Sou católico, esse blog é escrito por um católico, mas que continua a ser um homem que usa os miolos. E, como não poderia deixar de ser, nesse Verão em que adentramos hoje eu preciso ainda mais criticar essa mania que o brasileiro tem de seguir costumes tão bisonhos.

Um deles consiste em trocar a Missa pela praia sob as mais deslavadas desculpas. O camarada não vai mais à Missa porque diz que o padre é meio esquisito, que critica seu candidato nas eleições. Evita entrar na Igreja sob a alegação de que não tem um só ventilador e que as beatas, Ministras da Comunhão, parecem zumbis a querer lhe fazer comer algo contaminado. Não poupa nem o coitado do senhor que recolhe a oferta voluntária, ao qual faz cara de segunda-feira e reluta em buscar 50 centavos no bolso da bermuda do próprio filho de 12 anos! (Já presenciei essa e outras coisas bem mais entristecedoras!)

Mas, não seriam as praias, aos domingos fazendo 40 graus de infernitude, algo bem mais tenebroso e desestimulante?

Não! Para esses bundões e beberrões, não!

A praia, mesmo com o convite ao pecado da preguiça e da luxúria, estranhamente, não é lá o paraíso da comodidade para os castigados pelo tédio. É, sim, um teste para a contradição daqueles que rejeitam a tradição que ensina e reúne todos em oração há dois mil anos e preferem a tradição da bizarrice e da falta de senso do ridiculo.

Vejamos se a minha crítica se alinha à acidez de Luiz Fernando Veríssimo, logo abaixo. [Trechos em azul e entre colchetes] são “reflexões” minhas, de inteira irresponsabilidade de quem vos transmite essas boas notícias.

Chegou o verão!

Verão também é sinônimo de pouca roupa e muito chifre, pouca cintura e muita gordura, pouco trabalho e muita micose. Verão é picolé de Ki-Suco no palito reciclado, é milho cozido na água da torneira, é coco verde aberto pra comer a gosminha branca. Verão é prisão de ventre de uma semana e pé inchado que não entra no
tênis.

Mas o principal ponto do verão é… a praia. Ah, como é bela a praia! Os cachorros fazem cocô e as crianças pegam pra fazer coleção. Os casais jogam frescobol e acertam a bolinha na cabeça das idosas [inclusive as que fazem topless sonhando em se tornar a Suzana Vieira]. Os jovens de jet ski atropelam os surfistas, que por sua vez, miram a prancha pra abrir a cabeça dos banhistas.

O melhor programa pra quem vai à praia é chegar lá bem cedo, antes do sorveteiro, quando o sol ainda está fraco e as famílias estão
chegando. Muito bonito ver aquelas pessoas carregando vinte cadeiras, três geladeiras de isopor, cinco guarda-sóis, raquete, frango, farofa, toalha, bola, balde, chapéu e prancha, acreditando que estão de
férias.

Em menos de cinqüenta minutos, todos já estão instalados, besuntados e prontos pra enterrar a avó na areia. E as crianças? Ah, que gracinhas! Os bebês chorando de desidratação, as crianças pequenas se socando por uma conchinha do mar, os adolescentes ouvindo walkman [hoje, ficam no Facebook até sair o último mendigo] enquanto dormem.

As mulheres também têm muita diversão na praia, como buscar o filho afogado e caminhar vinte quilômetros pra encontrar o outro pé do chinelo. Já os homens ficam com as tarefas mais chatas, como furar a areia pra fincar o cabo do guarda-sol. É mais fácil achar petróleo do que conseguir fazer o guarda-sol ficar em pé.

Mas, tudo isso não conta, diante da alegria, da felicidade, da
maravilha que é entrar no mar! Aquela água tão cristalina, que dá pra ver os cardumes de latinha de cerveja no fundo. Aquela sensação de boiar na salmoura como um pepino em conserva. Depois de um belo banho de mar, com o rego cheio de sal e a periquita cheia de areia, vem àquela vontade de fritar na chapa.

A gente abre a esteira velha, com o cheiro de velório de bode, bota o
chapéu, os óculos escuros [a maioria de cores berrantes e de “prástico”] e puxa um ronco bacaninha [arrota até o cachorro-quente da noite anterior].

Isso é paz, isso é amor, isso é o absurdo do calor! Mas, claro, tudo tem seu lado bom. E, à noite, o Sol vai embora. Todo mundo volta pra casa tostado e vermelho como mortadela, toma banho e deixa o sabonete cheio de areia pro próximo. O shampoo acaba e a gente acaba lavando a cabeça com qualquer coisa, desde creme de barbear até desinfetante de privada [descolorante alternativo para as viciadas em definitiva]. As toalhas, com aquele cheirinho de mofo que só a casa da praia oferece.

Aí, uma bela macarronada pra entupir o bucho e uma dormidinha na rede pra adquirir um bom torcicolo e ralar as costas queimadas. O dia termina com uma boa rodada de tranca e uma briga em família. Todo mundo vai dormir bêbado e emburrado, babando na fronha e torcendo pra que na manhã seguinte faça aquele sol e todo mundo possa se encontrar no mesmo inferno tropical.”

(Crônica de Luiz Fernando Veríssimo)

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