O inferno astral é aquela zona de tempo de sua vida onde você parece enfrentar trezentas serpentes fedorentas, quatrocentas conspirações globais e seiscentas tentativas do diabo de acabar com a sua paz, tudo isso no mesmo dia. Sim, é uma conspiração. Ainda que o inferno pareça uma anedota, o seu “inferno” é mais real e imediato que o perigo na estória do Sydney Sheldon.

Antes que pensem que fiz propaganda enganosa, não vim falar hoje sobre o inferno astral propriamente dito, no âmbito astrológico, mas de alguns de seus efeitos psicológicos incômodos, esses pelos quais estou passando neste exato momento. Não é incrível que alguém possa falar do inferno astral exatamente no momento em que vivencia o mesmo, e ainda sem surtar?

Lula Molusco: o maior especialista em coisas que os outros jamais vão entender.

Sabe aquele momento-chave do dia em que você quer sumir por uma toca de tatu sob a terra? Pois é! Sua refeição não desliza bem pelo esôfago, causando aquela azia do fim do mundo; a água, em vez de descer pelo mesmo caminho, insiste em voltar pelas narinas; a lâmina de barbear, então (Jesus!), vira bisturi sobre sua pele subitamente assaltada por cravos.

As pessoas se sentem contrariadas com o que você diz. Parece que você encara a aventura de falar alguma língua estranha, uma mistura bizarra de mongol com mandarim. As pessoas não entendem, você não entende a si mesmo, a língua fica presa e o nó na garganta se torna laço de marinheiro invencível. Daí, você cansa. Senta na cama, chora e pede a Deus que algum misterioso buraco na parede se abra e te entregue, ao menos, um comprimido de Clonazepam®.

Não ocorre que tudo dê errado. Você apenas sabe que, se insistir, ali vai dar merda. Você sabe que, se continuar, poderá ser confundido pelo clima árido e ver camelo dançando num harém e uma odalisca pastando em Belém. Sim! Nós nos equivocamos, erramos. Reagimos perplexos ao que parece ser o Juízo Final de nossos atos que, aparentemente, romperam com o acordo feito com o Destino, com quem amamos ou com nossa agenda. “Mas, como pode? Onde foi que eu errei?” — você poderia indagar-se.

“Leio tudo e não durmo. Vejo tudo e não morro.”

O fato é que erramos. Erramos e invertemos toda a ordem lógica, cobrando o que não nos compete e abrindo a boca quando poderíamos deixá-la fechada, fosse para cobrarmos ou nos defendermos. Inferno astral é isso mesmo, uma mensagem de S.O.S. de seu desconfiômetro, te pedindo: “Pare de falar merda! Pare de reclamar! Pare de se defender! Pare, respire e durma bem até semana que vem!”

Bem, eu parei de falar, de reclamar, de me defender, de querer lamber e incomodar pessoas que já se sentem incomodadas. Hoje, só por hoje, eu parei. Afinal, dormir nos faz esquecer, por ora, que tudo pode piorar.

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Um comentário em “Inferno Astral

  1. E tudo isso que relata está, sim, acontecendo com a maioria das pessoas, no mundo inteiro, independente de sexo, de opção religiosa, de opção política, de opção científica, de instrução, de raça, de idade, enfim, é uma epidemia mundial para alertar a toda a humanidade de que ela está caminhando na contramão da NATUREZA, por não SE CONHECER VERDADEIRAMENTE, não podendo ouvir, nem pelo menos sentir as orientações benéficas da nossa MÃE NATUREZA, que nos livram de qualquer inferno astral.
    Meu fraterno e afetuoso abraço, Querido Irmão!

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