Pensamento dos animais (2)


(Read this post in English: click here)

Estava eu cá pensando (não sou um gato de verdade, mas um holograma deles): agora posso formular a hipótese de que os animais de algumas espécies, ao menos aquelas com cérebro mais desenvolvido, realmente pensam. Só não conseguem pensar como nós por um motivo principal: eles não falam, não têm uma linguagem sobre a qual possam reverberar seu pensamento.

Por exemplo: nós, quando pensamos, o fazemos como se estivéssemos ecoando em nosso cérebro o som de nossa fala. Eles, por não falarem, pensam, mais ou menos, como o fazem os autistas e surdos-mudos de nascença. Esses autistas têm uma vantagem: eles conseguem reconhecer a seus pais falantes como semelhantes a si, eles trazem essa memória genética. Assim, teriam um pensamento um pouco mais elaborado que o dos animais.

Por não se expressarem por uma linguagem elaborada, o conteúdo do pensamento dos animais (tais como gatos, cães, cavalos, papagaios, golfinhos, etc.) consiste inteiramente de sensações que se transformam em imagens (sons do exterior ou dos seus pares, cheiros, fome, sede, tato). Isso permite que, por exemplo, eles sonhem ou relacionem, à distância,  o som de um certo pote à comida e à sua possível fome. Seu nome, repetido diariamente por seu tutor, o estimula imediatamente.

Isso me mostra, finalmente, que o componente básico que torna um ser mais ou menos inteligente é a Memória. Exatamente por isso que, num idoso com Mal de Alzheimer, a degradação das estruturas da Memória o faz regredir mentalmente até ao ponto de morrerem, pois é a Memória que faz um ser saber-se necessitado de comida, estendendo-se aquela não apenas à atividade intelectiva, mas às instintivas também.

Portanto, quando você ouvir alguém dizer que um animal não pensa porque ele é puro instinto, diga-lhe que todo animal com algum nível de Memória pode pensar. Nada é inútil na Natureza, nem a Memória. Se um animal aprende, ele o faz porque correlaciona elementos sensíveis e passíveis de serem memorizados. Isso não é apenas resultado de condicionamentos nos animais, pois os humanos também são expostos quase o tempo todo a condicionamentos, ambientais ou emocionais.

Fazer correlações, escolher o caminho mais adequado — eis o indício de atividade intelectiva, ou seja, que envolve compreensão da realidade. A linguagem é apenas um upgrade. No caso dos seres humanos, no entanto, o que deveria, em boa medida, servir para a comunicação com o exterior, acaba por desligá-los, em certo nível, de seu interior, de suas origens ancestrais.

Anúncios

4 comentários em “Pensamento dos animais (2)

Escreva abaixo seu comentário:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s