Acerca de Gog e Magog


Há alguns dias, tomei conhecimento de uma obra épica de um escritor escocesa, publicada originalmente em 1819, que versa sobre tradições britânicas a respeito de dois nomes bem conhecidos dos estudiosos da Bíblia: Gog e Magog. Para você que pensa estar certo da suposta procedência desses míticos personagens, sugiro que conheça a obra descrita nesta postagem, mais adiante.

Gog e Magog no Judaísmo

Para alguns mestres judeus1, Gog é descendente de Magog e, por extensão, de Noé. Para o historiador Flávio Josefo, Gog e Magog são identificados com os citas, sendo estes um conjunto de povos vindos de além do Norte do Mar Negro2.

Gog e Magog na Tradição Cristã

Tais nomes aparecem, principalmente, no Antigo Testamento da Bíblia (Tanakh, para os judeus), no Livro do Gênesis, no Primeiro Livro de Crônicas e no Livro do Profeta Ezequiel3. Segundo os textos relacionados, Magog é filho de Jafé, o terceiro filho de Noé. Gog procede da “terra de Magog”, bem como é “príncipe e chefe de Meseque e Tubal”.

Gog e Magog (que, às vezes, se confundem) estão inexoravelmente ligados às profecias escatológicas sobre o destino do povo de Israel, aparecendo também no contexto do Livro do Apocalipse4. São aqueles que, de acordo com este último livro, serão seduzidos por Satã para fazer guerra global ao Povo Eleito.

Tradições Europeias

Segundo antigas tradições britânicas, Gog e Magog eram dois brutos gigantes (“deuses”) que defendiam a antiga cidade da princesa Londona, ou seja, Londres (em latim, Londinium, e, em inglês, London). Há dois montes dedicados a esses dois seres míticos, levando seus nomes, as Gog Magog Hills, localizadas a, aproximadamente, cinco quilômetros ao sul de Cambridge.

Uma referência mais antiga nos foi legada pela Historia Regum Brittaniæ (“História dos Reis da Bretanha”), do escritor medieval Geoffrey de Monmouth (o mesmo que nos legou as crônicas sobre o lendário Rei Arthur). Por esta referência, Goëmagot é descrito como um gigante (lit., “monstro detestável”) que fora, finalmente, morto pelo herói Corineus5.

Segundo o Lebor Gabála Erenn6, Magog é tido como o pai da raça irlandesa, bem como dos povos citas e da Ásia Central. Seus três filhos, segundo a fonte citada, são Baath, Jobhath e Fatochta. Mais especificamente, Parthólon, descendente de Magog, invadiu a Irlanda logo após o Dilúvio, colonizando-a.

Gog e Magog, heróis de Londres

Como eu havia anunciado no preâmbulo desta postagem, me dei conta da existência de um livro entitulado, no original, The History of Gog and Magog, the Champions of London, ou, em tradução livre, “História de Gog e Magog, os heróis de Londres”. A obra fora publicada, pela primeira vez, em 1819, pelo novelista escocês John Galt, sob o pseudônimo Robin Goodfellow7.

Estátua de Gog e Magog, no Guild Hall, Londres.
Estátua de Gog e Magog, no Guild Hall, Londres.

Além de constituir uma rica fonte de referẽncias ao folclore britânico, esta obra me pareceu trazer relevantes elementos simbólicos que podem estar sendo usados como marcadores proféticos na execução de uma tal agenda de sociedades secretas globalistas, como os temidos Illuminati, tendo como clímax um conflito final apocalíptico.

Na história contada no lívro, Gog e Magog atuam ao libertar a princesa Londona do cativeiro que sofria sob o detestável Humbug, um ser colossal e cruel. Ficaram célebres, então, como heróis do povo britânico em seu folclore. Sua importância para os ingleses é tamanha que, desde o reinado de Henrique V8, suas imagens são carregadas em procissão tradicional anualmente durante uma cerimônia (o Lord’s Mayor Show), no segundo sábado de Novembro, para o Lord Mayor of London (em inglês, “Nobre Prefeito de Londres”).

Comentário

Do que vimos até o momento, podemos colocar em dúvida qual nação representaria os personagens Gog e Magog. Alguns apontam os russos como sendo os citas que viriam do Norte do Mar Negro para atacar os cristãos e o Povo Eleito. No entanto, devemos lembrar que os khazares, povo cita que adotou o Judaísmo sem jamais ter tido raízes israelitas, estão muito mais próximos da descrição dos seguidores da “sinagoga de Satanás”9 do que os russos, que são, em sua grande maioria, cristãos ortodoxos desde o século X.

Os khazares são um povo cita que, no século X, se converteu ao Judaísmo por decreto de um de seus reis, tendo este rei preferido aquela religião ao Cristianismo Ortodoxo dos russos10. Foram expulsos pelos russos de seu território e empurrados, por conta das invasões mongóis, para a Europa Oriental. Os potentados khazares (sem contar o povo pobre) podem ser tidos como falsos judeus de hoje, que se infiltraram nos governos europeus e que jamais adotaram sinceramente a fé judaicacontinuando, ainda hoje, a praticar cultos obscuros e sacrifícios humanos em sociedades secretas por eles infiltradas. Após o fim de seu império na Khazária, migraram para a Europa, não como citas, mas como pretensos judeus, sem distinção entre si mesmos e os judeus históricos da Europa (sefardim e asquenazim).

Acontece que os citas da Khazária e os povos da Bretanha e Irlanda têm, entre si, este parentesco mítico radicado nos personagens Gog e Magog. Por isso, os falsos judeus khazares, cheios de um ódio milenar pelos russos, infiltraram os governos e, inclusive, as casas reais da Europa, para fazer guerra contra o rei do Norte que viria em socorro do Povo Eleito. Instilaram e lideraram a Revolução Russa através de seus agentes (Lênin, Stálin & Cia.), chacinaram a Família Rômanov, perseguiram a Igreja russa, conduziram o experimento social soviético sem piedade alguma pelos cidadãos (tratados como bois e vacas) e, finalmente, tentaram destruir o que sobrara da Rússia na década de 199011.

Humbug, o Gigante, raptando a Princesa Londona (gravura da obra citada).
Humbug, o Gigante, raptando a Princesa Londona (gravura da obra citada).

Nos espíritos britânico e escocês, reside a fantasia de que a Nova Jerusalém se erguerá, no futuro, na Grã-Bretanha. Alguns dizem que será em Edimburgo, na Escócia; outros, em Londres, na Inglaterra12. Mas, como se daria isso, se os britânicos se dizem descendentes de Gog e Magog, estes que o deus judeu (Yahveh) declara como inimigos do Povo Eleito? Acaso, a diabólica casa dos Rothschilds, composta por khazares originados em Hamburgo (Alemanha), não é a mesma que domina os bancos do Mundo e que ordenou a criação do suposto Estado de Israel para destruí-lo, em seguida, junto com Jerusalém e os cristãos?

Gog e Magog, pelo que posso concluir neste momento, são representados pela realeza britânica e de outras casas dinásticas vassalas da Europa, pela elite bancária Ocidental e pelos partidos políticos que dominam a cena nos Estados Unidos da América. São esses que, determinados a impedir a ascensão dos “odiosos” russos e para evitar que estes atrapalhem seu domínio mundial, decidiram tomar de assalto, sem vergonha alguma, países do Oriente Médio13 com fins a:

  • Varrer a herança cristã do planeta e, particularmente, do Oriente Médio;

  • Roubar riquezas como piratas e ladrões que são;

  • Instituir a Religião Única Mundial após a Terceira Guerra Mundial, a iniciar-se em breve;

  • Exterminar os russos e chineses, tão logo quanto possível.

Deixo recomendada, para os amigos, a leitura atenta da obra The History of Gog and Magog, the Champions of London, em nota logo abaixo (n. 7). No entanto, nestes tempos de eleição presidencial nos Estados Unidos, chamou-me a atenção uma data citada na obra14: 9 de Novembro. Esta data (que, curiosamente, encontra-se no capítulo VIII, página 33 da obra original) é descrita como sendo o dia em que Gog e Magog seriam executados pelo gigante Humbug. No entanto, em trabalho conjunto, estando eles muito famintos, humilharam o gigante em seu próprio castelo, tendo posteriormente a princesa Londona se juntado a eles para matar Humbug.

Devemos nos lembrar que o fato de as eleições americanas se realizarem, neste ano de 2016, em 8 de novembro, é bastante significativa, do ponto de vista simbólico. Poderíamos ver nelas a intenção, inconsciente no imaginário de povos colonizados pelos britânicos, de Gog e Magog de derrubarem, a partir do dia seguinte, o gigante Humbug, representado no símbolo pela potência russa, que impera sobre imenso território (na verdade, o maior território nacional do planeta).

As homenagens solenes anuais a esses personagens míticos, Gog e Magog, que ocorrem em Londres, nos dão a pista de que os inimigos do Povo Eleito são, na verdade, não os russos, mas os mandatários de facto de nações como Grã-Bretanha (a dinastia de Windsor) e Estados Unidos da América.

***

Notas

1 Nomeadamente, Rashi (vide E. Wolfson & al., Studies in Medieval Jewish Intellectual and Social History, Brill, 2012, p. 54) e David Kimchi (vide L. K. Handy, Psalm 20 through Time and Tradition, Wipf & Stock Publ., 2009, p. 72).

2 F. Josefo, Antiguidades Judaicas, VI, 1.

3 Vide: Gênesis X, 2; Ezequiel XXXVIII, 2-11; Ezequiel XXXIX, 3-9; 1 Crônicas, V, 4.

4 Vide Apocalipse XX, 8.

5 G. Monmouth, History of the Kings of Britain, trad. A. Thompson. Cambridge (Canadá): In Parentheses Publ., 1999, p. 20. Disponível em: < https://goo.gl/l7lPML >. Acesso em: 17 de outubro de 2016.

6Lebor Gabála Érenn, ou “Livro das Invasões da Irlanda”, é um conjunto de manuscritos reunidos, datados do século XI, que narra as invasões celtas do território da atual Irlanda (chamada Hibernia, pelos romanos).

Vide: A. S. MacAlister. Lebor Gabála Érenn: The Book of the Taking of Ireland. Dublin: Educational Comp. of Ireland, Ltd., 1941. Disponível em: < https://goo.gl/F0A68C >. Acesso em: 17 de outubro de 2016.

7 R. Goodfellow (John Galt). The History of Gog and Magog, the Champions of London. Londres: J. Souter, 1819. Disponível em: < https://goo.gl/nUCNB5 >. Acesso em: 17 de outubro de 2016.

O Autor da referida obra a teria direcionado, aparentemente, aos jovens de sua época, não deixando de lado o aspecto estritamente simbólico dos detalhes da mesma. Além dessa, John Galt, assinando como Robin Goodfellow (pseudônimo que aludia a um personagem da peça Sonho de uma Noite de Verão, de W. Shakespeare) escrevera também The Rocking Horse (1821) e The Wandering Jew (1825).

8 Henrique V da Inglaterra (1387 – 1422) , da Casa de Lancaster.

9 Apocalipse III, 9.

10 Vide: S. Sand. A invenção do povo judeu. São Paulo: Benvirá, 2011.

11 Nestes pormenores, vale a pena ler algo sobre a origem da ideologia sionista no contexto do ódio khazar pelos russos. Vide: R. Souza. O Sionismo. Artigo (online). Saúde Perfeita. Pub. em: 20 de novembro de 2009. Disponível em: < https://goo.gl/UjEqGZ >. Acesso em: 17 de outubro de 2016.

12 Vide: N. Hagger. A História Secreta do Ocidente. São Paulo: Cultrix, 2010, pp. 60, 125.

13 Leia minha crônica sobre o assunto, EUA vs. Rússia e a lógica do Porco Feliz, de 15 de outubro de 2016, em < http://wp.me/pwUpj-2Gx >.

14 Vide indicação bibliográfica da obra na nota nº 7, logo acima.

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