A Cruz invertida e a retórica do escárnio


Dentre as táticas preferidas da Sinagoga de Satanás para a desmoralização de seus opositores (dentre eles, o principal é a Igreja), está o escárnio. O escárnio é a forma vil de ridicularizar algo, alguém ou algum grupo de pessoas, usando-se do que esses tenham de característico, não se preocupando se se está fazendo alusão a fatos reais, meias verdades ou folclores. O escárnio é o que dá origem à popular fofoca de comadres.

Sabendo já do que é essencial para este artigo, reproduzo a solicitação de uma amiga cristã protestante, dirigida nesses termos por e-mail:

Escreva um artigo em seu BLOG, tipo pegadinha.  Ou seja, chame atenção para um título sobrenatural, ligado ao Anticristo e esclareça de uma vez por todas que a Cruz Invertida não significa satanismo para os católicos, desde sempre, e sim faz uma referência ao apóstolo Pedro, mártir da Igreja  que quis morrer dessa forma, de cabeça para baixo.
Mesmo não sendo católica, tais comentários me soam ignorantes e tendenciosos.  É necessário que um católico esclareça.Embora muitos já o tenham feito.  Agora, com O ROCK IN RIO, novamente essa cruz foi apontada como SATÂNICA.

Entre tantos exemplos de escárnios, esse supracitado é um dos que mais me irritam, por dois motivos: pela malícia amadora dos que espalham essas lendas e a burrice dos que dão ouvidos a elas. Ah, falta de Fé? Fé passa longe dos que sentem dúvidas em relação a essas “pérolas”. É falta mesmo de prática do raciocínio!

Vamos delinear os fatos:

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A Igreja e a Cruz

Desde os primórdios da Igreja, organizada em bispados e presbitérios, a Cruz sempre foi o símbolo e penhor de nossa Salvação pela Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. É fácil atestar isso pela leitura das cartas de São Paulo e pela mesma fala de Jesus. Alguns perguntarão: “Mas, não era o peixe o signo com que se identificavam as comunidades cristãs na Igreja primitiva?” Era sim, mas por motivos de segurança, pois o peixe era um signo comum e não ligava diretamente os cristãos perseguidos à doutrina do “Nazareno”, evitando assim a identificação das pessoas mais simples, que facilmente entregariam, por falta de preparo, os presbíteros e bispos. Aí arremesso outra pergunta: quantas vezes encontramos, nas cartas de Paulo e após o início da pregação apostólica, o peixe como símbolo da Doutrina? E por aí vai…

A Cruz sempre foi o pilar da vida do cristão, em toda a História, desde o início da Era Cristã. Todos os delatores e críticos pagãos daquela época escandalizavam-se contra os cristãos pela forma com que entregavam sua vida, se fosse preciso, pela prática da virtude altruísta e pregação da Palavra do Nazareno, renegando os prazeres fáceis deste mundo e refutando o caminho da Iniquidade. E que símbolo melhor se coadunava com a entrega a esse martírio que a Cruz? Resposta: NENHUM!

Abraçando a Cruz do dia-a-dia, suportando uns aos outros na Fé, na vitória sobre as tentações e os pecados, chegariam à tão almejada vida de Graça aqui neste Mundo e à vida eterna na presença de Deus após ter lutado o Bom Combate contra os principados e potestades, que odeiam os batizados e os escarnecem desde aquele tempo, de todas as forma possíveis. Hoje, claro, com mais ardor do que nunca antes!

Papa na Cathedra e São Pedro crucificado de cabeça para baixo.
Papa João Paulo II na Cathedra e São Pedro crucificado de cabeça para baixo.

No entanto, com o passar dos tempos, a Igreja, fundada na Sé de Pedro (comunidade de Roma) e sob o Magistério dessa, adotou como um de seus símbolos a Cruz invertida, não como negação de Cristo, mas por alusão à forma com que Pedro decidiu entregar sua Vida na cruz (de cabeça para baixo). Afinal, se São Pedro, legítimo líder investido pelo Senhor, se achou indigno de morrer como Cristo, de cabeça para o alto por sua Supremacia espiritual, como seus filhos na Fé poderiam desejar outra morte?

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As Trevas e seu jogo infantil

A Verdade se proclama a si mesma, não necessitando colar seus preceitos em quaisquer outras muletas úteis. A mentira necessita usar da Verdade, pois ela não existe sem a Verdade, com a diferença que ela rejeita sua Luz. Assim, a Mentira é verdadeira enquanto fuga da Luz. A mentira é a “verdade” do Diabo. Seus servos a proclamam tão sinceramente como se falassem a Verdade que fica difícil apenas aos pusilânimes não detectar que é mentira. E como fazer isso? Simples. “Por seus frutos, os conhecereis”.

A Luz cria Vida e ordena tudo sobre o que está em Caos. Mas, ordena dentro da Liberdade. As Trevas, apenas aparentemente, fazem o mesmo. Como dizem os maçons, Ordo Ab Chaos, através da “Ordem nascida do Caos”. A diferença está nos frutos. A Luz cria Vida e abundância, a Liberdade através da justa medida para o eterno progresso da Vida. As Trevas não sanam o Caos, mas o instrumentaliza para criar a Morte, que é a Vida longe da Luz de Deus e do Amor. As Trevas, na ausência da Luz, criam seu próprio feto abortado de dor e a “verdade” nascida do Ego, nunca satisfeitas com o sangue que desce de sua placenta, sempre gerando monstros mais e mais insaciáveis.

Luz e Trevas não são antíteses. Trevas são os substratos rejeitados da ação depuradora da Luz. Nem tudo o que é atuado pela Luz é liberto da ignorância. Se o fosse, não haveria reconhecimento do Tempo como antes e depois de algo e o mundo material não existiria pela ausência das dimensões. A Luz atrai o que é seu e expulsa o que não é seu; as Trevas atraem o que não é seu para forjar uma vida efêmera e projeta o que é seu como lixo. As Trevas têm profundo desprezo por tudo que é trevoso. Todo ser humano tomado pela ação das Trevas tem profundo nojo por si mesmo, em particular, e por tudo o que não pode ser.

Assim, sabendo de sua desprezível condição, o Lobo (o Diabo) nunca se mostrará como realmente é nem vai perguntar às ovelhas (pessoas comuns e batizados) se elas preferem o Bom Pastor (Jesus) ou ele. Sabe também que será rejeitado, sempre e mais. Então, ele age, projetando a imagem do Pastor como um tirano que engorda as ovelhas para matá-las depois, um lobo mais feroz que ele, que age premeditadamente. Ele, ao menos, caça por que é essa sua natureza. Então, depois de escarnecer do Pastor, ele sussurra às ovelhas durante a noite: “Sou um lobo menos feroz, posso levá-las a pastos nunca vistos antes por vocês”. E, uma vez mais: “O Pastor vos entregará a mim depois, tudo para que eu não mate suas outras ovelhas mais importantes. Tenho um acordo com ele. Voltem-se a mim e poderemos fazer um acordo mais vantajoso para nós, e as livrarei de seu jugo e submissão”.

Ou seja, resumindo…

A mídia, os governos, os socialistas que prometem “justiça social”, que dizem defender a Vida mas defendem o direito ao assassinato de bebês e idosos doentes, os maçons, banqueiros e muçulmanos, fazem paródias grotescas do ideal cristão, depois de tentarem fazer com que esqueçamos desses ideais e tornar insípidas suas memórias. Sabendo que suas intenções são inaceitáveis à Razão, fazem com que o Bem seja prescindido em nome de necessidades imediatas, de leis decididas a  portas fechadas, de prazeres da libertinagem, de “Direitos” humanos contra os próprios seres humanos. Assim, não se preocupam em alardear seus intentos infames, mas apenas em tornar inaceitável a conduta dos que defendem o Bem e a Vida.

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A retórica do escárnio

Não raro, me acho gargalhando de certos tipos de comportamento tipicamente anticristãos. Por exemplo, quando vejo alusões às Missas Negras, oficiadas por bruxos da Idade Média e Moderna e agora voltando a assombrar a Europa, ou pessoas relacionando a Cruz invertida ao Satanismo. Ora, Satanismo é uma coisa, Cristianismo é outra bem diferente. Se alguém quiser pregar o culto ao Diabo, terá de se utilizar de preceitos e símbolos relativos ao mesmo Diabo.

A estratégia de propagar Missas Negras infames como forma de ultrajar a Igreja de Cristo acaba tendo efeito contrário. Primeiro: porque a Santa Missa tem sua antiguidade atestada como Liturgia e se funda nas palavras do Filho de Deus. Criar uma Missa Negra acaba por fazer propaganda ainda maior da verdadeira Missa, já que a Missa Negra torna-se uma piada, uma paródia de mau gosto e horrenda da Missa. Logo, qual delas as pessoas preferirão? A Missa, ainda mais fortalecida como celebração do Sacrifício propiciatório de Cristo por nossos pecados, ou um rito nojento em que a “bênção” consiste em dar um beijo na bunda do sacerdote do Diabo (ou osculum obscenum) e a hóstia feita com carne e sangue de recém-nascidos?

Com a Cruz invertida acontece a mesma coisa. No Rock In Rio deste ano, 2013, apareceu uma turma de idiotas úteis do Inferno que fez uma paródia do Papado e cujo símbolo é a Cruz invertida, tentando relacionar a Igreja Católica ao Satanismo. O nome da banda de idiotas é Ghost BC, cujo vocalista se autointitula Papa Emeritus II. Este grupo de imbecis é menos satanista do que anticristão. Pois, se Satanás, para  fazer propaganda de si mesmo, não tem nada melhor a oferecer do que piadas de mau gosto e intrigas contra Cristo, então ele não tem originalidade alguma. Até um empreendedor egresso das Universidades seria mais competente que o plagiador infernal!

Mas uma coisa é certa: como já fora dito, Satanás, para tornar aceitável sua baixeza, precisa rebaixar o que é sublime ao que está na lama, própria dele mesmo. Precisa trazer à baila do pântano o que é puro, necessita sujar com sua imundície o que é imaculado. Daí que ri gostosamente desses jovens idiotas, jogando-lhe em riste sua própria ingenuidade e imaturidade, sua fraqueza moral. Assim, mostrando que vendo o que é bom, ainda o rejeitam como sujo, como terão condições de repudiar o que realmente for nojento quando isto lhes for mostrado? Se desprezam o que é bom como descartável, como não aceitarão a bestialidade e o crime quando isso lhes for imputado como ideal?? Satanás é um fanfarrão rindo-se da forma como as ovelhas perdidas dançam ao sabor do vento!

“Papa Emeritus II”, vocalista da banda sueca Ghost BC.

A Cruz, invertida ou não, remete ao Cristianismo. Isso ninguém pode mudar, é um signo impregnado por fatos e ideias que não pode ser apagado ou modificado. Você pode mijar, colar chiclete ou escarrar na Cruz. Ela sempre será o que nos faz lembrar de Cristo. E assim é com o Caduceu em relação a Hermes, o menorá em relação ao Judaísmo, a Suástica ao Hinduísmo, Budismo e Nazismo. Acaso, se mudássemos as pás da Suástica de posição, a mesma perderia seu significado simbólico pagão e diabólico? Se as asas do Caduceu fossem mudadas em asas de avião, deixaria de nos remeter a Hermes ou à Contabilidade?

Portanto, alguns escarnecedores protestantes dão mais ouvidos a fontes anticristãs – ambos igualmente ignorantes – do que a Bíblia (Católica) que dizem seguir unicamente. Aliás, uma pergunta para os protestantes: onde na Bíblia está escrito que a Cruz invertida é símbolo do Anticristo? Acaso, Satanás foi crucificado também? Não me surpreenderia se ouvisse tal asneira, já que há “pastores” que dizem saber que Satanás se converteu (!?!).

Por aí reafirmo que a Cruz invertida ou normal, escarnecida ou como signo do martírio de São Pedro, sempre remeterá ao ideal cristão de Amor e entrega a Deus. Os escarnecedores do Inferno rejeitam tal esperança, enquanto a Igreja tem o dever de proclamá-la diante dos gentios, até que venha Nosso Senhor.

Maran Atah! Vem, Senhor Jesus!

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Para saber mais: http://www.espacojames.com.br/?cat=119&id=10366

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5 Replies to “A Cruz invertida e a retórica do escárnio”

  1. FANTÁSTICO RACIOCÍNIO!
    Tudo pode ser resumido com os questionamentos abaixo:

    A Cruz, invertida ou não, remete ao Cristianismo. Isso ninguém pode mudar, é um signo impregnado por fatos e ideias que não pode ser apagado ou modificado. Você pode mijar, colar chiclete ou escarrar na Cruz. Ela sempre será o que nos faz lembrar de Cristo. E assim é com o Caduceu em relação a Hermes, o menorá em relação ao Judaísmo, a Suástica ao Hinduísmo, Budismo e Nazismo. Acaso, se mudássemos as pás da Suástica de posição, a mesma perderia seu significado simbólico pagão e diabólico? Se as asas do Caduceu fossem mudadas em asas de avião, deixaria de nos remeter a Hermes ou à Contabilidade?

    Sou protestante, sim, mas obrigada por ter ouvido minha solicitação. Eu precisava que o porta voz da defesa fosse um católico e você os representa muito bem.

    É sabido que satanás copia tudo, tirando sua Mentira da VERDADE, pois sua intenção é confundir. Isso, desde sempre, desde que tentou soerguer um santuário, do feitio de uma torre para cultuar os seres do ocultismo, na tentativa de fundar um governo separado ao de Deus, na terra. Este foi o objetivo da construção da Torre de Babel, cujo significado é BAGUNÇA, CAOS, CONFUSÃo.

    A TORRE não existe mais. Deus a destruiu (Gen. 11), mas nem por isso Satanás, o anjo caído e sua legião,deixa de fazer CONFUSÃO.

    Obrigada

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  2. cruz para baixo, missas negras, tudo baboseira, em prol d denegrir uma entidade. sataná n precisa d propaganda barata, ainda q n despreza, pois muitos infelizes embarcam nessa. a humanidade por si só, jáz no “inferno´´, pois ainda mais aqueles q dizem q nada tem d errado e ou pecados. aqui em limeira tem uma piada sórdida, mas q diz muito bem essa realidade: SOU DO MUNDO E N QUERO IR PARA O CÉU, SE NAÕ N SEREI EVANGELIZADO… POIS O INFERNO ESTÁ CHEIO D “SANTOS´´.
    então, acredito q essas pessoas q fazem uso d tais artimanhas, é

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  3. Apenas gostaria de deixar uma pergunta aqui: o padre ensinou na missa a chamar de idiota quem tem opinião diferente da de vocês? Interessante esse conceito…. deve ser um dos ensinamentos que vocês aprendem com aquele livro que tanto gostam de ler não é mesmo??
    Acho bem legal que exista uma banda como o Ghost, para satirizar os hipócritas religiosos que adoram falar mal de qualquer outra crença que não seja a sua, como se a sua crença fosse algo superior a tudo e todos .
    No mais, inverto aqui a sua frase: “Não raro, me acho gargalhando de certos tipos de comportamento tipicamente CRISTÃOS”. Abraços.

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    1. O padre não me ensinou a chamar idiota ao que é idiota, mas não seria nada mal que a sinceridade fosse mais valorizada do que o comportamento “politicamente correto”.

      A sátira é tão ou mais hostil que um adjetivo bem colocado. Logo, eu sou cristão, mas não sou santo. Sou homem, pecador, imperfeito mas, antes, bastante ciente da idiotice de outros seres humanos, pecadores e imperfeitos, além da minha própria.

      Curioso: não me peguei gargalhando de você. A indiferença é algo bem mais condizente. Sinto muito, terráqueo!

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