De imaginibus et Veritate (Sobre as imagens e a Verdade)


Entre um e outro estudo, motivados pelas imagens criadas para o futuro (nosso mundo vindouro), medito e escrevo essas linhas para acalmar esse Coração aflito. Coração humano, antes de tudo. Há muito tempo que eu venho tentando escrever sobre elas, às quais muitos chamam ilusões, e que eu denomino, simplesmente, imagens.

A Mente concebe uma imagem pela ação da imaginação, que é o ato de fabricar uma imagem. Tal imagem é criada pela Vontade de uma mente separada da Fonte (tal qual nosso Ego, uma persona) projetada na tela virgem do Coração, que lhe dá a energia para que manifeste movimento.

Há, então, a formação de um vínculo entre o Coração e a Mente criativa. Esse vínculo identifico com o que costumamos chamar de paixão, pois, na maioria das vezes, nos traz sofrimento. A Mente se alimenta da imagem criada que, enquanto condiz com o desejo original, passa do estágio ilusório ao efetivo. Em outras palavras: a Mente aferra-se, de forma passional, ao fruto maduro de sua imaginação que, após a passagem do tempo, não acompanha a evolução de nossos desejos mutáveis.

Na medida do possível, tentamos direcionar (controlar, manter) essa imagem da forma como a criamos, pois precisamos fugir do turbilhão de coisas fugidias que nos assaltam e nos confundem. Precisamos construir a casa sobre a rocha, a qual vento algum pode derrubar. Além de uma rocha constante e firme, é necessário que estejamos a favor do Grande Vento (Espírito, Vontade).

Citando o que li recentemente em um texto da internet, digo que “há apenas uma Vontade em curso”, a de Deus. Todas as nossas vãs tentativas de contrariar essa Vontade fazem de nós tolos anjos rebeldes, que se opõem ao que é implacável. Essa Grande Vontade cria, pela ação de sua Grande Mente, a Grande Imagem do que chamamos Paraíso, uma realidade em que tudo flui em harmonia com o Coração da Criação.

Apegamo-nos, pois, ao que desejamos como correto e bom, em nosso Coração. Medíocres, fazemos de nossos critérios de justiça um conjunto de padrões que pretendemos estar de acordo com a Vontade de Deus. Em nossa pequenez, não entendemos que o cumprimento da Justiça (ou seja, de toda a Justiça) implica o uso da Misericórdia, por um propósito maior: o despertar da Consciência de nós mesmos. enquanto elos da corrente da Vida, legítimos filhos de Deus.

 ***

As imagens, quando estão alienadas da realidade, dizemos que são ídolos mortos. Isso vale para quando falamos das imagens de pessoas que amamos ou causas e crenças às quais nos apegamos. A Verdade, efetivamente, nos libertam das trevas da ilusão idolátrica, sejamos nós os mentirosos ou aqueles que foram enganados pelas imagens falsas.

Porém, a libertação não nos coloca em tais como castas separadas, mas nos alerta que o outro é tão humano quanto nós e que nossos padrões jamais – e em hipótese alguma – serão os padrões de Deus. A libertação da mentira não nos torna credores da Verdade, mas nos impõe um dever ativo pela retificação do que está torto. Somente a Vontade de Deus é capaz de sondar os corações em busca dos escolhidos, e estes podem se encontrar entre aqueles que são humilhados por suas próprias escaras.

Como peles de serpente, as imagens falsas se destacam de nossas vistas como escamas e, milagrosamente, parece-nos que passamos a enxergar com clareza. Temos de saber se o caminho que queremos seguir trilhando é o que faz nosso Coração vibrar, pois é a Luz que surge de uma vontade poderosa e determinada em ação (e oração) que faz com que as imagens concebidas ganhem Vida. É no Coração que ganhamos e perdemos, quando deixamos que ele se esfrie no ato da des-ilusão e tome um caminho diverso daquele de Deus.

Mas, como saberíamos qual é a Vontade de Deus, se nos foi dito pelo Apóstolo Paulo que insondáveis são os desígnios do Senhor?

Não! Não podemos alegar ignorância. O Coração sabe quais galhos nascem e morrerão tortos e quais vergaram sob o peso das aves de rapina que se criaram sobre os mesmos (medos, fraqueza, incredulidade, maledicência, raiva, mentira). Se deixamos que os ramos de nossa Oliveira se quebrem, quão mais gloriosos (ou não) seriam os enxertos se o que nós cremos como sagrado fosse mantido diante de nossos olhos!

Tenho como certo que as imagens desfeitas (apodrecidas, caducas) podem ser recriadas, senão da mesma maneira anterior (velha e falsa), ao menos sob um novo ânimo. Não nos esqueçamos de quanto suor e sangue todos nós expelimos dos olhos e dos poros.

O primeiro Caminho até Deus é a oração; o segundo é a alegria.

(Brida – Paulo Coelho)

Ainda, para lembrar a quem amo:

E naquele tempo se levantará Mikhael, o grande Príncipe, que se levanta a favor dos Filhos do teu Povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que for achado escrito no livro.

Daniel 12:1.

***

  • Foto de capa: Reprodução | A Arte de Banky (vista aqui).
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