Malandro no Limbo


Para Edgar Allan Poe, in memoriam.

***

Deita-te, Malandro,
Até que a música acabe,
O Tempo pare,
O Limbo lamba,
E o corvo se aquiete.

Senta-te, aqui, Malandro!
Retire esse escafandro
Que te cobre.
Oh, pobre
Malandro,
Como o louco danças,
Ris, te retrais num meandro
Te laceras entre os matos…
Avanças.

Sim, avanças intrépido
Por essa estrada curva.
E, por mais que a água
Te seja turva,
Te firmas em teu cajado lépido,
E te lanças…

Ah, essas crianças!
Coitadas, matreiras,
Que paixões faceiras
Elas insuflam!

Mas, não te aflijas, Malandro!
As folhas de Coqueiro
Até hoje me arrefecem,
Essas quais te dão cheiro,
Charme e te é por travesseiro.

Elas te protegerão do Céu
Que te esmaga;
Te sustentam o Véu
Que te puxa.
Vai-te, joga-te! Paga!

Dissolva esse breu medonho!
Não te entendem jamais
Quando grita, do teu Profundo
Inferno, esse seu Demônio!
Pela Vida te guio,
Recubro, reergo.
Não ri quem pensa que venceu,
Quando a Vitória desapareceu,
Nessa Vida que é
Um Sonho dentro de um Sonho?

***

Fonte: http://ebraelshaddai.blogspot.com.br/2012/06/malandro-no-limbo.html

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