Evanescentes


As imagens de nossas mentes, projetadas em tudo ao nosso redor, aparecem e desaparecem como nuvens em dias de vento forte. São, como eu costumo dizer, evanescentes.

Como dizia o Pregador, “não há nada de novo sob o Sol”. As imagens são novas, mas estão já previstas como possibilidades. Ou seja, sob o Céu que nos assiste, tudo é, desde sempre, monótono, inclusive as nossas desilusões.

Projetamos em nossos ideais, em nosso trabalho e naquelas pessoas que dizemos amar a laca cintilante de nosso olhar, a ponto de nos identificarmos plenamente com os ambientes e com a Vida delas. As imagens passam a ter cheiro, os cheiros inspiram-nos luzes. As noites frias, subitamente, passam a exibir pirilampos como milagres a dançarem diante do brejo que parecia desabitado.

Quando tais imagens caras somem, se desvanecem sem que possamos contê-las, como areia de ouro fino escorrendo por entre os dedos, então é como se nunca tivéssemos enxergado para valer. Cegos! Somos cegos bêbados que, ao perderem as imagens a sua estabilidade, voltamos a tatear as paredes e procurar um rumo, um sentido para a própria Vida.

Cegos fazem isso: tentam conceber sem as ferramentas necessárias. Não conseguem imprimir no Mundo a própria imagem, sequestrando a imagem do outro para usar como molde imaginário para seus desejos. Não amamos o objeto em que projeta-se nossa imagem, mas a forma que gostaríamos (e, muitas vezes, tolamente exigimos) que o objeto apresentasse e como ele se comportasse.

Lost in the Paradise (Evanescence) ~~>> Conheça a letra e a tradução.

Quando acordamos de nosso sonho (infeliz quem acorda de repente!), nada mais está lá onde deveria estar. Onde está a imagem que perseguíamos? It has vanished. Sumiu, desapareceu, morreu. Beliscamo-nos por inteiro e, sim, é verdade! Coração pula para fora da boca como sapo perfazendo um mortal duplo carpado. A imagem em torno da qual você se esqueceu que era cego tornou-se rarefeita e, caprichosa, deixou apenas um aroma no ar.

Logo, nem perfumes ou belas imagens. Apenas a sensação de que se morreu e esqueceram de nos sepultar.

  • Limbo, eis-me aqui!
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