Antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de numerosos crentes (639). A perseguição, que acompanha a sua peregrinação na Terra (640), porá a descoberto o «mistério da iniquidade», sob a forma duma impostura religiosa, que trará aos homens uma solução aparente para os seus problemas, à custa da apostasia da Verdade. A suprema impostura religiosa é a do Anticristo, isto é, dum pseudo-messianismo em que o homem se glorifica a si mesmo, substituindo-se a Deus e ao Messias Encarnado (641).

Esta impostura anticrística já se esboça no mundo, sempre que se pretende realizar na história a esperança messiânica, que não pode consumar-se senão para além dela, através do juízo escatológico. A Igreja rejeitou esta falsificação do Reino futuro, mesmo na sua forma mitigada, sob o nome de milenarismo (642), e principalmente sob a forma política dum messianismo secularizado, «intrinsecamente perverso» [1] (643).

A Igreja não entrará na glória do Reino senão através dessa última Páscoa, em que seguirá o Senhor na sua morte e ressurreição (644). O Reino não se consumará, pois, por um triunfo histórico da Igreja (645) segundo um progresso ascendente, mas por uma vitória de Deus sobre o último desencadear do mal (646), que fará descer do céu a sua Esposa [2] (647). O triunfo de Deus sobre a revolta do mal tomará a forma de Juízo final (648), após o último abalo cósmico deste mundo passageiro (649).

***

Texto extraído do Catecismo da Igreja Católica, parte 1, seção I, cap. 2, 675-677. Disponível em <http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s2cap2_422-682_po.html>.

[1] Não é muito difícil distinguir o “messianismo secularizado” como sendo o Iluminismo, através do qual a salvação do homem viria da Iluminação pelo conhecimento, e também sendo o Comunismo, de índole intrinsecamente messiânica, porém colocando o homem como seu próprio messias, adepto de um Messianismo ateu, de inspiração judaico-talmudista.

[2] Ou seja, não é a Igreja que se auto-salvará, através de seus membros e de uma vitória temporal, uma predominância como sede da Religião Universal no Mundo. Com efeito, a Esposa descerá do Céu. A Igreja Triunfante descerá e levará para o Céu, para junto de todos os outros santos, os agraciados com a salvação que se encontram na Terra (Igreja Militante) e no Purgatório (Igreja Padecente).

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