Como eu me acostumei a reunir os recortes de coisas que deixo espalhadas por aí, resolvi colar mais esse no mural onde me junto às pessoas pelas quais nutro mais do que simples estima, mas Amizade, e genuína.

Ontem, ainda, me peguei identificado com Valéria, a qual como que conseguia visualizar surfando lágrimas de mercúrio (aquelas que pesam mais do que o impossível), ao descrever sua dor de Morte. Aliás, sobre a Morte:

“Hoje penso que a morte é o maior aprendizado que tenho. É ver de perto as miudezas que me deixam com jeito arrogante, as impaciências que me distanciam da essência, dos dias que nem me perfumo, das risadas que não dou, sempre quando levo as coisas a sério demais.”

Então, eu lhe respondi:

“Você acima retrata, fielmente, como você se sente e, coincidentemente, o que eu sinto também. Nos envergonhamos de todos os pequenos incidentes pequenos de nossa vida. Porém, se as pequenas coisas boas nos enternecem, por que as pequenas coisas ruins nos repugnam? Têm essas em comum com aquelas serem pequenas. Conclusão: somos suscetíveis de qualquer forma, permanecemos por demais carentes. Nossas lentes mentais são sensíveis demais, pequenas demais.

“Eu, até hoje, tento entender, apesar de ter meus pais ainda vivos sobre a Terra, de pé. A Morte, sim, tem seu peso, pois é a interrupção de laços que ganham vida própria, vida separada dos que a criaram. A morte do corpo das pessoas tem menos peso do que a morte da relação que perdura por décadas, até mesmo por mais de um século. Parece que a nossa relação com elas e as imagens, que tanto nos sensibilizam, suplantam o ser mesmo da outra pessoa que se foi. É o que chamo de “complexo do ídolo ausente “, relativo à imagem e as sensações que se tornam gigantescas diante do que o outro é, pequeno como nós.”

“Decidi, há muito, não mais tentar entender, pois perde-se muito tempo com isso. Mas, vez por outra, escrevo sobre isso, para não me esquecer (e não deixar que os “outros” esqueçam) o quanto eu sou pequeno e como é bom não ter muito para carregar. Deixo tudo aqui, lado a lado: minha mala pequena e minha grande saudade. A primeira, vai comigo; a segunda, fique com ela quem quiser.”

Minha amiga ainda se dignou a me responder mais uma vez, antes que eu lhe pedisse para postar aqui essa minha reflexão.

“A morte é um enigma que só conhece quem já morreu. É um processo de todos nós, mas você nunca esta preparado para ele. Procurar ser leve é o melhor caminho para desfrutar o que temos direito de ver e viver. E é só isso. Tratar as coisas como coisas e as pessoas como pessoas. Não vamos virar “santos”. Mas vamos saber que caminho seguir.”

Por que não estamos preparados para passar pela morte? E o que pode ocorrer depois que a Alma deixa seu companheiro de décadas, o Corpo, para se dissolver na imensidão do Éter, enquanto o Espírito volta para a Fonte? Enigma, dit-moi, dit-moi !!

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3 comentários em “A Morte não carrega seus ídolos

  1. Júlio César, minha amiga Luisa, lá de Alagoas me recebeu, quando a expedição esteve por lá. Ela me disse uma coisa que nunca vou esquecer. Ela disse: “Um homem não é lembrado por sua profissão. Isto são citações bibliográficas. Um homem é lembrado, no seu meio, por todo folclore que envolve seu nome”.
    Eu fiquei pensando nisso. E disso, eu acabei descobrindo porque gosto de contar histórias. Os tais casos. O que são eles? É a história aumentada. Porque é nesta parte da vida que a gente é de verdade. E é nesta parte da vida que a gente é gostado para sempre.
    Gratidão por se servir dos meus recortes.

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    1. Val, a palavra “profissão” tem dois significados intimamente ligados: 1) a ocupação de alguém, e; 2) o que esse alguém verbaliza de suas convicções. E por isso que sempre acreditei que, embora todo trabalho enobreça o ser humano, é no trabalho em que se acredite que o mesmo ser humano se realiza. O homem trabalha, crê naquilo que faz como expressão do que acredita e, então, “faz seu nome”. Acho que nossos nomes estão aí, e assim serão lembrados, por termos feito e realizado o que professávamos. Levamos isso adiante, nosso nome está ligado ao que fazemos e impregnado daquilo em que acreditamos. Essa é a nossa “Profissão”, de fato e de Fé na Vida.

      Os tais e quais “casos” são, sim, realidades aumentadas, elevadas à potência do mito. Sempre disse que mitos nada tinham de inverdades, mas são mais puramente reais do que as histórias ditas oficiais, da vida das pessoas e dos povos. Um Macunaíma se tornou Brasil coletivo, uma Alice nasce e se manifesta, finalmente, dentre marmitas e gatos, tapetes e viagens. Como digo, mitos são tições de fogo imprimindo diretamente na “carne” da alma. 😉

      Foi um prazer revê-la, Valéria. Um beijo!

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