos envolvam onde não queremos. Eu tenho tantos problemas… o meu fardo já é pesado e o mundo sofre e carece de assuntos sérios para me perder em coisas diminutas.

    Devemos ver o lado bom, procurar ver o belo, o saudável, o justo e não ficar atrás de coisas que muitas vezes podem ser totalmente diferentes do que aparentam ser.

    Uma vez, no bairro que morava, uma amiga vivia falando mal de uma vizinha casada e mae de 3 filhos. Ela falava tão mal que acabei tambem hostilizando alguem que jamais vi! Olha só… no curso pré-vestibular a vizinha estava lá, sentava ao meu lado, comecei a admirá-la e adorá-la. Encontrei uma das melhores pessoas que já pude ter de amiga, alguém que é capaz dar de si para ver bem um amigo. Aí aprendi uma bela lição: quem deve tirar conclusões sou eu e não mais ninguem. Isso serve até para críticas de cinema. Quantas vezes adoramos um filme que é mal falado, não é mesmo?!

    Como sempre, adorei o seu texto. Beijos

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