Tudo é vice-versa


Um palito de fósforo,
Uma sombra na mata:
Lá se vai alto,
Pelos ares da Noite,
Todo o trabalho do Dia.

Quatro mãos trabalham,
Dois pares de pernas
Caminham.
Dois corações impúberes
Titubeiam pelas curvas.
Duas bocas sorvem
Os Mares fugidios
Às vistas do deserto.

Duas almas campeiam os sonhos,
Assustando-se com o sangue
Que esguicha,
Displicente,
Salgado e incolor.
Duas línguas fatiam os pulsos
Indecisos, quase a cessarem
Essa contagem sem controle.

Entre nós,
Tudo é vice-versa:
O fosso e a trincheira;
A Primavera e a cerejeira;
O verso e o anverso.

Entre nós,
O que dói, faz nascer;
O que cicatriza, costura
O Amor – esse teimoso querer -,
O Amor, que não quer cura.

***

Ebrael Shaddai,

02 de março de 2018.

(Postado, originalmente, em minha Página no Facebook: https://goo.gl/ZKRYFq.)

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