E a Virgem deu à Luz um Filho??


Enquanto assistia aos debates numa comunidade do Orkut, fiquei interessado sobre o assunto tratado e fui pesquisar. O debate era sobre o dogma católico da Imaculada Concepção de Maria. Como tenho um programa que apresenta as Sagradas Escrituras nas mais importantes línguas, fui atrás do assunto para comprovar, ou não, o que se dizia na dita comunidade do Orkut.

A principal passagem bíblica sobre a qual a Igreja Católica se apoia para sustentar seu dogma da Imaculada Concepção de Maria está no Livro do profeta Isaías, cap. 7, versículo 14. Fiz a captura da imagem em que abro, sucessivamente, o trecho como está no original em hebraico, conservado cuidadosamente pelos judeus, na Bíblia na versão dos Setenta (ou Septuaginta), a primeira e principal versão da Bíblia nos primórdios da Era Cristã, e numa versão evangélica da mesma Bíblia (não diferindo, no dito trecho, de versões cristãs atuais), a Almeida Revista.

Concluo, com certeza quase absoluta que, ou houve um grave erro de tradução, ou uma adulteração (alteração com fins escusos) do mesmo trecho. Como foi a Igreja Católica quem se apoiou sobre tais “erros” para forjar suas doutrinas, presumo que, ou foi a seu mando que tais “erros” sucederam, ou ela se beneficiou ilicitamente deles. Será que não aconteceram as duas coisas??

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Erro de tradução?? Será??
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14 Replies to “E a Virgem deu à Luz um Filho??”

  1. Ebrael, pela vida afora tenho pensado um pouco assim como você: que as ideias compartilhadas devem servir para nos aproximar, jamais para lançar muros! Com relação ao seu texto acima, fraternalmente quero lhe chamar a atenção para um engano seu, com relação à sua bem explanada explicação do termo ha almah: no caso, utilizamos o texto isaiano nas liturgias que se referem à Maternidade Divina, não ao Dogma da Imaculada Conceição… Como este assunto é bem amplo, prefiro ficarmos naquilo que, certamente nos une: que o Amor de Deus por nós nos inspire um fraterno amor, para além de qualquer diferença de compreensão e prática da fé. Paz e Bem.

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    1. Washington,
      O Amor de Deus, o próprio Deus, não é discutível, e seria delírio e loucura se o fosse! O que nos une nunca será rompido, que é o Amor à Verdade, mesmo que não a conheçamos, assim como não “conhecemos” a Deus!
      Sinceramente, não entendi a parte sobre a “Maternidade Divina” no seu comentário… Poderias explicar??
      Abçs e a Paz em Cristo!

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  2. Ebrael, bom dia.
    Penso que a discussão frisou uma pontualidade a qual não cabe desfoca-la por sentimentalismo ou crença obstinada. A visão do escriba tradutor original certamente foi influenciada;
    Isso ou aquilo a quem não se limita ao estudo da raiz discutida, por credo estará sempre buscando condicionantes a partir da formação religiosa incrementado por sua vez, desde o início da compreensão na formação da personalidade em família e catecismo.
    É dificil descrer ou reformular toda uma base deísta-cristã apenas em discussões em forum dessa natureza, mas serve ao papel primordial como objeto de crise.
    A capacidade interpretativa encontra uma barreira que limita o cristão a ir além daquilo a que foi condicionado desde sempre; antolhos em cego que entra em caverna escura, mesmo que o tiremos, a cegueira adquirida não o deixará ver ou interpretar a luz natural que na sua falta de visão não existe.

    Abraços

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    1. Luiz,
      Você chegou onde não me lembrei de chegar; você se lembra do mito da Caverna, de Platão? É a mesma coisa!
      É justamente dessa forma que coloco meus posts: com doses homeopáticas de pequenas dinamites na mente cristalizada de cristãos indolentes, alienados. A crise é um prato que se come por partes!
      Abçs!

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  3. Estas discussões “técnicas” são sempre muito interessantes. Eu normalmente fico sossegada a lê-las e a tentar aperceber-me dos diversos pontos de vista. Isto porque o meu desconhecimento bíblico é profundo. Mas, curiosamente o enigma da “virgem” mãe sempre me fascinou. Não pela metáfora da virgem=pessoa pura, sem maldade, mas pela obstinação dos católicos romanos em não aceitarem a gravidez como a sequência natural do acto sexual. Deste modo, mutilam o amor entre um homem e uma mulher, não o deixando culminar naturalmente no sexo.

    A tua pesquisa aparece aqui muito clara, nessa tradução do hebraico. Beijos!

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    1. Luisa, a minha intenção é justamente tornar essas exegeses da Bíblia, propositalmente intrincadas, um pouco mais acessíveis aos menos acostumados às tais.
      Claro, diga-se, que a alusão da Virgindade de espírito é muito útil, e cabe deveras, ao caso do Coração de Maria. Miticamente, sabemos o quanto a metáfora cabe nesse mito solar que é a profecia Crística!
      A Igreja mudará, certamente, pois sempre preferiu adaptar-se a ser destruída pelas vagas do Tempo! Creio eu!
      Bjs!

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  4. Olá Ebrael
    Tal qual a política, as religiões todas, interpretam o livro sagrado da maneira que
    lhes convém.
    Eu não entendo nada de teologia, por isso não posso opinar de uma maneira aprofundada nesta questão!
    Beijos

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    1. Não tem nada de teologia, Alba!
      É só analisar aquele printscreen que tirei, e juntar as 3 janelas em questão. Verificaremos que de uma versão original para outra, houve flagrante adulteração e modificação de palavras. De “uma jovem” dará à Luz um filho, fizeram “uma virgem dará à Luz um filho”. Daí, justificaram sua doutrina à luz das escrituas hebraicas dos judeus, que não tinham nada a ver com isso.

      Mas tá lá, pra quem quiser ver como funciona a máquina de adulteração lavadora de cérebros… não é uma Brastemp, mas está na casa de bilhões de pessoas!

      Bjs!

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  5. Não vejo como um engano na tradução possa invalidar uma religião.
    Acredito que a multiplicação das divindades da Igreja Católica, que se diz monoteísta mas cultua várias divindades, tem a ver com seus fundadores, os romanos, que explicavam a origem do mundo através de múltiplas divindades com características próprias que explicam diferentes fenômenos naturais, ao contrário das outras duas religiões co-irmãs: a religião judaica e a muçulmana, que acreditam em apenas um Deus que não se divide (os cristãos têm um Deus que, inicialmente, se subdivide em Pai, Filho e Espírito Santo).
    As divindades em Roma, copiada dos gregos, pressupunham a necessidade da existência masculina e feminina para explicar o próprio gênero humano. Daí o culto à Maria.
    A monogamia era outra característica romana que foi adotada pelos cristãos. Por isso o sexo não era bem visto pelos cristãos. Somemos a isto o celibato atribuído pelos cristãos a Jesus e a Paulo, que levou a religião para Roma.
    Tudo isto exigia um fundamento em um código que servisse de fundamento para a religião.
    Originalmente havia uma enorme diversidade no conteúdo das doutrinas das igrejas cristãs. Vemos que os ensinamentos dos diversos Evangelhos fazem referência a valores morais e diz respeito à busca e conhecimento da verdade existente em cada indivíduo, que deveria exteriorizar este valor através de obras a favor da sociedade e dos seus membros. Os ensinamentos dos evangelhos estavam longe das crenças romanas, que tinham caráter mais humano e material. Era preciso criar um código para nortear o cristianismo e foi criada a Bíblia, cuja compilação demorou muitos anos para ficar pronta.
    A Bíblia, coletânea de alguns livros (uns foram aceitos e outros não) que foram compilados pelos romanos para fundamentar a religião cristã, serviu de base para a religião, que passou a adotar conceitos mais humanos e materiais. Mas todo o cristianismo foi baseado no código que acabou por consolidar os dogmas cristãos, ganhando status de verdade absoluta e inquestionável sob pena de morte a quem duvidasse.
    Como vemos, alguns erros na compilação e na tradução destes livros, além de natural, dado o tempo no qual foi escrito (de 317 a 692 a.C.), foi também providencial para que os dogmas fossem fundamentados.
    Hoje vemos alguns questionamentos na forma mas não no conteúdo. De verdade todos os cristãos tomam como base a compilação dos livros que formam a Bíblia – quem não acreditar na Bíblia não é considerado cristão – e qualquer questionamento de conteúdo ainda é tido como heresia.
    Acho pouco os questionamentos na forma sem o questionamento do conteúdo.
    De qualquer forma, temos visto uma evolução. Não nas religiões cristãs, mas nos cristãos em si. Acredito que a humanidade continuará evoluindo e se tornando mais consciente dos fundamentos de todas as religiões.

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    1. Erick, os “erros”, que não passam de adulterações vis, são compreensíveis mas não aceitáveis! Muito mais nesse caso, onde bilhões de mentes estão subjugadas, os fins não justificam os meios. Os fins, aliás, condenam os meios, pois vemos que não fizeram mais do que manter de pé uma sociedade quase que em mortalhas. Mas não é natural que as sociedades decaiam?? Olhe a sociedade indiana: mais de 5000 anos e no que se transformou por não se ter renovado??

      O Novo Testamento sim, foi todo “aceito” e redesenhado a moda romana. O Antigo Testamento não, já que esse é todo de origem e estilo hebraicos. Agora mesmo estava eu lendo o Evangelho de Mateus, e verifico mesmo que ele foi escrito em aramaico, falado na Palestina daquele tempo, e me esbarro com a expressão “Espírito Santo”. Entre os judeus daquela época, essa expressão não existia! Affff…

      Bem, é isso! Deus nos ilumine, agora e sempre! Amém!

      Abçs!

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  6. Era Maria realmente virgem quando deu à luz a Jesus?

    Lucas 1:26-31 (BMD) relata que foi a “uma virgem”, cujo nome era Maria, que o anjo Gabriel levou as novas: “Conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus.” Nisso, o versículo 34 diz: “Maria perguntou ao anjo: ‘Como se fará isso? Pois sou virgem [“não conheço varão, expressão semítica para designar a ausência das relações conjugais”, nota ao pé da página da BMD; “não tenho relações com um homem”, NM].’” Mateus 1:22-25 (BMD) acrescenta: “Ora, tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor tinha dito pelo profeta: Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, ao qual será dado o nome de Emanuel, que quer dizer: ‘Deus conosco’. Acordando do sono, José fez como lhe tinha ordenado o anjo do Senhor: tomou consigo sua esposa. Mas ele não teve relações com ela até quando deu à luz um filho a quem deu o nome de Jesus.”
    É isso razoável? Certamente, não era impossível para o Criador, que projetou os órgãos reprodutivos humanos, causar a fertilização de um óvulo no ventre de Maria por meios sobrenaturais. De modo maravilhoso, Jeová transferiu a força de vida e o padrão de personalidade de seu Filho celestial, primogênito, para o ventre de Maria. A própria força ativa de Deus, seu espírito santo, protegeu o desenvolvimento do menino no ventre de Maria, de modo que o que nasceu foi um humano perfeito. — Luc. 1:35; João 17:5.

    Permaneceu Maria virgem para sempre?
    Mat. 13:53-56, BJ: “Quando Jesus acabou de proferir essas parábolas, partiu dali e, dirigindo-se para a sua pátria, pôs-se a ensinar as pessoas que estavam na sinagoga, de tal sorte que elas se maravilhavam e diziam: ‘De onde lhe vêm essa sabedoria e esses milagres? Não é ele o filho do carpinteiro? Não se chama a mãe dele Maria e os seus irmãos [em grego: a‧del‧foí] Tiago, José, Simão e Judas? E as suas irmãs [em grego: a‧del‧faí] não vivem todas entre nós?’” (À base deste texto, concluiria que Jesus era o único filho de Maria, ou que ela tinha outros filhos, bem como filhas?)
    A New Catholic Encyclopedia (1967, Vol. IX, p. 337) admite, relativo às palavras gregas a‧del‧foí e a‧del‧faí, empregadas em Mateus 13:55, 56, que estas “têm o significado de irmãos e irmãs consangüíneos no mundo de língua grega do tempo do evangelista, e, naturalmente, seriam entendidas neste sentido pelo leitor grego. Perto do fim do 4.° século (c. 380), Helvídio, numa obra hoje perdida, insistiu neste fato para atribuir a Maria outros filhos além de Jesus, a fim de torná-la um modelo para as mães com família mais numerosa. S. Jerônimo, motivado pela fé tradicional da Igreja na virgindade perpétua de Maria, escreveu um tratado contra Helvídio (383 AD) em que desenvolveu uma explicação . . . que ainda está em voga entre os eruditos católicos”.
    Mar. 3:31-35, BJ: “Chegaram então a sua mãe e seus irmãos e, ficando do lado de fora, mandaram chamá-lo. Havia uma multidão sentada em torno dele. Disseram-lhe: ‘A tua mãe, os teus irmãos e as tuas irmãs estão lá fora e te procuram.’ Ele replicou: ‘Quem é minha mãe e meus irmãos?’ E, percorrendo com o olhar os que estavam sentados ao seu redor, disse: ‘Eis a minha mãe e os meus irmãos. Quem fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe.’” (Faz-se aqui uma clara distinção entre os irmãos legítimos de Jesus e seus irmãos espirituais, a saber, seus discípulos. Ninguém sustenta que a menção que Jesus fez de sua mãe signifique outra coisa senão aquilo que está expresso. Há, então, lógica em dizer que seus irmãos legítimos não eram realmente irmãos, mas talvez primos? Quando se quer designar, não irmãos, mas parentes, emprega-se outra palavra grega [syg‧ge‧nón], como em Lucas 21:16.)

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    1. Ayrton, o foco principal do artigo é, a princípio, evidenciar a fraude e adulteração de um trecho (além de outros) de uma escritura em hebraico para fundamentar um dogma particular. Fraudar para se beneficiar ilicitamente dessa fraude! E não me venha com a desculpa de erro de tradução, pois erro é uma verossimilhança. De verossemelhante aquilo não tem nada!!

      Quanto à abordagem da palavra irmão, que vc citou, o sentido espiritual é dado por Jesus, mas não pelos fariseus irônicos!! Não se pode alinhar arbitrariamente duas linhas de pensamento, como a dos fariseus e a de Jesus! Se foi Jerônimo que assim viu, viu de forma totalmente amadora!!

      Quanto à “virgindade” perpétua de Maria, vide esse meu video:

      http://www.youtube.com/user/Ebrael?feature=mhum#p/a/u/1/t2W-yKvTkD8

      Abçs!

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