Ainda que não deseje me alongar demais nesta matéria semanal, um tópico merece atenção especial da minha parte e da dos leitores que me acompanham. Aliás, este tópico requer a atenção de todos os seres humanos com algum senso de responsabilidade e previdência. Falarei sobre a busca dos pacientes com Câncer pela própria sobrevivência e a polêmica Fosfoetanolamina. Afinal, quem garante que jamais sofrerá com o câncer?

Claro que não sou cientista nem profissional das áreas afins da pesquisa para a cura de doenças. Porém, me acho no direito (legítimo) de deixar minhas impressões sobre o que vem sendo (e o que não vem sendo) feito para promover a cura de doenças, como o câncer, a AIDS, o Diabetes, etc. Pois, vejamos!

Um dos assuntos do momento é a polêmica sobre o uso, não autorizado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), da fosfoetanolamina [1] por pacientes com câncer. Deve-se ou não deve-se liberar a fabricação, distribuição e uso dessa substância?

A fosfoetanolamina é uma substância produzida in natura pelo corpo de mamíferos (incluindo o do ser humano), e concentra-se no interior das células [2], tendo importante função no metabolismo intracelular. Portanto, ela não é uma substância estranha!

No corpo humano, além de outras funções importantes, a Fosfoetanolamina funciona como um marcador de células doentes, facilitando o trabalho de extinção destas pelo sistema imunológico. Junto com outras medidas, como a disciplina alimentar e a prevenção, ela ajudou milhares de pacientes a conseguir que tumores parassem de crescer ou mesmo desaparecessem.

Dr. Gilberto Orivaldo Chierice é doutor em Química pela USP. Trabalha no IQSC, em São Carlos (SP). Foto: Reprodução/G1/EPTV.

Uma forma sintética dessa substância — a Fosfoetanolamina Sintética — foi obtida por estudos da equipe do Dr. Gilberto Orivaldo Chierice, professor do Instituto de Química de São Carlos (IQSC), ligado à USP (Universidade de São Paulo). Estava em testes há duas décadas, sem jamais ter conseguido iniciar a fase de testes clínicos, essenciais para que os resultados sejam reconhecidos e a substância tenha sua fabricação e distribuição regulamentadas.

Resumindo os fatos recentes envolvendo a fosfoetanolamina:

  • pacientes com câncer recebiam, via hospitais e instituições conveniadas com o IQSC, as pílulas desta substância gratuitamente;
  • denúncias foram feitas (obviamente, com apoio de laboratórios endinheirados), seguidas por uma portaria da USP que suspende e proíbe a distribuição de quaisquer substâncias não aprovadas pela Anvisa (ou seja, que não tenham percorrido a Via Sacra das fases de testes clínicos);
  • as romarias ao IQSC aumentaram, e pacientes conseguiram liminares na Justiça, exigindo o fornecimento da substância, tendo como base as análises positivas da Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz) em relação aos testes preliminares com a substância e o direito universal à saúde, garantido (até este momento) pela Constituição Federal;
  • boa parte da mídia, como a mercenária Rede Esgoto (ou Globo), colocou todos os seus soldados para defenderem os interesses dos grandes laboratórios farmacêuticos, com a lamentável canastrice do mentiroso Dráuzio Varela como pior exemplo;
  • Uma guerra de liminares tem sido travadas entre os advogados de pacientes terminais e os defensores da indústria do Cãncer, essa que lucra horrores com os intermináveis “coquetéis”, prolongando o sofrimento dos pacientes com seus caríssimos e ineficientes venenos, com o único fim de lhes sugarem até a última nota de dinheiro e gota de esperança;
  • O STF, ao meu ver, está dividido entre os juízes que, creio eu, recebam algum dindim dos laboratórios multinacionais e aqueles que temem a opinião pública. Sentenças favoráveis aos pacientes, visando liberar o fornecimento da fosfoetanolamina a eles, têm sido expedidas, mesmo com a substância não tendo passado, ainda, pela fase de testes clínicos.

São três os principais grupos de pessoas que se opõem à liberação da droga em questão:

  • o Clubinho dos cientistas fanáticos e fundamentalistas;
  • a mídia e políticos bem pagos pelas “comissões” dos laboratórios farmacêuticos; e,
  • aqueles cidadãos, leitores assíduos de uma dessas revistas “científicas”, que acham que nunca terão câncer e nunca se desesperarão antes de tomar a última dose de morfina.

Pergunta que não se cala nem com porrada: Por que diabos uma substância que “não se dá nem ao gado” (como nos declara o babaca Dráuzio Varela) faz tanto sucesso?

Respondo com outra pergunta: será que, se essa substância fosse mais um placebo ou mesmo fosse ineficiente, ela ainda seria tão procurada? Ora, mais do que propaganda boca-a-boca da substância em si, foram seus resultados, contados em centenas, que fizeram a popularidade da fosfoetanolamina crescer, além de atrair a fúria das indústrias que lucram com o câncer.

Mais perguntas (com respostas óbvias):

  • Exigem testes “clínicos” controlados para aprovarem a substância. Por que não aceitam verificar as centenas de casos de remissão, quase que imediata, de cânceres de diversos tipos?
  • Chamam à fosfoetanolamina de substância “desconhecida”. No entanto, ela é, sim, conhecida desde, pelo menos, 1936. É produzida in natura no meio intracelular humano. Por que não aceitar sua forma sintética, se a própria insulina é um medicamento sintético, cópia pura da insulina in natura?
  • Ainda que vacinas sejam produtos para uso único (ou, no máximo, eventual), aquela produzida para combater a gripe pelo vírus H1N1 recebeu aprovação sem os devidos dados clínicos. Será pela virulência, mesmo? Ou será que o câncer é conhecido há menos tempo que a H1N1, e sua agressividade é mais “suave”? Por que a demora?

O que vejo?

Vejo que o conhecimento empírico (aquele portado pelos “analfabetos científicos”, os pacientes) ainda é tratado como mera superstição. Lembro-me bem do desprezo que senti ao ouvir cientistas, certa vez, em passagem por meu colégio, falando dos medicamentos fitoterápicos, na época ainda em testes. Anos depois, vemos as patentes dos mesmos princípios destes medicamentos sendo disputadas por gigantes da indústria farmacêutica internacional, especialmente daqueles encontrados na Amazônia. Ou seja: quem desdenha, ou quer comprar ou está defendendo coisas erradas.

Quando se tem vontade política, consegue-se qualquer coisa, faz-se milagres a nível nacional. Vejo, no entanto, o Ministério da Saúde agindo como mera sucursal do monopólio dos laboratórios. O que vale é ver o paciente morrendo aos poucos, como carcaça e mero ativo financeiro vivo, tal como gado. Interessa aos laboratórios conseguir que o paciente sobreviva, não que viva; que sirva de cobaia aos seus vírus produzidos in vitro, sob demanda, e aos seus antídotos providenciais.

Em discussão no Twitter, um sujeito metido a cientista me inquiriu: se o Governo defende os monopólios, por que deixou que se quebrassem as patentes de remédios como os coquetéis anti-HIV? Respondi a ele: na boa, estude “Administração de Demanda” e saturação de mercado. O uso gradual, do raro ao usual, retroalimenta a necessidade por mais medicamentos e aumenta a tolerância por intoxicação. Experimente, leitor amigo, verificar quantos tipos de remédios você ou seu vizinho “saudável” toma diariamente.

O cidadão tem direito a ter acesso àquelas substâncias que escolher para tratar sua doença. O Estado não tem o direito de legislar sobre a forma como a pessoa busca a própria sobrevivência, não pode legislar sobre a Vida. Isso não é (e jamais deve ser) facultado ao Estado. Se fosse o contrário, ousaria questionar, então, por qual motivo forças do Estado buscam legalizar o uso de drogas, como a cocaína e outros tóxicos. Acaso, a cocaína, descriminalizada, seria utilizada para fins medicinais?

Se buscam permitir o uso da cocaína, por que impedir o cidadão de usar a substância que lhe convém em dado momento, para tentar salvar a própria vida? O Estado é responsável por proporcionar os meios de acesso à saúde. Quando não cumpre devidamente esse papel (e jamais cumpre-o integralmente), deve disponibilizar ao cidadão os meios para fazê-lo ao seu modo.

Àqueles que têm pacientes com câncer em suas famílias (e nunca sabemos até quando não os teremos), devo alertar que há vários municípios pleiteando o direito de promover a produção e distribuição da Fosfoetanolamina à população, bem como laboratórios interessados em viabilizar tal produção a preços populares (mesmo!). Pesquisem na internet, se informem, se articulem para isso. Reúnam interessados, famílias, e criem associações livres para impetrarem ações civis públicas com vistas a obter a necessária autorização judicial e a pressionar as autoridades para a liberação dessa alternativa, que é a Fosfoetanolamina.

(Aos pacientes de SP e do Brasil inteiro, que usem ou usaram a Fosfoetanolamina, recomendo que assistam esse vídeo ~> https://goo.gl/a79CPC.)

Por fim, aos críticos, é sempre bom lembrar: não tenho a mínima obrigação de ser “neutro”. Ou seja, não me vejo compelido a ser politicamente correto. Esse é um artigo de opinião, e minha opinião raramente é neutra. Ainda mais quando se trata de defender o direito à autodeterminação do indivíduo no limiar de sua sobrevivência. Portanto, li artigos e assisti a vídeos de gente que é demasiadamente cética, ao meu ver, quanto à Fosfoetanolamina. Mas, não sou obrigado a concordar (nem poderia) com tanta estupidez.

***

NOTAS:

  • [1] MUITO ALÉM DAS PALAVRAS E SENTIDOS. Fosfoetanolamina: uma alternativa terapêutica para diversos tipos de câncer. Disponível em: < http://goo.gl/Ow4A6v >. Acesso em 25 de outubro de 2015.
  • [2]  FERREIRA, Adilson K. Avaliação das propriedades anti-tumorais da fosfoetanolamina sintética in vitro e in vivo no melanoma. Instituto Butantã. São Paulo: FAPESP, 2008. Disponível em: < http://goo.gl/3VGG2J >. Acesso em: 25 de outubro de 2015.

Anúncios

4 comentários em “A Fosfoetanolamina e a Cura para o Câncer

  1. Ja que é provado que faz diferença no tratamento, ou seja; ele é a cura para o canser. Porque entao nossos parlamentares nao votam logo aprovando a comercializaçao e distribuiçao do medicamento, seja ele comprado por quem tenha o dinheiro.ou distribuido pelo SUS a quem nao possa pagar. A esperança da populaçao no geral será vira bem mais a tona. Só em você saber que a pior doença vista ate hoje pelo homem tem a cura, o ser humano vai ter muito mais vontade de lutar e acreditar na vida. As coisas com serteza vai melhorar. Voce tera mais tempo de vida pra lutar e construir.

    Curtido por 1 pessoa

    1. A resposta é simples: porque toda a população sabe que ele custa muito pouco para ser produzido e porque ele, simplesmente, chutaria para escanteio centenas e centenas de drogas quimioterápicas (venenos) e anestésicos caríssimos, fazendo as indústrias perderem bilhões em lucros no Mundo inteiro. Lembremos: as indústrias globalistas de todos os setores – não apenas, mas principalmente a farmacêutica – lucram muito com os venenos que elas vendem aos governos e acientes, passando-os como “remédios”. E claro: ELAS QUEREM QUE MORRAMOS DE UMA VEZ!

      Curtir

Escreva abaixo seu comentário:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s