Brasil com Bomba Atômica??


Saiu, recentemente, no site da Deutsche Welle (importante Rede de notícias alemã) um artigo em que, em entrevista, um pesquisador e observador alemão alega ter suspeitas de que o Governo Brasileiro esteja, já há algum tempo, desenvolvendo armas nucleares de forma secreta.

Acompanhem a cópia do artigo, a seguir:

Interior da Usina Nuclear de Angra 2 - Foto: Deutsche Welle

Entre brasileiros comuns, que andam pelas ruas e assistem à televisão, a ideia de construção de uma bomba atômica soa improvável. Mas não para um pesquisador que acompanha o desenrolar político brasileiro de fora do país.

No início do mês, um artigo do alemão Hans Rühle aguçou o debate sobre a proliferação de armas atômicas. Num longo texto em que revisita episódios da história da ditadura militar e reproduz depoimentos de autoridades brasileiras importantes – como o presidente Lula –, Rühle diz que o Brasil pode estar, sim, desenvolvendo uma bomba atômica às escondidas.

A opinião publicada na revista alemã Internationale Politik, do Conselho Alemão de Relações Internacionais, repercutiu na Europa.

A Deutsche Welle conversou com o pesquisador, ex-diretor do departamento de planejamento do Ministério alemão da Defesa e especialista em questões de armamento.

Hans Rühle, especialista em Segurança. Foto: Deutsche Welle

Deutsche Welle: Em quais fatos o senhor se baseou para escrever o artigo?

Hans Rühle: Primeiro, é preciso lembrar que o Brasil teve três diferentes programas nucleares entre 1975 e 1990. Eles acabaram, mas não está claro o que aconteceu com eles.  E constato que, desde 2003, há desenvolvimentos difíceis de interpretar.

Por um lado, o Brasil é membro do Tratado de Não-Proliferação. Por outro, os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica se deparam com grandes obstáculos quando querem inspecionar o território. O país também se recusa a permitir controles de centrais nucleares não declaradas oficialmente.

E também é preciso dizer que o Brasil tem um programa de submarino nuclear que também está vedado aos inspetores. Sabemos que o grau de enriquecimento de urânio desse tipo de programa permite a construção de armas atômicas.

Deutsche Welle: Mas o Brasil é um signatário do Tratado de Não-Proliferação…

Hans Rühle: Este é o problema: o Brasil não assinou o protocolo adicional do acordo, que amplia os poderes de controle da agência.  Acho que só 4 ou 5 países não assinaram o acordo, entre os quais o Brasil. (nota do editor: o acerto adicional foi assinado por 98 países).

Esse protocolo autoriza o livre acesso a todos os locais de atividade nuclear, a qualquer hora, sempre que houver uma suspeita, de modo que os inspetores possam investigar todas as instalações. Os brasileiros não assinaram esse protocolo, o que significa que as autoridades de Viena só podem visitar as instalações declaradas.

Deutsche Welle: Mas o presidente Lula já disse várias vezes que o Brasil não assinará essa parte do tratado.

Hans Rühle: Estamos falando de um país democrático, com uma Constituição que proíbe o uso de armas nucleares.

Essa proibição está numa Constituição de 1988, formulada por um governo anterior à presidência de Lula. E ele já deixou claro que não concorda com as decisões então tomadas, nem com a assinatura do Tratado de Não-Proliferação, nem com a proibição constitucional de armas atômicas.

Além disso, a Constituição não permite a construção de armas atômicas, mas autoriza as chamadas “explosões nucleares pacíficas”, que, no fundo, não são muito diferentes de explosivos nucleares. São diferentes só no nome.

O melhor exemplo disso é a Índia, que nesse caso serve de modelo para o caso brasileiro. Em 1974, a Índia realizou uma dessas explosões e a declarou como pacífica. Hoje sabemos dos próprios indianos do que se tratava de fato. O responsável pela operação afirmou, 23 anos depois: “Claro que foi uma bomba, e de forma alguma pacífica”.

Além do mais, a Constituição brasileira permite ser contornada.

Deutsche Welle: Mas você disse em seu artigo que não há provas concretas de que o Brasil esteja construindo uma bomba. Quão grande é o risco de que isso seja verdade?

Hans Rühle: Essa questão de evidências sempre é difícil. Podemos fazer uma comparação entre Brasil e o Irã. Sabemos mais sobre o Brasil do que sobre o Irã. Citei o vice-presidente argentino, que há um ano disse que o país precisa de armas nucleares. No Irã, isso jamais foi dito por líder algum. Ou seja, no caso brasileiro, estamos significativamente à frente.

Temos um conhecimento relativamente reduzido sobre as instalações brasileiras. Mas sabemos que o Brasil tem possibilidades infinitamente maiores no que diz respeito ao processo nuclear. O país já faz isso há 30 anos e domina todas as etapas do processo.

Não foi à toa que citei os institutos americanos de Los Alamos e Livemore, segundo os quais o Brasil, se quiser, pode construir armas nucleares em três anos.

Não posso dizer, no caso brasileiro, quando isso vai acontecer, pois não sei quando o programa começou. Aliás, provavelmente ninguém sabe, a não ser os brasileiros.

Entrevista: Christina Krippahl (np).

Revisão: Simone Lopes.

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Ebrael Shaddai: Não seria à toa que um presidente com amizade com ditadores de esquerda, como Raúl Castro, Evo Morales e Hugo Chávez, estivesse com esse tipo de intento megalomaníaco. Mas como sabemos que a CIA sabe de tudo isso (ou quase tudo), estou entrevendo o Brasil como possível lugar-tenente dos EUA & Cia. na América do Sul. Mas e o Irã?? Como fica??

Com a Dilma, ex-guerrilheira e terrorista, sedenta de poder como só ela, como presidente do Brasil, posso até ver o país, com os problemas que tem, investindo tudo que pode e que não pode em armas.

Há algo de muito podre no Reino da Dilmamarca!!

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Fonte do artigo: http://www.dw-world.de/dw/article/0,,5564374,00.html

Professor Trajano e os Versos Íntimos


Sem dúvidas, a partir de 1994 o Plano Real veio nos facilitar (atenuar) um pouco a vida. Mas, se os preços não aumentavam tanto quanto antes, os salários também não acompanhavam o crescimento dos sonhos das pessoas. E ainda havia algumas pessoas que sonhavam em ganhar sobre a dificuldade de outras. A fórmula de alguns era simples, agora que a moeda se estabilizara: ganhar muito com coisas de pouca qualidade, gastando pouco, se possível, tirando até do seu prato, economizando, assim, obsessivamente.

Em 1996, no segundo ano do Ensino Médio, tínhamos um professor de História que trabalhava mais ou menos encima dessa cartilha. Vou chamá-lo, aqui, de Trajano, por razões óbvias, aproveitando do nome do imperador romano muito citado pelo tal professor.

No primeiro dia de aula, ele já chegou à sala com passadas largas, como se estivesse em uma caserna romana. Só nos faltava ouvir um Ave, César da boca dele. Ele resmungou apenas um Boa noite, antes de nos introduzir aquilo que seria a tônica das aulas dele por um bom tempo: o livro de História escrito por ele.

O professor Trajano era um sujeito atipico, na perfeita acepção do adjetivo. Em sua cabeça, o Hemisfério Norte era quase todo desértico como uma tundra gelada. Apenas a partir do Equador craniano é que começavam, timidamente, a surgirem os primeiros sinais de uma savana capilar, com escassos e ralos pelos a lhes descerem pelas orelhas, terminando por afluírem em dois rios laterais para uma barba de três dedos de altura, à melhor moda de Sócrates. Dizia comigo que ele era o próprio Socrates, com óculos de hastes demodés e dentes corroídos pelo tabagismo.

Ele era (ou é ainda) um homem de rígidos hábitos e práticas. Em matéria de História, não admitia, de um aluno, tratamento inferior ao de um gênio, pelo qual ele ficava deveras envaidecido. Religião: católica. Partido político: aquele ao qual o pároco estivesse afiliado. Estado civil: casado com dona Estela… e filho da Virgem Maria. Se distinguia dos outros docentes por sua camisa cáqui e pela inconfundível e única calça jeans. Isso mesmo: ele só usava uma calça jeans, religiosamente, todos os dias. Ele alegava lavá-la diariamente, mas, por vezes, a coloração encardida da peça o contradizia insistentemente. A calça quase poderia sair correndo dele se, num deslize, ele afrouxasse o cinto. Quase podíamos ouví-la pedindo socorro.

Na sua apresentação à classe, no primeiro dia de aula, aproveitou para apresentar também seu novíssimo livro de História, História sem Mistérios. Estipulou uma cota de R$ 10,00 por aluno, sem direito a cópias – todos os alunos teriam que, obrigatoriamente, comprar o tal livro. Se ele pegasse alguém com alguma cópia do livro, alertava ele, ameaçador, a rasgaria diante de todos. Definitivamente, aquilo não era uma democracia!!

Direitos autorais à parte, ele não recordava, ou fingia não lembrar, que dava aulas a um colégio público. Lamentasse ele ou não, estivesse ele frustrado com sua malograda carreira literária ou não, nem todos os alunos ali, assim como nem todos os pais, podiam pagar pelo livro que, sinceramente, era mal escrito, mal editado, mal pesquisado, onde a única ilustração era a foto de seu autor, nada artística. Naquela época, eu fazia muitas coisas com dez reais. Dez reais, em 1996, era o almoço e o jantar de muita gente.

No fim do ano, sabendo da ojeriza que poesias, principalmente em língua portuguesa, causavam no professor Trajano, na época do Amigo Secreto, embora o nome dele não houvesse sido incluído no sorteio, toda a classe combinou de comprar uma calça jeans novinha, em Brusque, e entregar esse presente ao mesmo tempo que alguém estivesse declamando uma poesia de Augusto dos Anjos – Versos Íntimos – sugerida por mim na época, que eu achava a cara dele.

A reação (interior) de nosso querido professor todos podem deduzir: a pior possível. A reação (exterior), para inglês ver, também todos podem supor: previsível. Teve de engolir nosso presente de grego, pra não fazer desfeita diante da diretora, que estava visivelmente constrangida, conhecendo-o a anos. Entre tremores de lábios, cabisbaixo, conseguimos, com muito esforço acústico, ouvir um Obrigado, classe!

Essa, depois de catorze anos, é para o senhor, professor Trajano:

Versos Íntimos (Augusto dos Anjos)

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Referência: http://www.releituras.com/aanjos_versos.asp