A fama de Roma surgiu com o desenvolvimento de um punhado de povoações da planície do Lácio (região central da Itália). Uniram-se, elegeram seu rei e iniciaram seu crescimento, o qual só pararia aproximadamente 900 anos depois, no séc. II d.C. De uma população pastoril, surgiu uma civilização, uma cultura de alcance mundial e duração que exorbita os 2.750 anos.

Mas, em que o potencial do Brasil poderia ser menor ou o nosso desenvolvimento menos bem sucedido do que os dos romanos? Em que teríamos errado, quais as boas condições e as não tão favoráveis em nossa caminhada rumo ao desenvolvimento? É o que tentaremos demonstrar a seguir.

O Brasil é uma república federativa, saído de uma monarquia constitucional. Roma, há mais de dois mil anos, despontou como uma realeza minada por lutas sangrentas pelo poder, tendo evoluído para o sistema republicano, dividida em províncias, tendo culminado no Império.

O Brasil sofre hoje de uma crise hídrica. Das águas, depende-se não apenas para beber, tomar banho ou produzir alimentos. A maior parte da energia elétrica consumida pelos brasileiros necessita de grande aporte de águas. Roma e suas províncias não contavam com a energia elétrica, a vida era mais austera. No entanto, as obras de engenharia que o gênio romano se propôs a erguer se realizaram em espírito pioneiro e com eficiência invejável para a época, e mesmo para nós, a quase três milênios de distância.

Podemos entender esse abismo de tempo e virtudes entre Roma e o Brasil analisando o caso da obra de transposição do Rio São Francisco, que promete (ou prometia) levar água a áreas do Nordeste brasileiro extremamente carentes de água para consumo humano e irrigação de plantações. Ora, anos se passaram, projetos foram refeitos (diz-se: readequados) inúmeras vezes, como se os engenheiros das empreiteiras ainda estivessem estagiando, sem diplomas. Enquanto tenta-se cumprir etapas, numa clara demonstração de incompetência, bilhões de reais se perdem no ralo da corrupção e da burocracia. A disciplina de Gerenciamento de Projetos é afrontada. Parece não existir sequer um engenheiro ou burocrata interessado no término da obra.

Os romanos não tinham tantas fontes de impostos. Não possuíam máquinas hidráulicas ou tecnologia de perfuração de túneis. Não dispunham de instrumentos eletrônicos de precisão. Não contavam com empreiteiras para a realização das obras. No entanto, conseguiram, há mais de dois mil anos, construir sistemas de aquedutos para trazer água dos Alpes e dos rios Reno e Danúbio para distribuir água por toda a Itália, chegando a abastecer, em boa medida, à capital do Mundo, Roma.

Modelo do aqueduto romano, maravilha da engenharia antiga.

Roma chegou, no tempo do Império, a contar com mais de 1 milhão de habitantes. Foi a maior cidade da Antiguidade, centro de cultura cosmopolita e de negociação de valores. Poderíamos encontrar de tudo que testemunhamos hoje em uma grande metrópole. Roma contava com um sistema de esgoto, a Cloaca Máxima, projetado para sanear a cidade de seus dejetos. Tomava medidas contra incêndio, regulamentava o crescimento. Roma tinha leis semelhantes aos nossos Planos Diretores atuais, que ordenavam a expansão dos bairros. Comparativamente, tudo funcionava melhor em Roma há dois mil anos do que no Brasil de hoje, mesmo com a diferença tecnológica.

Algumas estradas romanas, construídas sem quase nada do que temos hoje em termos de tecnologia, permanecem até hoje. Não apenas monumentos à Engenharia, mas aos padrões estéticos, ergonômicos, ambientais. Eram econômicas quando o assunto eram os gastos com construções, pois privilegiavam materiais encontrados na própria região e eram projetadas para minimizarem a necessidade de manutenção. Hoje, as estradas são construídas com fins a assegurarem gorda conta de manutenções, muitas saindo de algum lugar para nos levar a lugar algum. Isso quando não causam acidentes graves.

Trecho da Via Appia, Itália, estrada romana com quase dois mil anos de existência.

Mesmo sob o estigma da escravidão, atualmente abominado, Roma era organizada, com uma burocracia razoavelmente efetiva. Aliás, devemos dizer que o Ocidente deve a Roma a complexidade burocrática, bem como o próprio modelo de Direito como regente das relações sociais e delas originadas. As leis nasciam de necessidades da sociedade não pautadas em modismos e aberrações subjetivas, mas na realidade objetiva. Isto é, criava-se leis com base nas tradições que uniam a nação e na maneira como elas poderiam evoluir para acomodar todos os grupos sociais, minimizando as tensões e redistribuindo direitos.

Em Roma de dois mil anos atrás, os jogos de poder e ambições dominavam a cena política, como sempre ocorreu em tudo que envolva disputa por territórios, em qualquer sociedade humana. No entanto, havia uma identidade em torno de Roma. Havia unidade. Patrícios, não raramente, se uniam a plebeus quando em face de uma ameaça externa, fossem essas militares, fossem culturais. Foi justamente a imigração de elementos exógenos (bárbaros e germânicos) revolucionários que ajudou a agravar a grave crise institucional que culminou com a queda do Império Romano do Ocidente, em 476. A invasão multiculturalista de bárbaros, semitas, germânicos, seguidas de revoltas dessas populações já incrustadas numa sociedade em crise, foi o que ditou o tom da derrocada de Roma, em conjunto com outros inúmeros fatores.

Aprendamos a lição de Roma: elementos culturais radicais (tais como o Islamismo extremista, a invasão comunista-marxista do PT, MST e partidos de Esquerda, etc.), que subvertem o espírito tipicamente pacífico do brasileiro, ameaçam não apenas a economia, mas a própria estrutura da unidade da Nação. Parecemos não aproveitar os bons exemplos nem nos precaver das desgraças que nos testemunhou a História de Roma.

Pelo exposto, vemos por quais motivos Roma foi matriz de toda a civilização ocidental e por que o Brasil é motivo de piada até para países inexpressivos. O Brasil parece ser a Anti-Roma, e não é pela ausência de escravidão, mas pelo cinismo com que exalta a mediocridade.

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