A abelha, a coruja e a vara


O menino era ladeado, à média distância, por seus dois preceptores, Merum e Nagad. Os três permaneciam na praça deserta da pequena cidade há mais de um mês. Graves testes deveriam assaltar o garoto em preparação para voltar ao seu país nas montanhas do Leste do Rio, onde esperavam-no para assumir o trono no lugar de seu regente atual. Assumiria ou não?

No âmbito das provas morais e espirituais, bem como da práxis mística que deveria exercitar, seus dois preceptores assentaram-se, lado a lado, diante do menino vestido com uma túnica azul e coberto com malha fina de ferro. Calçava sandálias de couro cru. Merum, então, propôs ao garoto um súbito enigma, apontando para a palmeira solitária no meio da praça:

— São três as perplexidades diante do que vês, garoto: uma abelha que se pica, uma coruja que não pia e uma vara que não marca a pele. Qual a semelhança entre elas?

Obviamente, tendo em vista a aparente incoerência dos elementos individualmente e, mais ainda, na relação entre eles, podemos perceber se tratar de um enigma simbólico. A abelha era símbolo da realeza efetiva, entre os egípcios e representava o poder do Faraó. A coruja evoca a sabedoria ancestral e obstrutiva das mães, que abrem o vaso do útero ou o fecham, impedindo a vida de prosseguir sua marcha. A vara pode nos remeter à ideia de aplicação da justiça e da correção.

Um rei que não reina, a sabedoria que não vela e a justiça que não corrige. Eis, por isso, indícios simbólicos da realidade daquele menino imaturo que, a princípio, tem “a faca e o queijo” nas mãos. Pensa reinar, mas de nada se apossa. Imagina saber sem nunca praticar. Anseia pela justiça, empunha e verga a vara, mas sem jamais sentir os efeitos corretivos sobre suas mazelas.

O menino precisa caminhar em direção ao seu Destino, praticar o que aprendeu e abrir o “bico”, velar e interpelar a si mesmo sobre o que é justo e a isso se deve submeter. Nada, em teoria, vale a pena, senão na prática. Sentir o cheiro da chuva não significa ser batizado pela chuva inteiramente. Quem está na chuva é para se molhar!

Os dois preceptores, na madrugada seguinte, logo antes da aurora, acordaram o príncipe, que dormia sob a palmeira dos beduínos, e o levaram a Erde Betakhes, que se situava na montanha de Rokhi, entre as terras dos lektianos e vustianos. Enquanto Merum vigiava o caminho, Nagad o punha à prova a cada momento, sem descanso. Jam Katem era seu nome, o nome do futuro rei de Erde Betakhes, a “Terra da Promessa”.

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5 comentários

  1. QUE LINDEZA E QUE ELEVAÇÃO DE TEXTO, COM LIÇÕES DE PRINCÍPIOS UNIVERSAIS, EM HARMONIA COM AS LEIS NATURAIS DA NATUREZA, QUE SEMPRE EXISTIRAM, EXISTEM E CONTINUARÃO EXISTINDO PARA BENEFICIAR TODOS AQUELES QUE NÃO AS IGNORAREM! MARAVILHA, MANO! E SUA PESSOA, ELEVANDO-SE CADA VEZ MAIS! APOSTEI, DESDE O INÍCIO EM SUA NOBRE PESSOA, PESSOA DE FIRMEZA E DETERMINAÇÃO, COMO OUTRAS CORAJOSAS PESSOAS QUE TENHO ENCONTRADO, QUE COLOCAM A VIDA VERDADEIRA EM PRIMEIRÍSSIMO LUGAR! MEUS APLAUSOS DE PÉ! GRATÍSSIMA! E VAMOS EM FRENTE, QUE ATRÁS, COM CERTEZA, VEM G E N T E ! MEU ABRAÇO FRATERNO ELEVADO, DE LONGAS ERAS, E QUE SE PROLONGOU POR TODAS ELAS ATÉ O PRESENTE, CULMINANDO NESTE ENCONTRO SUBLIME ONDE, FINALMENTE, ESTAMOS CHEGANDO AO FINAL APOTEÓTICO DESTA GRANDIOSA VIDA QUE DEUS NOS DEU, PARA ENCONTRO MAGNÂNIMO COM ELE, ATRAVÉS DA SABEDORIA DELE PRÓPRIO, QUE NOS É REPASSADA A CADA INSTANTE, ATRAVÉS DAS MAIS SIMPLES OCORRÊNCIAS DO DIA A DIA, REVELADORAS DA VERDADE DAS VERDADES, QUE ESTÁ PRESENTE EM TODA A EXTRAORDINÁRIA E SOBERANA MÃE NATUREZA.
    DEUS, O RACIOCÍNIO SUPREMO DO UNIVERSO, SEJA SEMPRE LOUVADO, RESPEITADO, OBEDECIDO E ADORADO!

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