Oscar Wilde (1854 - 1900)

Loucos e Santos

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam … dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde, in “Loucos e Santos” (narração de Juca de Oliveira).

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Oscar Wilde (Oscar Fingal O’Flahertie Wills Wilde) – Escritor irlandês, nascido a 16 de outubro de 1854 na cidade Dublin, capital da Irlanda, vindo a falecer a 30 de novembro de 1900, em Paris, França. Na minha opinião, um dos grandes nomes da Literatura Universal, ao mesmo tempo que detinha uma capacidade poderosíssima de expor valores humanos, bem com sentimentos contraditórios, de uma maneira única e, deveras, hábil.

Entre suas obras mais conhecidas, temos O Fantasma de Canterville, O Recital do Cárcere de Reading e, o mais mundialmente aclamado, O Retrato de Dorian Gray. Depois de estudar em Dublin (Irlanda) e Oxford (Inglaterra), Wilde mudou-se para Londres, onde começou a ter uma vida social bastante agitada, sendo reconhecido por algumas de suas atitudes extravagantes.

Em Maio de 1895, após três julgamentos, foi condenado a dois anos de prisão, com trabalhos forçados, por “cometer atos imorais com diversos rapazes”.[5]Wilde escreveu uma denúncia contra um jovem chamado Bosie, publicada no livro De Profundis, acusando-o de tê-lo arruinado. Bosie era o apelido de Lorde Alfred Douglas, um dos homens de que se suspeitava que Wilde fosse amante. Foi o pai de Bosie, o Marquês de Queensberry, que levou Oscar Wilde ao tribunal. No terrível período da prisão, Wilde redigiu uma longa carta a Douglas.[3]

A imaginação como fruto do amor é uma das armas que Wilde utiliza para conseguir sobreviver nas condições terríveis da prisão. Apesar das críticas severas a Douglas, ele ainda alimenta o amor dentro de si como estratégia de sobrevivência. A imaginação, a beleza e a arte estão presentes na obra de Wilde[4].

Foi libertado em 19 de maio de 1897. Poucos amigos o esperavam na saída, entre eles o maior, Robert Ross. Passou a morar em Paris e a usar o pseudônimo Sebastian Melmoth. As roupas tornaram-se mais simples, e o escritor morava em um lugar humilde, de apenas dois quartos. A produtividade literária é pequena[4].

O fato histórico de seu sucesso ter sido arruinado pelo Lord Alfred Douglas (Bosie) tornou-lhe ainda mais culto e filosófico, sempre defendendo o amor que não ousa dizer o nome, definição sobre a homossexualidade, como forma de mais perfeita afeição e amor[2].

Oscar Wilde morreu de um violento ataque de meningite (agravado pelo álcool e pela sífilis) às 9h50min do dia 30 de novembro de 1900.

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Fonte paralela: http://pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Wilde

7 comentários em “Loucos e Santos (Oscar Wilde)

  1. Ebrael, eu não sabia como ele morreu. Tambem, naquele tempo, tudo era quase que impossível. O meu pai teve 2 irmãos que morreram de doenças considerados “bobas” nos tempos atuais, que um simples remedio poderia cura-los. O Meu avô materno morreu por não haver, ainda, e por pouco, penicilina.

    Quanto a este texto que ele fala sobre amizade, eu já havia lido certa vez e é isso mesmo.
    Voce não é meu amigo porque pude ve-lo atraves da pupila, mas já vi outras pessoas frente-a-frente que me decepcionaram. Então, são outros meios, mecanismos e ações que nos fazem irmãos.

    Beijos

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    1. O que causou a morte dele se divide em dois fatores: os excessos decorrentes da carência afetiva (apesar de ser casado e os conflitos que decorrem dessa relação) e pelo desgosto que a experiência da prisão por motivos sexuais causou na alma do Wilde. Isso tud provocou um trauma incurável na personalidade dele como escritor e ser humano.

      A amizade, como ele descreve, é aquela que rompe preconceitos e convenções sociais. Aliás, tudo que ele escreve tem um tom mordaz inconfundível de quem está muito além do seu tempo cruel e repressor…

      Bjs!

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  2. Que pecado! Eu ia dizer que não gosto, nunca gostei de poemas (Embora seja romântica). Meu Deus! Que blasfema! Tudo o que eu conhecia de Oscar Wilde era Seu romance, O RETRATO DE DORYAN GRAY. Ao ler Loucos e Anjos, me envergonhei. Que poema maravilhoso!
    Obrigada, mais uma vez!

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  3. É tem até aquele frase popular,”De santo e louco,todo mundo tem um pouco”,de acordo com o pensamento de O. Wilde,tudo dentro da normalidade se torna uma coisa imbecil e estéril,e eu diria que no mínimo chata demais,tudo certinho ,sem falhas,ninguém chega a nada,e eu diria mais;um pouco de ousadia para duvidar de muitas coisas que nós ouvimos,também acho que não faz mal à ninguém,para colocar-mos nossa maneira de pensar,não podemos nos deixar levar,por aquilo que os outros pensam,senão nunca teremos nossa própria opinião e as formas diferentes de pensar,é que pode fazer a diferença,ouvir sim,mas não temos que aceitar tudo .
    Conheço várias frases de diversos pensadores,más não posso concordar com tudo que dizem. Isto também se dá entre eles,é claro!
    Penso realmente que uma das coisas mais importante é saber ser moderado em tudo,esse é o grande segredo.

    “Muita gente estraga a vida com um doentio e exagerado altruísmo” (Oscar Wilde)

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  4. Sensacional. Descobri Oscar Wilde através do Morrissey e ele me apresentou vários outros escritores maravilhosos, como Jane Austen também. Nas palavras do Morrissey: ” As pessoas mais interessantes para mim, viveram todas no século XIX, já estão todas mortas”. KKKKKKK
    Ás vezes também me sinto assim, meio deslocada. Também, com este mundo que aí está! Eu não sou deste tempo! Sou dos anos 50, no mínimo! KKKKKKKKKK Bem, pelo menos é como me sinto em relação as coisas, Ebrael.

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    1. Este mundo que aí está odeia a originalidade e o gênio criativo. A arte hoje é pornô, imoral, sanguinolenta, doentia e clama pela Morte. Wilde, apesar da vida desregrada, clamava pela intensidade da vida, do sangue, da autenticidade de sentimentos, fossem eles pecaminosos ou não, ainda que nos vícios. Sempre me identifiquei com ele, embora eu não seja gay. Me identifiquei porque agi como ele até pouco tempo atrás, crendo que os vícios também traziam sabedoria. No máximo, nos ensinam lições do que não se deve mais fazer, isso se sobrevivemos a eles.

      Mas, sim, um grande gênio que expressava emoções de forma magnífica!

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