Como ser um Escorpiano?


Bem, hoje não vou falar do Epitáfio do Escorpião nem dos inúmeros motivos que as pessoas têm para amarem e/ou odiarem os nativos do signo Escorpião. Nessa noite semitrágica e semirreal, vou dar umas dicas para aqueles que sonham em conhecer um escorpiano serem ou parecerem tão fortes em personalidade e sagazes em sua sensibilidade.

Os Escorpianos são temidos menos por sua vingança atroz do que pela sua astúcia, menos por sua força de vontade do que por sua sensualidade e ânsia por Liberdade. Os nativos desse signo misterioso têm em si mesmos os segredos da Vida e da Morte, de polaridade negativo-passivo-feminina. Isso nada tem a ver com a opção sexual individual, e sim com suas potencialidades e características inatas.

E o que quer dizer quando mencionamos os escorpianos como detentores dos segredos da Vida e da Morte? Escorpião é o signo regente da casa VIII, a casa da Morte. Morte como trabalho da Vida, como fechamento de ciclos, desintegração de conceitos, de renovação da matéria e do espírito, bem como alternância de Poder. É o fogo frio da alma que se transforma: purifica por meio do enfraquecimento de laços, de vínculos e da revolução da mente, transitando entre um estado de existência a um outro, tal como alguém que dá um grande salto de uma pedra a outra em meio a um rio revolto.

Ícone do Poder

Para ser um escorpiano, deve-se falar muito do que não lhe é importante, distraindo seus oponentes, e calar para escutar o que lhe interessa. É necessário avançar sempre, nem que seja um avanço por meio de um recuo estratégico. Todo passo, contanto que nos mantenha de pé, é um avanço sobre a inércia, ainda que seja um passo atrás. É preciso ponderar sempre e assumir uma escolha, ainda que em meio a dúvidas. Escorpianos não fogem das dúvidas. As cruzes da Vida de uma escorpiano não são suas dificuldades, mas o tempo que ele leva para avançar em mais um degrau na escada do Calvário. Quanto mais cedo decidirmos, mais facilmente saberemos se fizemos ou não uma boa escolha (ou se ela nos é ou não favorável).

Para ser Escorpião, evite pedir desculpas; apenas repare o erro. Um ato sincero de reparação, calado, tem mais efeito do que palavras ao vento. Dizer que ama alguém é um ato de reconhecimento, quando sincero, mas amar e cuidar efetivamente de alguém ou alguma tarefa é muito mais proveitoso. Quem é escorpiano simplesmente é, não demonstra; faz, ao invés de só falar. Quem nasceu escorpiano nada teme, apesar de saber esperar por uma boa oportunidade para enfrentar um gigante. Ele sabe olhar nos olhos de seu amigo e lhe levantar o ânimo, e fulminar um adversário, fazendo-lhe beber até o último trago de sua inveja e mau-olhado.

Escorpiano não corre atrás de honras ou bajulações. Ele detesta o que não é genuíno, autêntico, falso. Ele prefere muito mais a convivência de um inimigo declarado do que a de um falso amigo. Diante de um inimigo declarado estamos cientes de uma hostilidade verdadeira, enquanto ao lado de um falso amigo enfrentamos o risco de uma omissão criminosa ou interesseira. Ele sabe que um criminoso assumido está muito mais perto de uma regeneração do que um “mocinho” medíocre.

Quem é escorpiano não consegue viver desapaixonado. Ele precisa de motivos para sorrir. Ele não sorri pela metade; ou ele ama intensamente ou odeia até a morte. Escorpianos doam suas vidas por aquilo que lhes vale a pena, por quem lhes deu a vida, ou a devolveu a si. Matam sem dó aquilo que lhes fazem mal ou não lhes fazem mais sentido, tais como vícios, maus pensamentos e comportamentos estéreis. Eles são faxineiros mentais por excelência.

Escorpianos fazem do sexo um ritual sagrado de Vida e Morte, não do corpo, mas encenam toda sua vida em minutos como um ato teatral do ciclo de sua Vida: tirar a roupa é como despir-se de seus preconceitos e véus mentais. Estar dentro do outro é como aceitar ter o outro em si. O Orgasmo é como aceitar o prazer supremo do outro como única recompensa para o curto-circuito cerebral a que se expõem. Nisso, baseia-se seus espasmo físicos. Toda a natureza selvagem e puramente sincera imiscui-se com suas alma livres de máscaras. Ali, eles vislumbram a real união entre o Céu e a Terra, entre o puro e o profano, entre o animal e o racional.

Resumindo: ame-se, orgulhe-se de si, nunca baixe a cabeça, mas também não bata em inimigo caído. Queira a Liberdade, ainda que a preço de dor, ou prefira o sossego pela renúncia. Mas, nunca, nunca mesmo, permaneça por muito tempo encima do muro.

Que me odeiem, contanto que me temam!

(Nero, imperador romano)

Assim, porquanto és morno, e nem frio nem quente, vomitar-te-ei de minha boca.

(Apocalipse, cap. 3, versículo 16)

Multicolorido


Todo ideal bolha de sabão
Tem de ser antes devaneio;
Se não, provoca-nos reação
E mostra, então, a que veio.

Está na raiz de dita canção
Sustém a junção e o anseio.
Se me perco, desando, vagueio,
Do Destino desmando o Coração.

De bolha de sabão, meu desejo
Torna-se célere em feroz ensejo,
Arco-íris brilhando, multicolor.

Mas, aos olhos cardeais, a dor
De mirar-te fugir ao sol se por
Eterniza-te em mim em um beijo!

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Postado em um comentário ao post: Ideal de Bolhas de Sabão

Amor ou Posse?


O nosso «amor pelo próximo» não será o desejo imperioso de uma nova propriedade? E não sucede o mesmo com o nosso amor pela ciênica, pela verdade? E, mais geralmente, com todos os desejos de novidade? Cansamo-nos pouco a pouco do antigo, do que possuímos com certeza, temos ainda necessidade de estender as mãos; mesmo a mais bela paisagem, quando vivemos diante dela mais de três meses, deixa de nos poder agradar, qualquer margem distante nos atrai mais: geralmente uma posse reduz-se com o uso. O prazer que tiramos a nós próprios procura manter-se, transformando sempre qualquer nova coisa em nós próprios; é precisamente a isso que se chama possuir.

Cansar-se de uma posse é cansar-se de si próprio. (Pode-se também sofrer com o excesso; à necessidade de deitar fora, pode assim atribuir-se o nome lisonjeiro de «amor). Quando vemos sofrer uma pessoa aproveitamos de bom grado essa ocasião que se oferece de nos apoderarmos dela; é o que faz o homem caridoso, o indivíduo complacente; chama também «amor» a este desejo de uma nova posse que despertou na sua alma e tem prazer nisso como diante do apelo de uma nova conquista. Mas é o amor de sexo para sexo que se revela mais nitidamente como um desejo de posse: aquele que ama quer ser possuidor exclusivo da pessoa que deseja, quer ter um poder absoluto tanto sobre a sua alma como sobre o seu corpo, quer ser amado unicamente, instalar-se e reinar na outra alma como o mais alto e o mais desejável.

Friedrich Nietzsche, in ‘A Gaia Ciência’