Desde criança, me fascinavam os feitos apoteóticos dos heróis do passado, que deram suas vidas, e lideraram como inspiraram outras tantas vidas, pela conquista da Liberdade de seus povos e a derrota do despotismo. Claro, boa parte das lendas e “fatos” históricos constantes de nossos compêndios de História Geral, principalmente no que toca às civilizações ocidentais, vem imbuída de um certo romantismo fantástico. Mas, no fundo, se os mesmos fatos tratarem de símbolos arquetípicos, mitos que sejam, posso dizer que são realidades latentes do ser humano. Como já disse eu, certa vez, o Ideal não é irreal!

Quando passei a tomar contato com o esoterismo e ocultismo, me vi identificado com o arquétipo escorpiano-marciano: respeito à hierarquia, desde que esta não me tiranize! Em tudo deve haver ordem e hierarquia. Os subalternos devem ser obedientes e seguirem seus superiores, lhes sendo leais. Se os mesmos não são leais como deveriam, façamos tudo para que um dia possamos lhes ocupar o lugar e mostrar a todos como se deve fazer as coisas.

Mas, quando a autoridade nos ameaçar o Direito à Vida e à auto-determinação, bem como à nossa Liberdade de existir como seres independentes e pensantes e nos tirem a escolha de crença, então estaremos diante de uma violência tal que invalida toda a dignidade daquele que se declara soberano. A Soberania é Ordem, e não opressão; conserva, ao invés de destruir; provê, ao contrário de privar; protege, ao invés de esmagar; liberta os fracos, sustenta os desvalidos e corrige os orgulhosos.

Sabemos que as governanças de nossas sociedades, desde tempos imemoriais, jamais estiveram maduras suficientemente para corresponder a essas premissas. E, talvez, ainda demore algumas gerações (sabe-se lá quantas) para que possam assumir seu papel divino de ordenar o Caos das disputas e aplicar a justa medida, a exemplo de um cubo perfeito, para as relações coletivas e o florescimento de valores.

No entanto, de tempos em tempos, a Consciência Cósmica, Toda-Benevolente, espalhou alguns poucos enviados, com nobres ideais, para não somente iluminar o conhecimento do Homem Interno, mas também para suscitar às almas alguma esperança e lhes equalizar as relações, sendo pioneiros do verdadeiro papel da Realeza sobre as sociedades.

Um destes exemplos, ainda que em forma de romance, podemos vislumbrar na personalidade do personagem Leônidas, rei de Esparta, que rompeu a covardia das cidades-estado gregas e enfrentou corajosamente à Besta superpoderosa da tirania, representada nas hostes de Xerxes, imperador persa. Segundo o que nos conta Heródoto, historiador grego, em nome da tradição espartana, com apenas 300 hoplitas (que compunham a elite da infantaria espartana), engenhosamente se postaram entre dois paredões de rocha, um desfiladeiro ao qual chamavam Termópilas, e deram muito trabalho ao quase 1 milhão de soldados-escravos, segundo alguns. Para outros, eram 100 ou 200 mil.

Devido à disciplina tática militar, extremamente rígida, dos hoplitas, e ao senso patriótico e instinto de defesa da honra e da sobrevivência de suas famílias, impuseram duras derrotas durante dias aos persas, que contavam com elefantes, máquinas de artilharia, arqueiros habilidosos e pesada cavalaria, além de grossas fileiras de mercenários. Toda superioridade numérica dos persas era inútil contra os altos paredões de rocha das Termópilas, que protegiam os flancos dos espartanos, enquanto deixava apenas um estreito corredor para ser usado pelos fortes lanceiros espartanos, estando estes em formação compacta e impenetrável. Segundo os relatos disponíveis, os espartanos somente cederam por traição de alguém que levou esquadrões persas ao caminho que dava para a saída oposta do desfiladeiro, por onde cercaram os espartanos e atingiram sua retaguarda. Assim mesmo, morreram cantando, por honra e por um ideal nobre (a Vida dos seus e de sua pátria).


Os espartanos não venceram a batalha, mas proporcionaram aos outros gregos vencerem a Guerra contra os persas, tendo sendo decisivo o fato de retardarem o avanço desses em três dias, tempo suficiente para que as cidades organizassem a resistência e afastassem de uma vez a ameaça oriental. O que teria sido da Europa, sem a valentia dos espartanos, nas mãos de um déspota que se considerava um deus? Teria os legados cultural, filosófico e científico gregos sobrevivido ao fogo dos bárbaros persas? Logo adiante, o cristianismo teria tido um solo fértil para florescer, se a superstição persa proliferasse pelo Velho Mundo? Teríamos hoje o mesmo conceito de Liberdade que os gregos nos legaram, assim como o Direito Romano, escrito em tábuas?

Podemos não considerar nossos atos realmente importantes, mas basta estufar o peito por ideais e valores coletivos para que toda a humanidade seja engrandecida.

***

Leia mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_das_Term%C3%B3pilas

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14 comentários em “As Termópilas e a busca pela Liberdade

  1. Ebrael, uma vez tambem falei sobre este filme 300. Interessante que muitas pessoas não gostaram. O que eu penso é que a maioria nao entendeu nada! Gostei muito de ler seu texto, especialmente pq pensamos parecido.

    Querido amigo, sobre sua visita, eu tenho certeza que na dificuldade foi quando mais cresci!

    Não repare minha ausencia, tem sido geral, estou atravessando uma tormenta, ando muito preocupada. Mas vai passar.

    BEIJOS

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    1. Não se preocupe, Simone! Eu tbm estou preferindo ficar ausente da internet para pôr leituras, estudos e outros afazeres em dia. Internet é bom, desde que não deixemos o que é essencial de lado. No mais, quando venho me lembro de vc e outros amigos, então retorno para uma breve aparição kkkkkkk
      Sim, pensamos semelhantemente tbm, até pq os geminianos, sei bem, prezam tbm a Liberdade!
      Bjs!

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  2. Sim é verdade, tem o livre-arbítrio, no caso – a Rainha de Copas do Tarot Místico…entendo o que quis dizer.
    Seus textos estão muito interessantes, parabéns pelo conteúdo! Sempre que possível passo por aqui para acompanhar os textos!
    Paz e luz!

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    1. O homem em si pode escolher permanecer condicionado pelas circunstâncias e instintos ou tomar as rédeas de seu destino em suas mãos – nisso consiste o grande desafio do livre-arbítrio humano!
      Obrigado pelos elogios! Continue vindo a esse recanto de reflexões, que também pertence a você, como a todos os buscadores sinceros.
      Bjs e PP!

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  3. Olá, Ebrael.

    Mais uma vez, gostei do seu texto. Toda civilização deveria ter, ao menos a cada década, um Leônidas.

    Na civilização brasileira, não é patente a “escravidão” da política ideológica. Entretanto, o aprisionamento mental é visto em determinadas religiões que ditam o que é certo e errado e satanizam as outras. O pior é quando os líderes de tais religiões adquirem canais de TV e se enveredam para cargos políticos.

    Você me despertou esse paralelo. Aliás, seus textos sempre despertam nossas reflexões.

    P.S.: Perdoe-me pela ausência. É que estou envolvido com projetos que estão absorvendo grande parte do meu tempo. Mas durará apenas algunas meses.

    Abração, e fica com Deus.

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    1. Boa tarde, Valdeir!
      Não se preocupe tanto com a ausência. Eu, como outros leitores seus, li ua nota de ausência. Se blogar desse dinheiro, né? kkkkkkk…Mas, vá fundo em seus projetos;é o que nos realiza são os projetos e a família.
      Sobre os Leônidas, ainda que eu acredite e saiba que eles existiram em todos os tempos, são mesmo mais mitos (portanto, heróis semi-endeusados), alçados por seus valores. Por isso os admiramos tanto, por portarem valores que ainda nos são raros (e caros).
      Os líderes das religiões são zumbis, apenas, pois a maioria das religiões EXTERIORES lidam com meros signos mortos, tornados sem efeito pela profabação dos ineptos eignorantes. Mortos-vivos é que são!
      Grande abraço! Paz Profunda!

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  4. Olá Ebrael:

    Muito bom seu texto, a tirania que nos nega a liberdade deve ser sempre excluída de nossos pensamentos.

    Eu creio que as lendas são facas de dois gumes, por um lado desviam a história, por outro lado fortalecem os fatos para que permaneçam vivos, como foi o caso do pensador homero.

    Eu, quando não creio nos deuses gregos, procuro adaptar o conhecimento adquirido e aproveitar o máximo que eu posso, como a história de Adão e Eva, um dos mais antigos livros da história.

    A história dos 300 é um bom exemplo a ser seguido, pena que foi tão mal adaptado para os dias de hoje, no cinema. Fica valendo os textos do famoso historiador para estudo e reflexão.

    ABS

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  5. Olá! 🙂
    Perdi vários comentários no meu blog seu e de outras pessoas 😦 talvez vírus……..

    É verdade esse tratado de perseguição às bruxas foi muito massacrante e injusto e ainda existe hoje em dia só que de forma mais velada….infelizmente a humanidade ainda não evoluiu totalmente….

    Seu post é muito importante mostra bem essa evolução (ou involução?) do ser humano….

    Paz e luz!

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