Razão Social: Verdade Ltda.


De longe, quando vemos o que as pessoas fazem e dizem, pensamos conhecê-las melhor que elas mesmas. Triunfalmente, mandamos recados criptografados, disfarçados de mensagens bem-intencionadas, pretendendo alfinetar e mostrar que, finalmente, temos a chance de ouro de confrontá-las com aquilo que elas negariam até para Deus (se realmente se lembram d’Ele em certas horas).

Triste é a peça que nos prega o Destino quando percebemos que tais pessoas nos testam durante todo o tempo. Disfarçamos a obsessão, nos fazemos de tolos, inocentes, como boneco de posto costuma fazer. Tentamos disfarçar nossa maldita certeza: “Tá tudo bem! Do que você tá falando mesmo? Eu não sei do que você ‘tá me acusando. O que eu lhe fiz de mal? Por que tanto ódio e aversão pela minha pessoa?”.

Acaso, não sofreríamos, então, de criptomania? Não é esse o mal dos que tentam disfarçar suas intenções, sempre às escondidas, na esperança de provar que o que há dentro de nossa cartola é um coelho de quatro orelhas e oito olhos verdes? Ou será um canivete? Todo criptomaníaco é, potencialmente, fanático.

Com efeito, pensamos contar com visão privilegiada a partir de nosso mirante há 500 ou 1.000 km de distância de Plutão quando, na verdade, estamos a ser monitorados 25 horas por dia por olhos de águia presentes em cada centímetro quadrado do Sistema Solar. Testam nossa paciência e continuam deplorando nossa estupidez, infantilidade e fanatismo. Afinal, por que elas fariam de tudo, nas nossas fuças, para que tivéssemos o que apontar delas na multidão dos extraterrestres? “Viu como eu estava certo(a) o tempo inteiro?? Eu disse…”.

Não, não é 1º de Abril, é 10 de fevereiro, e não é nem um pouco divertido sermos confrontados com a evidência mais gritante de nosso fanatismo, de nosso complexo de possuidores exclusivos da Verdade do Universo. “Perdeu, playboy”. O pior de tudo é isso ocorrer quando não ouvimos sequer uma acusação direta, mas apenas sussurros. “Tá vendo que eu tô te vendo? Tô vendo o que você tá pensando… sobre o que você acha que eu tô fazendo”.

Num último brado de orgulho ferido, soltamos a última pérola:

“Prometo dizer a Verdade, somente a Verdade, nada mais que a Verdade… sobre você!”

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