Esperança é Vida


Diz-se que onde há Vida, há Esperança. Ouso contrariar o senso comum, ao dizer que onde há Esperança, há Vida, O fim da Esperança, voluntário ou sofrido, é como o prenúncio de uma óbito interior difícil de superar, sejam quais forem seus motivos.

A pessoa descobre que apresentou sinais de uma enfermidade incurável. O senhor, que apostou toda a sua Vida e esforços em seu trabalho, comete uma falta grave. O noivo mente para a sua amada e não tem mais como voltar atrás em suas atitudes.

Esses traumas não tratam de simples ritos de passagem que possam ser previstos. Eles são fatos de Vida, entre seres humanos reais, não simples interações entre objetos. Trazem em si a analogia com os fins de ciclo, principalmente com a comoção da Morte.

Com certeza, o instinto de sobrevivência está presente em todos os exemplos dados acima: saúde, trabalho, Amor. Quando a expectativa de Vida é suprimida pelo decreto implícito de uma doença; um tempo grande em uma tarefa ou função é cortado, de repente; o Amor da sua Vida diz que não vai mais se casar com você.

É o fim, o fim de tudo, pois acaba-se a Esperança. Aquele período de tempo é, literalmente, uma Vida dentro da Vida. Morre alguém dentro de nós. Morre sufocado, debatendo-se, suplicando para não ser esganado pelas mãos que ele amava, ou abafado sob o travesseiro de um Destino que não o deixa pedir socorro.

A iminência do fim — de qualquer fim — é como a antessala de uma mini-morte, um trauma que não pode ser aliviado. Haverá sempre uma vida abortada dentro de outra Vida, sempre por nascer e nunca mais a mesma.

Não é a sensação de ser desenganado, demitido ou ser “gentilmente chutado” por alguém o que mais dói, mas de saber que tudo aquilo (ou aquela pessoa) é a sua Vida, é toda a sua Vida a ser despedaçada. Um dia, aquela vida passada e falecida dentro de nós se afasta da superfície de nossa Consciência, infelizmente acordada. Lobotomia? Amnésia? Caridade?

O costume de orar pelos que se foram é algo terreno. Os “mortos” de nada sabem, a não ser que tenham morrido na esperança da ressurreição. Se desaparecem dentro de nós ou se nós somos exilados para longe do Coração dos que amamos, só o Espírito Santo poderia trazer de volta do além-Vida o que fora solenemente sepultado sob toneladas de pedras e lágrimas abafadas.

Sim, só há Amor se estiverem presentes a Esperança e a Fé. Do contrário, estamos diante do desespero e do apego crasso (ou seca indiferença). Ainda que com medo, o Amor realiza-se onde surgir a Esperança e abrir-se nossa Mente à Fé no impossível. Sim, o Amor, de nós, faz heróis e sobreviventes.

Só eu te amo mais do que eu.

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