Coisas que levei pouco tempo para compreender


Aproveitando a releitura do texto Dez Coisas que levei anos para aprender, de Luiz Fernando Veríssimo, senti-me no dever de registrar o que eu mesmo levei menos tempo para compreender. Talvez, seja útil o que segue, para muitos dos leitores deste espaço.

Vejamos!

  1. Nunca aposte todas as suas fichas (ou seja, sua Vida) em alguém. Você chegará à conclusão de que, ao mesmo tempo, você é o apostador e a Banca. Você arrisca o que não é seguro entregar. Se você ganha, recebe o que você mesmo empenha. Se perde, você arca com os prejuízos que costuma atribuir a outros.
  2. Se o homem traz a maldade, a mulher carrega a malícia. Enquanto a maldade é cega, a malícia calcula.
  3. É tênue, realmente tênue, a linha que separa a humildade da dissimulação.
  4. Todo homem carrega a dor da separação da mãe. Nenhuma mulher lhe fará feliz se não for uma substituta, à altura, de sua mãe. Em síntese: via de regra, todo homem adulto é um menino assustado. A experiência apenas atenua o trauma.
  5. O mundo não tem que ser justo. A Vida é séria, sim, e a Guerra não acaba. Não há paz, senão a dos túmulos. Logo, não há paz, pois cada pedra é um travesseiro. Sua cama é um túmulo diário, fértil de fantasias tolas e pesadelos sem conclusões lógicas.
  6. Tudo tende ao Caos, não à Ordem. A Ordem é artificialmente (ou melhor, à força) mantida, em todas as dimensões da Vida. A Harmonia é uma façanha (quase um mito), não algo inerente à Natureza.
  7. Não raro, o que diz-se ser certo coincide com aquilo que, para a maioria das pessoas, é útil. Bom é o que nos favorece, de alguma maneira. O bem alheio, quando entendido do ângulo pessoal, passa pela renúncia sempre em troca de um bem futuro, para si, mesmo que isso implique numa ilusão oportuna.
  8. A Beatitude, por vezes, passa pela loucura e pela histeria.
  9. A Igualdade refere-se à condição dos que podem ser justificados por seus atos, não por sua origem. Ninguém nasce merecedor de benesse alguma além daquela que não é suscetível de justificação, a saber, a Vida.
  10. Hipocrisia nada tem a ver com fingimento, mas com a arrogância de uma ideologia contraditória.
  11. Amor não é um sentimento e jamais poderia sê-lo. Se o fosse, acabaria como qualquer outro sentimento, ao sabor dos fluxos e refluxos das marés da Vida. Amor é uma firme decisão de empreender algo, do começo ao fim, ainda que com sobressaltos.
  12. Como dizia Eliphas Levi, a Vontade se confirma, apenas, em Atos. Dizer querer algo e não fazê-lo é uma blasfêmia. Ninguém será absolvido do aborto do que fala por ignorância.
  13. Nenhum choro é tão comovedor quanto o choro do Silêncio.
  14. Quem vive com medo não tem — e jamais terá — tempo para amar.
  15. O Diabo não mora nos detalhes. Ele, simplesmente, é a perfeita manifestação da neurose detalhista do Universo. Pluft, plakt, zum! Não vai a lugar nenhum!

3 comentários sobre “Coisas que levei pouco tempo para compreender

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