O Convidado e o Anfitrião


Michael Laitman, Cabalista.
Michael Laitman, Cabalista.

No “Prefácio à Sabedoria da Cabalá”, o Baal HaSulam apresenta a sua famosa parábola sobre o convidado e o anfitrião, o exemplo que reflecte a relação de uma pessoa com o Criador. O Anfitrião cumprimenta o Seu convidado como o Seu amigo mais próximo e, guiado unicamente pelo poder do Seu amor, quer dar-lhe tudo sem qualquer intenção de receber nada em retorno.

Ele obtém prazer por servir o convidado, está contente com isso, e não espera nenhuma compensação, porque a lei do amor obriga-O a agir desta forma. Pelo contrário, se o convidado se recusar a receber, isto irá chatear muito o Anfitrião, porque Ele tem um grande desejo de satisfazer completamente o convidado, o Seu amigo, com toda a abundância.
Se o convidado sente algum desconforto, este sentimento não vem directamente do Anfitrião mas vem emerge involuntariamente, uma vez que ele costumava estar vazio, e agora alguém lhe deu satisfação. E dentro desta satisfação, há algo vergonhoso, não merecido; há uma falta da sua própria participação e esforço, que faz crescer um sentimento de vergonha no convidado.
Nesta medida de vergonha, o convidado descobre o que lhe falta. Ele pensa: “O Anfitrião dá, e eu recebo. Como um recebedor, sinto-me envergonhado, mas não há vergonha no doador. Esta é a diferença entre o doador e o recebedor! Ele não está envergonhado porque Ele dá, mas eu não sou capaz desta acção de doação. Se eu pudesse dar como Ele dá, eu não me sentiria envergonhado; em vez disso, sentir-me-ia honrado!
O Anfitrião não sente qualquer honra na Sua doação para mim, porque doar é natural para Ele; Ele ama de acordo com a Sua natureza. Assim, Ele não está orgulhoso de dar; pelo contrário, assim Ele satisfaz o Seu desejo. Se eu dou, irá trazer-me honra em vez de vergonha. É por isso que a vergonha que estou a sentir agora é útil; irá ajudar-me a sentir o estado oposto: honra, respeito próprio, em adição à alta posição do doador”.
O recebedor obtém todos estes entendimentos como resultado da vergonha: porque e como deve ele realizar os passos necessários, de forma a não só extinguir a vergonha, mas também atingir o nível do doador. Aqui, não é simplesmente chegar à doação – a pessoa tem de chegar ao amor! Que esta vergonha faça crescer ódio em mim, que eu transformarei em amor, e então irei de facto atingir o estado do Criador.
Todo o amor que Ele tem será naturalmente uma grande aquisição para mim, que eu próprio atinjo e ganho. É por isso que agora começo a amar e a apreciar esta vergonha! É através disso, através das profundezas desta vergonha, que começo a sentir ódio, e deste ódio, eu chego ao amor.
A criatura chega a esta conclusão como resultado de uma série de esclarecimentos internas.
Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 27/6/11, “Prefácio à Sabedoria da Cabalá”

 

 

 

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3 comentários em “O Convidado e o Anfitrião

  1. Ebrael, eu conheço pouco sobre a cabala, tenho curiosidade. Sobre o amor e a doação, o que explica é muito compreensível para mim, mas muita gente não entende o significado, a ação, a resposta desta ação, o equilibrio proprio do domínio de si.

    Beijos

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  2. Ebrael,admiro sua inteligencia e sua capacidade de buscar conhecimentos e repassar aos seus amigos,parabéns conheço muito bem a história de cabala e admiro pelo amor que ele transmite.

    Beijos e um forte abraço !

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