Sobre a falta que alguns lugares nos fazem


Eu já senti falta de alguns lugares, muito mais pela surpresa que os ambientes desses locais me causaram do que por qualquer contra coisa. Geralmente, por não sabermos muito sobre algum lugar, dizemos ou pensamos qualquer coisa para fazer de conta que sabemos algo.

Chegamos lá e tomamos um susto. Tudo era diferente. A pobreza (ausência de posses) das pessoas passa a ser uma dificuldade apenas para nós, não para os nativos. Afinal, ricos ou pobres, todos morrem. Nos acostumamos a desejar viver e morrer bem; eles, por outro lado, se acostumaram a viver e morrer de qualquer jeito, com certeza.

As pessoas são diferentes, todas unidas por algum por-do-sol aconchegante. Inclusive, acabamos contando àquelas pessoas, que não raro falam alguma língua totalmente estranha, o que não contaríamos às nossas mães.

(Texto postado como comentário na postagem “Sobre um lugar que faz falta“, do blog Vai sem medo, de Isadora.)

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2 Replies to “Sobre a falta que alguns lugares nos fazem”

  1. É assim mesmo. O inusitado nos pega de surpresa. E a saudade que fica é mais uma forma de ganhamos. Do algo que muda dentro da gente. Acrescenta e soma. Não no formato “antes e depois”. Nos torna “mais” e melhor.
    A saudade vem dai: daquele instante em que ganhamos um outro olhar, um outro sabor, um outro som. E é gostoso de sentir isso.

    Grande abraço!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Sempre me senti assim, uma metamorfose ambulante, resultado de comparações de mim mesmo. Parece redundante essa percepção, mas é nas entrelinhas que sentimos quanto isso é diferente de pessoa para pessoa. Antes e depois: parece óbvio. Mas, com o passar dos anos, isso passa a fazer toda a diferença. Nada igual a nada, ninguém é igual a ninguém, nenhum lugar é igual a lugar algum. No entanto, sempre sentimos saudade de lugares comuns justamente quando estamos longe destes lugares. Nos lembramos de pessoas conhecidas onde menos esperamos encontrá-las, tão longe e tão perto.

      P.S.: sinto que você anda escrevendo, mais que em outros tempos, por frases curtas, ofegantes, quase a perder o fôlego. É só impressão, é só na escrita ou você anda ofegante também na vida real? 😀

      Um saudoso abraço!

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