Desde a Antigüidade, ouvimos que o símbolo gráfico que exprime o infinito é dado pelo círculo, numericamente representado pelo algarismo 0 (zero). Mas, as religiões monoteístas nos dizem que Deus é Um. Logo, deduzo que elas se referem à Primeira Manifestação de Deus na Criação, mas não a Deus Eterno e Incriado.

A razão pela qual os antigos filósofos creditaram ao Zero o simbolismo da eternidade é muito simples: graficamente, o zero não tem extremidades. Ele não tem começo ou fim aparentes, e ele começa onde termina, seja lá qual for o ponto que se adote como referencial, diversamente do Um.

Cobra que come o próprio rabo

Se fôssemos representar o infinito num plano, o Zero seria ineficaz, pois ele separaria o que está dentro do que está de fora. Não pode haver limites àquilo que, teoricamente, é ilimitado. Lembremos, porém, que um símbolo não busca denotar dimensões, e sim conceitos, arquétipos, idéias abstratas. Logo, como símbolo, ele se enquadra perfeitamente ao conceito de Eternidade no Misticismo.

Mas, quais as outras razões de creditar ao Zero o título de número da Eternidade, e não ao Um?

Os conceitos de Unicidade, Imutabilidade, Indivisibilidade e Imanência, características de Deus, são equivocadamente atribuídos ao Um. Deus não somente é indivisível em seu Todo, mas também apresenta a ausência de opostos em si mesmo.

Pela matemática, podemos visualizar melhor isso tudo. O Um é indivisível, mas possui opostos (+1, -1). O Zero é absolutamente neutro.

O Um, elevado a qualquer potência, resulta nele mesmo; porém, se adicionado a outro número, transforma-se neste. Se colocado à direita do mesmo, dá-lhe uma existência nova (pois, assim, representa a base decimal, e de dez unidades é constituída a série numérica básica de nosso sistema ocidental, como que representando um ciclo de existência). O Zero, elevado a qualquer número, resulta, também, nele mesmo, e multiplicado por qualquer número, permanece igual em sua natureza neutra. E daí, com todas as outras operações.

A única ocasião em que o Zero sofre uma mudança (e isso, acho eu, foi o início de tudo) é quando o Zero é elevado a Zero, o que resulta em Um. Uma eternidade que é elevada (sofre o impulso ou desejo) de ser eterna, fora dela mesma, propicia um ciclo de geração de eternidades (como a descida e subida dos anjos, a espiral evolutiva, etc.), já que eternidade perene e imutável só pode haver uma. É o início da seqüência numérica, sem a participação do Um, tido como a unidade numérica fundamental e primeira. É a geração do Primeiro Ser visível (Um) a partir do Invisível (Zero). Segundo a Qabbalah, isso é Nequdah Rashunah (Primeiro Ponto), sendo esse o símbolo do número Um. Daí, tudo começou do Nada, e do Nada tudo foi feito.

Deus é o Zero no centro do plano cartesiano e do círculo. Parece que ouço Paulo Mendes Campos, sussurrando enquanto pigarreia:

Todos os pontos do Círculo são equidistantes de Deus.

Anúncios

9 comentários em “O Zero e Deus

  1. Só não concordo com a afirmação: tudo começou do nada.

    Ora o nada é nada. Daí o nada jamais poderia gerar alguma coisa.

    Pois quando eu admito alguma coisa, ou seja, penso no símbolo “0”, isso já é alguma coisa.

    Repito: O nada é nada. E não pode dar origem a algo.

    Curtir

    1. Caro, Nelson,
      O nada é nada pra nós! E mesmo assim, não conseguimos sequer imaginar o Nada absoluto…
      Não sei se você é rosacruz, mas sabemos pela Ordem que o símbolo não deve ser interpretado à luz das coisas visíveis, quando muito apenas fazendo uma analogia. O símbolo evoca imagens abstratas, quase sempre.
      Lembre do exemplo matemático que lhe dei: Zero elevado a Zero dá Um. Sabemos que a Matemática era o campo de experimentos práticos dos antigos filósofos, que perscrutavam as origens do Universo. Do Zero surge o Um, uma quantidade mensurável sem a participação de nenhum outro número, senão de uma entidade imponderável.
      Abçs e Paz Profunda!

      Curtir

  2. Ebrael, sobre o meu post: Deus tem mostrado sim quem manda, mas a natureza está reagindo depois de decadas. O ser humano não pode esperar tanto, porque quando a verdade aparecer, talvez nao esteja mais presente para receber o ultimo abraço de amor.

    Desculpa nao comentar sobre o seu, vc entende… ainda nao me sinto bem. Estou tentando me recuperar….

    Bjs

    Curtir

    1. Vou assistir aos vídeos sim, pode deixar!
      Mas, quero advertir. Aqui, não decretei verdades absolutas, são divagações e reflexões próprias. Portanto, recomendo que você resguarde a proporção de suas palavras. Você não pode dizer que estou errado. Você pode, de acordo com o que eu declarei, dizer que há visões diferentes das minhas que são considerados por outrem como sendo mais adequadas.
      No mais, obrigado pela visita e comentário!

      Curtir

      1. precisamente, foi descortesia de minha parte, a verdade absoluta não existe nesse mundo, e só pode ser encontrada dentro de nós mesmos.

        Curtir

Escreva abaixo seu comentário:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s