Sobre a superioridade do Amor


“O Amor liberta”, dizem algumas pessoas. Mas, o que isso quer dizer, e por que teria o Amor, esse misterioso pacto entre almas, a faculdade de nos libertar da cegueira? Como alcançar a Luz desse Amor, como soberano pôster na entrada da Caverna?

Esse mundo é fundado em experiências tridimensionais e materiais. A matéria é vegetativa, ou seja, ela tende a absorver toda a energia em si, representada como o fundo de um poço para onde convergem todas as forças astrais. Assim, as mentes que se manifestam aqui, no mundo material, tendem a estar no fundo de seu próprio poço e absorver, sim, tudo para si. Quando a ascensão espiritual é empreendida por uma alma que vê a luz acima de si, vinda da abertura superior de seu “poço”, então, o sujeito começa a abandonar os hábitos egoístas e desprender-se desse corpo, ainda em vida. A isso, chamo de despertar do Amor dentro do ser humano. Mas, dentro, onde?

Disse o Mestre que “onde estiver o seu Coração, ali estará, também, seu tesouro” (Mt 6, 21). Que tesouro é esse? Não será este, acaso, o berço do Amor?

Bem, o Coração é o Sol de nosso corpo, é aquele que distribui a Vida entre todos os rincões de nossa existência mortal. É a sede dos sentimentos. Ele reage aos reflexos do ventre (raiva, afeição, excitação sexual, etc.) e provê o necessário às nossas respostas ao Mundo. Como eu já disse, certa vez, se o Coração engana, não engana mais do que ama.  É a Mente que nos engana, aquela sede de intelecção onde residem todas as nossas personalidades (a consciente e as inconscientes), com seus traumas, impurezas, sombras e intenções ocultas. Nosso Coração, por outro lado, é nossa carruagem, tal qual o carro do Sol, que nos acompanha do Leste da Vida (nascimento) ao Oeste da mesma (morte).

Tal qual o Sol, o Amor nasce sobre justos e injustos, santos e criminosos, puros e depravados, enfim, todos os seres vivos. O Amor é claro como o dia, e a Paixão escura como a meia-noite. O Amor “é forte como a Morte, e o ciúme é duro como a sepultura”. O Amor é claro porque não bloqueia, não retém nem reclama, pois tudo, para o Amor, é gratuidade e Luz invencível. Quando percebemos que o Amor só visa a felicidade de todos a quem o Sol do Coração busca iluminar, então o ciúme se torna algo vergonhoso e fraqueza; a recusa diante de um pedido de ajuda (ou de esmola) parece indício de pobreza (espiritual). Ao fim, percebemos, ao respondermos rispidamente a uma ofensa, que aceitamos muito facilmente o insidioso convite para chafurdarmos na lama da miséria moral.

A Fé é interior, não imposta pela violência ou assédio. A Esperança é para os vivos, não limitada a um mundo vindouro onde não teremos o controle sobre nós, plenamente. O Amor é Universal; as religiões, ideologias e convicções, não. Querer decretar quem será salvo pelo Amor ou que destino terá uma alma livre são atitudes do mais baixo fanatismo soberbo. A despeito dos simbolismos bíblicos (como um Livro Sagrado), a Bíblia, em si, tem muito maior valor como coletânea de ensinamentos morais do que como compêndio histórico. Se, como dizem alguns ateus radicais, a Bíblia for uma simples fraude, então o mundo deveria ter mais ladrões do que vemos atualmente pelas esquinas do Mundo.

Mas, quão maravilhoso hino ao Amor Universal é aquele capítulo (13) da Primeira Carta aos Coríntios, de autoria do suposto falsário de Tarso, o apóstolo Paulo! É com esse capítulo que termino essa reflexão:

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.

E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.

O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.

Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;

Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;

Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;

Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.

Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.

Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.

Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.

Não permaneçamos tanto tempo na Caverna, como a citada por Platão. Como Paulo nos ensinou, examinemos tudo e retenhamos o que nos for útil. Ou, ainda, como dizia Lair Ribeiro, com “os pés no chão e cabeça nas estrelas”. Larguemos as armas, tiremos nossas vendas dos olhos. Não tenhamos medo, ainda que ter coragem signifique tomar decisões com medo. Se Plutão colou em nosso Sol, arrastemos nossos medos para serem  depurados diante da Luz do Mundo.

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2 comentários em “Sobre a superioridade do Amor

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