Kitsch: a indulgência plenária


“Antes de sermos esquecidos, seremos transformados em kitsch. O kitsch é a estação intermediária entre o ser e o esquecimento.”

(Milan Kundera in “A Insustentável Leveza do Ser”)


A palavra kitsch, em alemão, tem significados meio controversos. Tem a ver com estética e arte, denotando uma postura pouco tradicional, onde tudo é permitido para que não hajam tantas dferenças entre estilos. Imita o que é considerado, na forma erudita, como belo e aceitável, mas que, na verdade, é apenas um disfarce, uma máscara para que não fiquem visíveis a falta de originalidade, a indiferença e a falta de aderência às coisas.

Tentando entender o significado da expressão acima à luz do livro de Kundera, consoante seu tema principal (a volatilidade da Vida, de seus valores e percepções), ficou-me claro que ele quis dizer que o kitsch é nossa última e suprema indulgência em relação àquilo com que nos confrontamos e estamos em conflito. É como se tivéssemos de perdoar ou mesmo diminuir o peso sobre algo para que possamos então nos desapegar.

Tudo aquilo pelo que brigamos, até então, passa a não ter para nós tanta importância. Passamos a não discutir mais sobre certas coisas, aquelas mesmas as quais acreditávamos serem essenciais. Os pilares imprescindíveis de nossa posição perdem seu peso magicamente, de uma hora para outra, e nos perguntamos por qual motivo. Isso é sinal de uma situação gasta, de memórias não revistas com tanta frequência, de questões cujas respostas foram displicentemente proteladas.

Semelhante ao esquecimento de um ente querido que se vai, pelo qual só fica a saudade um pouco anestesiada, um kitsch compulsório, nosso esquecimento pelos outros passa pelo cansaço que nossa presença causa, pelos traumas e sofrimentos que podemos vir a inspirar. Quando a mente cansa, ela força o kitsch, a banalização dos pesares pelo famoso “eu não tô nem aí” ou por um “não me importo mais”. Se não for um blefe, devemos nos cuidar: pode ser o último perdão e supremo ato de indulgência anteriores ao afastamento da Vida e do Amor.

Fonte da citação: http://pt.wikiquote.org/wiki/Milan_Kundera
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5 comentários

  1. Ebrael, nao sei o que aconteceu com o WordPress, porque esqueci de me “logar” antes, escrevi o comentario e o perdi ao publicar! Afffffffffffffff…..

    Eu fui apresentada primeiramente no tempo da Faculdade atraves de um livro de Susan Sontag. Achei interessante como voce colocou, ainda mais porque gosto deste autor e este livro em especial. Então, depois de ler seu texto, fui voar pela internet e é uma delicia ler mais e mais.

    Bjs

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    1. Bem, você conhece bastante meu estilo e sabe que detesto fazer apenas repeteco das ideias de quem que r que seja. Se escrevo algo que assino, tem de ser original e vir acrescentar algo aos leitores. Anão ser, é claro, quando posto exressamente como citação. Fora isso…

      Se encontramos um autor ou tema que nos instiga, é assim mesmo, e ainda mais na internet. De página em página, de link em link, chegamos até os confins dessas grandes obras de inspiração, nas quais procuro me exercitar de vez em quando.

      Obrigado pela visita, um abraço e boa semana!

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  2. Olá Ebrael,
    Adorei este seu novo Blog, contendo mensagens de imensa qualidade, parabéns meu amigo e muito sucesso sempre!
    Surpresa como a sua no meu blog, são sempre bem-vindas meu amigo!!
    Fiquei muito contente e é um imenso prazer a sua visita, mas principalmente a comentar a mensagem que tanto alegria nos deu e continua a dar!
    Coloquei este seu novo blog na Lista dos meus Blogs, assim receberei actualizações das suas mensagens.
    Desejo-lhe muita saúde e continuação de uma boa semana !
    Grande e fraterno abraço deste seu amigo Luso, mas com metade do coração Brasileiro!
    FrancK

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