Nesses tempos de falsos rumores apocalípticos, campanhas em massa de desinformação e alienação geral, cada fraude é útil para enfraquecer a capacidade de discernimento da população (que já é diminuta). Nesse clima de guerras, conspirações, chantagens e crescente poder nas mãos de políticos totalitários, é temerário que pessoas divulguem como “verdade” profecias e superstições sem submetê-las a uma severa investigação histórica e crítica.

Entre os muitos gêneros de alertas apocalípticos, causam muita comoção nas massas as profecias acerca do Fim dos Tempos (ou do Mundo). Uma das mais especuladas e pouco investigadas é a profecia de São Malaquias. Mas, resumidamente, do que trata essa profecia?

São-Malaquias-profecia (1)

São Malaquias realmente existiu como personagem histórico. São Malaquias (em irlandês antigo: Malachy Máel Máedóc Ua Morgair; em irlandês moderno: Maelmhaedhoc O’Morgan) nasceu em 1094 na Irlanda. Ainda na adolescência tornou-se abade de Armagh (cidade da Irlanda), e em seguida bispo da mesma cidade. Foi canonizado em 1199 pelo Papa Clemente III, por sua vida de virtudes e renúncias em prol da pregação do Evangelho em sua terra natal.

A ele são atribuídas certas visões que vieram a formar, a partir do final do séc. XVI, a Profecia dos Papas. Tais visões, transcritas em texto, descreveriam 112 papas a partir de Celestino II e teriam ocorrido durante uma viagem do santo bispo a Roma. O ponto da “profecia” que mais levanta especulações é sobre o último Papa católico, descrito como Pedro Romano (em lat., Petrus Romanus) que, segundo a lista dada por tal “profecia”, viria após aquele que descreveria Bento XVI. Ainda segundo as “previsões”, o último Papa sofreria perseguições, ao fim das quais a Igreja Católica seria destruída.

Esse texto, embora seja atribuído a um autor do século XII, só se tornou de conhecimento público em 1595, quando o beneditino belga Arnoldo de Wyon o inseriu no seu opúsculo Lignum Vitæ, ornamentum et decus Ecclesiæ (Lenho da Vida, ornamento e glória da Igreja); nessa obra dividida em cinco tomos, Wyon enumera os monges beneditinos que ilustraram a sua Ordem, entre os quais é apresentado São Malaquias, monge de Bangor, tido como profeta.

É curioso que, sendo São Malaquias tão ascendente sobre mais de um Pontífices consecutivos, não as tivesse revelado a ninguém e mantido em segredo. É mais curioso ainda que tenham vindo a público quase 400 anos após a morte de São Malaquias, quando o mesmo já não poderia mais vir atestar a veracidade dos escritos e dias antes da realização de um conclave para eleição de um papa. Obviamente, as visões poderiam facilmente ser usadas como instrumentos de intimidação contra os cardeais eleitores, que evitariam eleger aquele que se parecesse com o “próximo” da lista naquela ocasião. Essa é a coisa que mais pesa contra o documento: ter vindo com potencial de favorecimento político para alguns setores.

Além do mais, nesses 400 anos entre a morte de São Malaquias e o aparecimento desse documento, nenhum relato, registro ou comentário fora feito na literatura e anais eclesiásticos. Seria normal, e até compreensível, que monges que participavam da Ordem e da diocese de Malaquias não escondessem as “profecias”, no caso de haver qualquer indício de sua existência. Seria glória para a Ordem e atrairia a fama e muitas doações de nobres e políticos. Mas, nada, nada mesmo, foi comentado acerca em longos 400 anos.

Os títulos indicativos aos primeiros 74 pontífices da lista se encaixam perfeitamente, em significado, aos personagens reais do texto. Pois é, mas esses 74 pontífices são exatamente os mesmos que já tinham sido Papas até o momento do aparecimento do documento. Estranhamento, a descrição do papa seguinte a 1595 até os papas mais atuais é vaga e pouco precisa. Os especuladores que tentam nos fazer ver nas descrições dos Papas da “profecia” os Papas reais de nossos dias chegam a fazer comentários forçados, tendenciosos, como que querendo que elas sejam válidas por força do “grito” ou da primeira característica provável. Mas, as características atribuídas aos Papas do séc. XX até hoje são, curiosamente, intercambiáveis – ou seja, aplicáveis a vários Papas sem ser exclusivas de nenhum.

A seguir, um vídeo em que o Padre Paulo Ricardo derruba, de forma brilhante e irretorquível, os argumentos falhos e tendenciosos, sem sustentação histórica alguma, da assim chamada Profecia dos Papas.

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Fontes:

2 comentários em “A profecia atribuída a São Malaquias é uma fraude!

  1. Mano Ebrael, há de chegar o dia, depois de muitos sofrimentos em vão, em que a humanidade chegará à conclusão do tempo perdido em não cuidar da observância rigorosa do seu próprio comportamento, dentro da absoluta consonância com as leis naturais de paz, amor e fraternidade, que é o que garante o bom viver e derruba e invalida qualquer profecia nefasta. Sim, porque rege o universo a lei de causa e efeito. Em se plantando o bem, somente o bem se colherá. Simples assim. Entretanto, difícil de entender para todos os confusos, por viverem de confusão e de disseminá-la entre os nossos semelhantes, decorrente da falta de conhecimento verdadeiro da vida. Forte abraço!

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    1. Nágea, quando se fala em “lei de causa e efeito”, esquece-se de mencionar a Causa Primeira, origem de todas as séries de efeito-causa-efeito. E, considerando tudo como uma realidade rasa de causa e efeito, cai-se na ilusão de que o homem foi criado ao acaso, por si mesmo e que todo essa realidade resolve-se por si mesma, sem um futuro a se cuidar, sem um Juízo diante do qual prestar contas. Ora, é justamente a noção falsa de liberdade do “Faze o que tu queres” que cria esse comportamento inconsequente.

      Se há uma Causa Primeira, a origem dessa Causa segue originando causas pela necessidade de mantê-la eternamente, como forma de manter o que criou. É isso que chamamos de Vontade de Deus! E essa Vontade está muito além de nossa compreensão, pois não enxergamos nem o que deseja o nosso irmão, quanto mais o que queira Deus.

      Deus se revelou em sua encarnação em Cristo. A Palavra de Deus se fez carne, e habitou entre nós. O viés que delineia todo o Destino da Criação deve manifestar-se, pois se origina na Luz que afugenta as trevas. É nisso que acreditamos! A nível pessoal, os efeitos e reações aos fatos profetizados podem variar, mas a linha que conduz a um acontecimento necessário é incorruptível – ou seja, não pode ser rompida!

      Assim disse Nosso Senhor: “A semeadura é livre, mas A COLHEITA É OBRIGATÓRIA!”

      Obrigado pela visita e fique na Paz do Cristo Ressuscitado! 😀

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