Como muitos internautas, busco me informar sobre os mais recentes e preocupantes acontecimentos no Oriente Médio. Não estou tão próximo ao que está acontecendo na Síria neste momento, mas posso fazer alguns apontamentos para ajudar meus leitores a entenderem a situação de forma geral e alertar sobre o que podemos esperar para as próximas semanas.

O governo de Bashar Al-Assad não é o mais “democrático” que há no mundo, mas ainda está longe de ser um governo terrorista e ilegal. Trata-se de uma ditadura, mas é essa ditadura que mantém a estabilidade na Síria há décadas. Lembremos que os serviços secretos do Ocidente têm vasta experiência na sustentação de ditaduras em todo o mundo, a começar pela CIA, dos EUA. É, portanto, patético escutarmos Barack Obama e outros burocratas engravatados, a serviço de bancos ocidentais, estufarem o peito e falarem em “liberdade, justiça e democracia”. O cinismo grassa e abunda nessas paragens.

É um erro querermos que todos os países do mundo, em quaisquer situações, sigam um modelo de governo que é específico do Ocidente e cuja legitimidade é quase sempre contestável. Ademais, ainda que a família Al-Assad permaneça no poder sírio há muito tempo, muitas minorias importantes do país encontram proteção sob seu mando contra uma maioria islâmica sunita, cujas tradições fanáticas ameaçam de extermínio quaisquer grupos que se lhes oponham, incluindo seus irmãos de fé de outras tradições.

Vejamos alguns pontos interessantes:

  • Há, mais ou menos, quatro anos e meio, grupos de rebeldes se insurgiram contra as forças de segurança do governo de Bashar Al-Assad, alegando brutalidade no tratamento da Polícia síria a manifestantes anti-Assad. Não tardou, e pudemos perceber que as manifestações eram encomendadas do exterior, a mando dos EUA, no mínimo. Assim, o fermento subversivo veio do exterior, buscando forjar uma legitimidade que não se encontrava na própria Síria, como se houvesse ampla contestação à legitimidade de Al-Assad.
  • Logo, se revelaram os nomes das organizações “moderadas” que iniciaram uma guerra civil contra Al-Assad: o principal grupo rebeldese chama Free Syria Army (Exército pela Síria Livre). Logo, os EUA, não podendo intervir diretamente na Síria por esta ser aliada estratégica da Rússia e China na região, começaram a financiar e treinar abertamente os rebeldes. O ponto mais patético da política americana e da OTAN para a região é o fato de começarem, junto com a Arábia Saudita e Catar, a admitir a parceria de um grupo chamado de Jabhat Al-Nusra, um braço armado da Al-Qaeda (essa, justamente, a que, onze anos antes, foi acusada de ter causado o maior atentado terrorista da história americana).
  • Não satisfeitos com a resistência de Al-Assad e a insuficiência das ações dos grupos supracitados, a CIA e o Mossad (respectivamente, serviços secretos dos EUA e Israel), com dinheiro, equipamentos e armas dos wahhabitas (ramo radical dos muçulmanos sunitas) da Arábia Saudita, Catar e Bahrein, criaram um proxy army (exército mercenário) conhecido, atualmente, como Estado Islâmico, com fins a derrubar os governos xiitas do Iraque e da Síria, buscando isolar o Irã e o Hezbollah (milícia do Líbano).
  • Hoje, os EUA alegam que os terroristas que o Ocidente financia são “moderados” e “lutam pela democracia”. Pura cara-de-pau e mentira, como sempre! Não é preciso ir muito longe na pesquisa para descobrirmos que o FSA (criado para derrubar o governo Assad) coopera com os assassinos de cristãos do ISIS e que seus financiadores são os governos ocidentais e seus aliados terroristas no Oriente Médio (Israel, Arábia Saudita, Turquia & Cia.). Aqui temos a prova e outros links para pesquisa.
  • Assim, temos governos gastando bilhões de dólares em impostos saídos dos bolsos de cristãos para financiar o genocídio de outros cristãos. E ainda temos energúmenos que se dizem “cristãos conservadores” apoiando os EUA e Israel na Síria. Pode uma coisa dessas?
  • O Estado Islâmico, que já foi conhecido sob várias siglas (ISIS, ISIL, IS, EI, Daesh), é um grupo de mercenários que alega pretender a criação de um “califado” islâmico no Oriente Médio e, a longo prazo, no Mundo inteiro. Usa de técnicas preferenciais de seus criadores e padrinhos (Israel, EUA e Arábia Saudita): o Terrorismo. Decapitações, estupros, escravidão, genocídio. Hoje, ganham dinheiro vendendo petróleo bruto do Iraque à Turquia, Arábia Saudita, Catar e Israel, trocando-o, também, por armamentos pesados. Além disso, usam o dinheiro para contratar mercenários e jovens muçulmanos de vários países, inclusive ocidentais.
  • O Estado Islâmico é autor de assassinatos de dezenas de milhares de cristãos do Iraque, da Síria e do Curdistão, obviamente sob encomenda. Estupros, torturas e decapitações de adultos, jovens e crianças, que se recusam a renegar a sua Fé em favor do fanatismo islâmico, são corriqueiros nas cidades tomadas pelos terroristas. Entre os grupos de resistência ao Estado Islâmico, estão as heróicas milícias curdas do YPG (os peshmergas) e do YPJ (as brigadas militares das mulheres curdas), que já infligiram, sem ajuda de nenhum país ocidental, importantes baixas ao fronte dos terroristas.

A Rússia, ao soar do gongo, resolve salvar o regime de Al-Assad e evitar a queda de mais um país diante da política sionista-americana de isolamento do Irã e do Hezbollah (do Líbano) no Oriente Médio. Com a queda de Al-Assad, os oleodutos sírios cairiam como presas fáceis dos sauditas, americanos e israelenses.

Há mais de um ano, americanos e forças da OTAN fingem combater o Estado Islâmico com bombardeios aéreos esporádicos, sem grande efeito. Sabem, no entanto, que seus aliados sauditas financiam os terroristas que dizem combater, enquanto Israel continua dando cobertura aos terroristas “moderados”, lançando ataques aéreos ao Exército sírio nas zonas em que este combate tanto os rebeldes e os terroristas.

Duas semanas, no entanto, bastaram para que as forças russas, juntamente com milicianos do Hezbollah e do Irã, reduzissem a presença dos terroristas do ISIS na área central e norte da Síria, enquanto espremem os rebeldes do FSA (Free Syria Army) contra o que resta do ISIS. Dezenas de instalações foram destruídas e centenas de terroristas do ISIS eliminados nos últimos dias. Atualmente, os EUA e a OTAN passam vexame internacional e são obrigados a aceitar a presença militar russa em uma região onde, há alguns anos, ela não seria tolerada.

E, vejam bem, os chineses ainda chegarão à região, em algumas semanas, com frota naval e um porta-aviões. Enquanto isso, os EUA retiram um de seus porta-aviões do Golfo Pérsico, o USS Theodore Roosevelt, com capacidade de abrigar um staff de até cinco mil militares e 65 aviões de combate. Motivo da evacuação do porta-aviões: corte de gastos e necessidade de manutenção.

ALERTA!

Recentemente, fui alertado por um amigo sobre o que anda a se passar no Congresso dos EUA. Os congressistas americanos têm sido obrigados a deixar passar projetos de lei visando aumento de gastos sem poderem pedir vistas, sob a ameaça de declaração de estado de Lei Marcial. Isso aconteceu duas vezes, somente esse mês (setembro de 2015)!

Ou seja, o governo dos EUA, os maiores devedores do Mundo, com uma dívida total que passa dos US$ 19 trilhões, estão dando seus últimos suspiros em sua aventura imperialista. Matematicamente, é impossível que, sob circunstâncias normais, os EUA consigam pagar essa dívida, nem mesmo rolar a mesma (pagar o saldo de juros). O pêndulo oscila e o eixo do equilíbrio geopolítco tende a desmoronar de vez, com consequente colapso econônico em escala global, tendo em vista que os norte-americanos consomem cerca de 1/4 da produção mundial de bens.

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2 comentários em “Notas sobre a Guerra na Síria

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