Nota do Autor: Embora boa parte do que será exposto aqui já tenha sido, por muito tempo e incontáveis vezes, ecoado na História do Misticismo e da Filosofia, vou procurar expor apenas pensamentos meus , fruto de anos de reflexão.

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Por Ebrael Shaddai.

Como poderíamos pensar naquilo que não tenha início e/ou fim? Como representar, simbolicamente, o Infinito, ou aquele a quem nos acostumamos a chamar “Deus”? Como foi criado o Universo? Se todo o Universo estivesse contido num ponto do tamanho de uma cabeça de um átomo, como dizem os teóricos do Big Bang, o que encontraríamos ao redor dele?

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Convencionou-se dizer que o Universo começou com uma expansão a partir de um ponto minúsculo de matéria, infinitamente densa, num evento chamado de Big Bang, ou “grande explosão”. Mas, se tudo o que conhecemos estava num único ponto, o que havia ao redor? Espaço? Mas, acaso, o Espaço não têm massa, inclusive o vácuo (que não é vazio)? Se havia espaço ao redor do “primeiro ponto”, então havia algo em redor. Se esse “ponto” existiu, ele foi fruto de uma mudança em alguma substância desconhecida e, portanto, nesse caso, já havia o Tempo.

Essas considerações põem toda uma cadeia de conjecturas da Ciência Humana, limitada como seus cultuadores, em xeque. Existir, sob a ótica humana vulgar, é estar dentro de um esquema espaço-temporal, ou seja, ter dimensões definíveis e/ou sofrer mudanças. Como eu já havia escrito há algum tempo, minha visão de “existência” é um pouco diferente e, acho eu, mais específica.

Temos um problema: se a Ciência disser que o Universo depende, em tese, unicamente da força de expansão (maior que a força de contração, pela Lei da Entropia) para continuar sua marcha, então estaria declarando que ele teria espaço infinito para onde avançar, sem limites. O limite — decisivo e único — seria o enfraquecimento da força de expansão e que, portanto, ela ou empurra os limites do Universo para mais além ou os “fabrica” de alguma forma. Obviamente, essas conjecturas são contraditórias. A infinitude descarta os limites, mesmo se considerarmos outros possíveis Universos além deste nosso.

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Fato: o ser humano jamais conseguirá pensar em algo infinito. Sempre que tentar, esbarrará em um muro intransponível: tudo que pensar ou imaginar, necessariamente, terá limites ou características que eliminam a possibilidade da infinitude. É como pensar em “tudo” ou “nada”, ou seja, em valores absolutos. Nós pensamos em limites, porque sentimos os limites e porque sentimos a nós mesmos. Somos limitados pelo Espaço-Tempo. Nosso pensamento é espaço-temporal. A palavra “Eu” é o limite entre o que eu não era e o que eu sou, e isso persegue o Pensador aonde quer que ele vá.

Para pensarmos no Infinito, precisaríamos ser o Todo ou olharmos com os olhos do Todo. Mas, se fôssemos o Todo, não pensaríamos, pois compreenderíamos tudo. Pensar é precisar entender e, portanto, não ser o Todo. Ser o Todo é como ser Nada. O Todo Infinito é uma “não-coisa”, pois ser algo é ter limites. O Infinito é uma possibilidade constante de ser algo sem ser coisa alguma, pois “ser” situa algo em algum lugar, em algum tempo, após um “início”, ou seja, após uma mudança, deixando a condição constante.

Os Sábios Antigos costumavam representar o Infinito através da figura de um círculo, pois sua inscrição não possui um ponto inicial nem final. Porém, logo se aperceberam que o círculo separava o espaço dentro de si daquele de fora. Assim, já não mais servia. Para não ter quaisquer limites, a representação precisaria ser nula, sem linhas, pontos, cores ou volumes, dimensões. No entanto, nada serviria, pois o Infinito é tudo, e ao mesmo tempo não pode ser representado de forma alguma. Chegaram à conclusão que o Todo também é o Nada. Finalmente, as palavras Tudo e Nada são antônimos, opostos. De duas, uma: ou tratam da mesma realidade ou são opostos, sendo, portanto, uma divisão de dois e não infinitos (ao menos, conceitualmente).

Como, então, poderíamos representar o Infinito simbolicamente? Se tomarmos a Metafísica cristã de Deus como base, não teríamos sucesso. Deus não pode ser definido. Talvez, pudéssemos dizer o que ele não é. Ainda assim, possibilidade de Não-ser algo pressupõe a oposta possibilidade de Ser, logo variável e finita, definível.

Certo dia, o cronista de minha preferência, Paulo Mendes Campos, escreveu em seu Folclore de Deus:

Bebe a água sem bebê-la. Vai a toda parte sem ir a parte alguma.

Devaneando e divagando (a redundância é intencional), convencionei simbolizar o Infinito por N.N., ou seja, Neutrumque Nullum. “Nem uma coisa, nem outra”. Nem Tudo, nem Nada. A negação de algo deixa aberta a possibilidade de outra coisa. Mas, quando você nega todas as possibilidades, você transcende todas essas coisas possíveis. Ele estará logo ali, (não sabe-se como) além de todas as possibilidades. Ele é o Grande Madrugador, que antecipa a Aurora sem jamais vê-la, o orvalho que sobe da terra, o canto do galo, o silêncio da Natureza, a ãnsia antes do primeiro choro do bebê.

Deus, o Infinito, é uma grande contradição. Sua Existência é contraditória à subsistência humana que, por sua vez, é uma sombra efêmera e imperfeita, talvez até um sonho, da Eternidade. Somos sonhos do Infinito, de uma “noite” que, essa sim, virtualmente parece não ter fim. Pense em como o personagem de um sonho desejaria conhecer o Sonhador como ele o é, sabendo-se ele um elemento de natureza subsistente ao Sonhador. Para sair do “sonho”, não lhe bastaria morrer. Ele teria que ser aniquilado, definitivamente, das camadas de “sonho”, deletado do Universo que o “sonho” do Infinito gera continuamente, “noite” afora.

Em outra palavras, para pensar no Infinito, uma contradição intransponível, o ser humano (mesmo se fosse apenas com sua alma sutil) teria que passar por algo a que eu chamaria de “singularidade de sonho”: deixar de ser finito e, portanto, deixar de ser ele mesmo. Resultado: ou ele se contenta com sua finitude, ou ele dela abdica e deixa de ser ele mesmo, mergulhando no limbo, sem jamais conhecer o que não pode conceber nem em um mísero segundo.

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4 comentários em “De Infinitudine (Sobre o Infinito)

  1. É QUE ENERGIA PURA, A ORIGEM DE TUDO E DE TODOS, É UM SER DE FREQUÊNCIA VIBRATÓRIA TÃO PERFEITA E PURA, DE ABSOLUTA PERFEIÇÃO, QUE A FREQUÊNCIA VIBRATÓRIA DO ANIMAL RACIONAL NÃO ALCANÇA, POR SER INFINITAMENTE INFERIOR.
    O DESENVOLVIMENTO RACIONAL É EXATAMENTE A EVOLUÇÃO DA NOSSA FREQUÊNCIA VIBRATÓRIA, PASSO A PASSO, MUITO NATURALMENTE, ATRAVÉS DO CONHECIMENTO RACIONAL, EXPANDINDO NOSSO NÍVEL DE CONSCIÊNCIA, ATÉ PERDERMOS ESSA NOSSA CONSCIÊNCIA DEFORMADA, DEGENERADA, POLUÍDA E ENFRAQUECIDA DE BICHO, E ALCANÇARMOS UMA NOVA CONSCIÊNCIA, UMA CONSCIÊNCIA SUPERIOR, COM OUTRA CAPACIDADE DE ENTENDIMENTO.
    COMPARAR NOSSA CAPACIDADE CONSCIENCIAL COM A CAPACIDADE DO VERDADEIRO MUNDO TRANSCENDENTAL, É MESMO QUE QUERER QUE UM INSETO TENHA A COMPREENSÃO E CAPACIDADE DE ENTENDIMENTO DE UM ANIMAL RACIONAL – MUITOS ESTUDIOSOS SE ESQUECEM DISSO.
    A CIÊNCIA DESTE MUNDO EM QUE HABITAMOS AINDA ESTÁ MUITO ATRASADA, POIS, O UNIVERSO JAMAIS PODERIA TER SIDO CONSTITUÍDO A PARTIR DE UM SER MATERIAL, POR MÍNIMO QUE FOSSE, JÁ QUE A MATÉRIA, POR MÍNIMO QUE SEJA O PONTO, É O RESÍDUO DE UMA DEGENERAÇÃO E DEFORMAÇÃO ENERGÉTICA PRIMORDIAL, DE PARTE DELA.
    TUDO DEVA DE SER ENTENDIDO EM TERMOS DE ENERGIA, DE FREQUÊNCIA VIBRATÓRIA. SENDO POIS, A MATÉRIA, O FUNDO E FINAL DO POÇO, A DIMENSÃO MAIS DENSA, A CONSEQUÊNCIA NEFASTA E, NÃO, COMO QUEREM, A BASE E/OU INÍCIO DA VIDA DESTE MUNDO EM QUE HABITAMOS. PARABÉNS SEMPRE PELAS PEQUISAS INCANSÁVEIS QUE FAZ PARA NOS DAR O PRAZER DA LEITURA DE SEUS EXCELENTES TEXTOS. ABRAÇO ELEVADO E ADMIRAÇÃO DE SUA IRMÃ NÁGEA.

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    1. “Tudo vibra, tudo é onda”, como nos diz a Mecânica Quântica. Tudo vibra em seu interior, tudo é, ao mesmo tempo, partícula e onda vibrando. A partícula é a onda condensada em uma unidade material dentro do Espaço-Tempo.

      Mas, nessa postagem, Nágea, quis mesmo refletir sobre o alcance da mente humana sobre o Infinito. Não se pode pensar sobre o Infinito, pois é impossível que a Forma pense sobre a Luz primordial, tal como o Rio pensar sobre sua Fonte escondida no interior da Montanha.

      Prefiro não pensar sobre a degeneração, não hoje. A abstração, tanto quanto a ignorância, por vezes, é uma bênção, por mais paradoxal que isso possa parecer. 😉

      Um abraço!

      Curtido por 1 pessoa

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