A Tempestade


Você está vivendo numa boa, como se tudo fosse sombra e água fresca. Você trabalha, sai sempre com seu terno alinhado (ou não), vai com seu carro pela marginal da rodovia, sem pressa. Você não tem pressa. Afinal, tudo, aparentemente, vai bem.

O contrário, também é possível. Você pode estar desempregado neste momento, há alguns meses ou há mais de um ano. Faz biscate para pagar luz, água e aquela TV de plasma que você conseguiu no leilão da Receita, a preço de fim de feira.

Não resista!


Tempos como esses são especiais, em que verbos como resistir e cair andam em alta ( 😀 ), inclusive na Política. Mas, como verbos, essas palavras suscitam efeitos contraditórios, às vezes, de acordo com as nossas emoções e as contingências de nosso Caminho.

Por isso tudo, eu, que já vivi intensamente todas as contradições que eu poderia suportar, digo a você:

Grito da Esperança


Assim, muda o mudo
E fala a tal mudança.
Permanece isso tudo
Em perfeita bonança.

Cede o cinto à pança
Daquele guloso parrudo,
Indiferente ao ossudo
Rosto faminto da criança.

Ao rapado ou ao barbudo,
Ao de tez fransida ou mansa,
A mudança não lhe é escudo

Para fugir ao grito mudo
Do faminto de esperança,
Pois a esperança redime tudo.

(Ebrael Shaddai, 2 de abril de 2016)

Soneto Sinuoso


Estranhos são os Caminhos da Vida,
Esses que dizem perfazer o Destino:
Afastam-nos da meta tão querida
E nos fervem os pés em desatino.

Tão doce é a mais amarga bebida
Que bebo por mim, assim, pequenino.
Grande sou contra meu assassino,
Aquele de minha alma combalida.

Não subverto minha mente em vão,
Num vão acerto do egoísmo cretino,
Nem chamo boa à perversa descida.

Nutro o desejo de cumprir aquela lida
Do soldado que ainda parece menino,
Assim na estrada como no Coração.

***

Angeli non aiunt, sed agunt. (“Os anjos não dizem amém; eles agem.”)

(Ebrael Shaddai, 1 de abril de 2016)