Deserto da Alma


Depois de sermos esmagados, triturados, moídos e espremidos; após cair a última gota da ilusão do que você pensava ter, cultivar, amar ou, mesmo, ser, nossa essência fica, realmente, vazia, como o núcleo de um único átomo fundamental. Há uma inquietação, em algum canto daquilo que chamamos de nosso eu, travando uma batalha silenciosa com a inércia que nos mantém, enfim, em um tal repouso forçado.

Sentado sobre algum paralelepípedo, bebendo uma cerveja e ouvindo as batidas do próprio coração, eu posso sentir esse vácuo em mim, como se todas as esperanças, sonhos e cenas de ação de meus dias não tivessem passado de um jogo de luzes, constituindo uma realidade que deixa marcas profundas em uma tela virgem (a Alma), inexoravelmente trânsfuga e volátil.

Tal é o deserto da Alma despida de toda expectativa, impulso, sabor ou direção, recebendo os ventos inodoros do Norte e promovendo alucinações à meia-noite. Não! Não há para onde fugir, a caverna está em mim e as areias do Tempo soterraram sua entrada em meio a terríveis tempestades. Não há controle sobre o deserto e suas areias. Não estamos no controle e esse fato é, ao mesmo tempo, angustiante e reconfortante.

Quando tudo tiver sido arrancado de sua pele, seu perfume e suas escaras, então estarás, novamente, nu em um oásis no meio do Nada. Paraíso de areia, o inferno está vazio.

GALERIA: DESERTO (clique nas imagens para ampliá-las e navegar entre elas).

2 respostas para “Deserto da Alma”

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