Sophia entre nós


Quantos de nós, ao escutar o nome Sophia em nosso meio, aplicado a crianças, adultos, lugares, templos, etc., não pararam para admirar, pensar a respeito dele? O que nos inspira a Filosofia, a catedral de Santa Sofia? Será, apenas, seu significado apresentado, o do equivalente grego para Sabedoria, que nos chama a atenção?

Respondo-lhes, meus leitores, que Sophia está mais presente em nossas vidas e em nosso imaginário do que poderíamos supor. A sublimidade do aspecto virginal na origem da figura feminina, o repúdio natural ao estupro, o anseio pelo comedimento e a onipresença que faz, da mulher, o centro de gravidade de todos os lares e organizações — tudo isto é evocado, entre nós, pela figura mítica de Sophia.

Origens do Mito

O culto a uma Mãe virginal, que concebe seu filho sem intercurso da contraparte masculina, parece remontar aos mais remotos sentimentos religiosos da Humanidade. Só podemos entender como exógena essa noção de virgindade, dada a brutalidade de costumes das primevas populações humanas e sua exposição à violência. Mas, por quem fora legada a herança de Sophia, e de que forma? Desaparecem, nas brumas do Tempo, os vestígios. Porém, eles sempre estiveram presentes, quase palpáveis.

De Inanna a Ísis, de Gaia a Semíramis, Sophia nos chega pelos mitos gnósticos pré-cristãos e pelos neoplatonistas cristãos. Muitos destes foram perseguidos e eliminados da cena política e religiosa, em prol da visão judaizante do culto ao dragão YHWH (Jeová).

 

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Sophia e a Gnose

No entanto, foi pelo encontro do pensamento grego com o oriental (principalmente, egípcio e persa) que Sophia foi reconhecida no Ocidente, de forma mais abrangente. Por homens como Hermes Trismegistos e todos os devotos gnósticos, o mito da Criação do Universo ganhou notas femininas marcantes. A Lei da Correspondência ganhava terreno no Ocidente.

Pela Kabbalah, sabemos que, da Sabedoria provém o Entendimento e, da união desses dois, o Conhecimento (Oculto) da Árvore do Conhecimento (chamado Da’ath), separado de nós por um Abismo, o “Segundo Véu”. Pelos gnósticos, ouvimos que Sophia era, ao lado de outras forças, filha de Barbelo, mítica auto-imagem feminina do Pai Imortal. Daí, depreende-se que Sophia, na verdade, recebeu a Sabedoria de seu par masculino, produzindo, assim, a Gnose (Entendimento, Conhecimento).

Ela é o Pensamento Invencível da Criação divina. Conta-nos o mito que, certa feita, ela quis gerar um filho em si, sem o consórcio de sua contraparte masculina (que se recusou a recebê-la). Inabalável em seu desejo, acabou gerando, sozinha, um ser que não era o “esperado”, mas um ser mau, com olhos faiscantes de serpente. Ela o arrojou de sua presença, para longe dos aeons (reinos da Criação) de seus pares e o chamou de Yaldabaoth, nome cujo significado, acredita-se, é Filha do Caos.

Sophia e Maria, Mãe de Jesus

Para muito além do que os anticristãos pensam, a Imaculada Concepção de Maria, além de outros mitos criados sob a forma de Jesus, o Nazareno, não surgiram como sincretismo com o Paganismo. O Paganismo e as religiões politeístas antigas, das quais pensa-se terem sido estes mitos reciclados, eram figuras da Religião Primordial, a Gnose. Assim, percebendo que a Gnose era invencível, como a sua deusa, os hierarcas cristãos do séc. V resolveram fazer uma imersão da Gnose nos relatos cristãos, absorvendo sua verdade, enquanto diluíam o poder das facções gnósticas.

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Sendo YHWH (Jeová) identificado com Yaldabaoth, e Jesus com Lúcifer, a Luz de Sophia, fica fácil entender porque Jesus teria que nascer “sem pai”. Yaldabaoth não tinha pai, era um [dragão] bastardo. Na verdade, pela tradução de seu nome (“Filha do Caos”), era um draco fêmea. Para que, na mitologia cristã, Jesus fosse filho de YHWH (ou Yaldabaoth), ele teria que nascer de forma semelhante ao seu suposto pai. Para que Jesus fosse YHWH encarnado, ele teria que reproduzir, na Terra, o que teria ocorrido nos aeons (reinos) celestes.

Assim, Maria, mãe de Jesus, seria um eco do mito de Sophia (mãe de Yaldabaoth) e, como Sophia, seria sua figura adorada. Cristãos pensam que veneram Maria como a Rainha do Céu; anticristãos imaginam que o Vaticano adora Semíramis ou que maçons adoram uma Prostituta na Estátua da Liberdade. Nada mais primário: todas elas são ecos de Sophia, que concebeu seu filho só, uma forma de adoçar e camuflar a imagem nefasta de Yaldabaoth pela candidez de sua mãe, Sophia.

Gnosticismo na Igreja Católica

A Igreja tentou suprimir, em seus primeiros grandes concílios ecumênicos (até o séc. VI), a influência gnóstica, que trazia forte a figura de Sophia. As mulheres precisavam ser caladas. Para privilegiar o deus judeu (YHWH) à frente dos mitos cristãos, dissolveram as facções gnósticas, diluindo sua doutrina dentro dos formatos aceitos pelos patriarcados (Roma, Constantinopla e Alexandria). Após a destruição da mais importante coleção de tesouros do Saber, a Biblioteca de Alexandria, o caminho estava livre, a clareira estava aberta, para a formatação de um novo pensamento.

“Nossa Senhora, Rainha do Céu”.

Porém, a mentira de Niceia começou a desmoronar quando cavaleiros ambiciosos, os Templários, tiveram acesso aos conhecimentos de persas, judeus, coptas e gregos, acerca da Gnose e da vida do Nazareno. Com dossiês explosivos nas mãos, os Templários chantagearam a Igreja com segredos altamente “blasfemos”. A Inquisição católica não foi suficiente para apanhar os que detinham tais segredos, tendo sido inoculado o veneno de forma profunda, pois seus princípios herméticos eram levados e trazidos à Europa não apenas por hereges, mas por todos os povos, através do Comércio, da Arte, da Ciência.

Não tardou, e os gnósticos já estavam infiltrados na Igreja e em todas as Religiões. No Islã, eram conhecidos como sufis; no Judaísmo, os cabalistas. Ainda havia os alquimistas e astrólogos. E Sophia voltou com força e esplendor através do culto à Virgem Maria, entre centenas de títulos, nas devoções, na fenomenologia sobrenatural, nas Artes. Hoje, não à toa, a Virgem figura na Igreja como co-redentora, junto com Jesus Cristo. Não à toa, e sem explicação, de Maria também é dito que fora concebida sem pecado. É óbvio demais que, quando falam de Maria, falam de Sophia, a Virgem filha do Pai Imortal.

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Publicado por

Júlio [Ebrael]

Brazilian. Amateur poet. Conservative and Gnostic Christian. // Brasileiro. Poeta amador. Conservador e cristão de visão gnóstica. //

3 comentários em “Sophia entre nós”

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