Escola básica


Quem nasceu entre a segunda metade da década de 70 e a segunda metade da década de 80, sabe que as escolas de ensino fundamental, não raro, eram denominadas escolas básicas. Não era diferente com a Escola Básica Venceslau Bueno, localizada em Palhoça (SC). Hoje, chama-se E.E.F. (Escola de Ensino Fundamental) Venceslau Bueno. Aprendia-se as primeiras letras, jogava-se o primeiro futebol, comia-se a primeira carga de areia em dias de vento forte. Era uma maravilha!

No entanto, aquele tempo me traz as memórias que mais me sensibilizaram, até hoje, me causando uma nostalgia incurável. Já discorri longamente acerca dessa saudade, em publicação anterior. Era a época do Samello, do Amendocrem e do Banco Imobiliário. Ter uma coleção da Barsa ou da Encyclopædia Britannica na estante era sinal de status; hoje, isso denuncia sua idade.

A biblioteca do “Venceslau” (vulgo, Pulgueiro) era modesta, mas útil. Os banheiros davam bom acesso às manadas de zebus que faziam tremer o chão, advindas do campo de terra em que se simulava jogos de futebol. As professoras eram sempre as mesmas, ano após ano. Lembro-me das senhoras Rosângela, Elizete, Solange, Doracy, Estela e Zelinda. Elas, realmente, proviram-me daquilo que há de mais básico que a criança necessita para ser uma pessoa de bem: saber ler, escrever, fazer contas, interpretar textos e falas e a importância da socialização.

Os alunos vestiam-se de forma simples. A apresentação dos mesmos com uniformes era obrigatória. Exceções eram raramente permitidas. Os meninos vestiam com calças ou bermudas azuis, com listras laterais; as meninas, no mesmo estilo, com saias rodadas azuis ou calças azuis, com listras laterais. Para ambos os sexos, camisetas brancas (com ou sem o logotipo da escola).

Sapatos? Não me lembro de alunos usarem sapatos. Tênis?

Conga, la Conga, / Conga, Conga, Conga…

Sim, a Conga reinava, soberana, entre as crianças de baixa renda, como eu mesmo. Cheguei a possuir, também, um par de Kichute. Não sei por quanto tempo o meu par de Conga sobreviveu ao vício amador do futebol escolar. Mas, quando a Conga me fazia suar sem meias, seu tecido seco assava o calcanhar até fazer um time de bolhas nos pés.

Bons tempos aqueles em que o Toddy da merenda era misturado com água e leite em pó (que vinha em fardos para a cozinha da escola). Muito bom! Depois da aula de Educação Física, pegar a relbinha (sobra) do achocolatado da merenda, ainda gelada, de dentro do panelão, era como um prêmio.

E a minha Conga? Eu nem sabia onde tinha deixado. Tinha virado bola para os guris da quadra de futebol. Já era hora de ir para casa e almoçar. Era básica a minha escola, mas não era pobre. Pobre é o aluno que não respeita seu mestre, que não recebe limites, que não pratica esportes e que não sabe qual o valor que tem um simples par de tênis.

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