Sobre a necessidade e o risco da Paz


Assistindo, ontem, a um vídeo amador, com trecho de uma palestra de Leandro Karnal, me peguei tecendo algumas críticas à fala citada, embora a mesma tivesse fundamentos. E, foi justamente por ser fundamentada que, então, merece uma crítica minha, uma reflexão.

Na palestra em questão, Karnal fala que “o que faz um casamento ter fim é que ele fica bom, bom demais, a zona de conforto”. Respondo, em comentário, como segue. Resumindo: zona de conforto enfraquece a Vontade, o desejo, mas esse negócio de ter que manter a chama acesa, sempre e de forma onipresente, também cansa.

Segue meu comentário ao vídeo citado:

“O ser humano nasce esquisito e pelado, chorando, e todo mundo acha lindo. Essa coisa de correr atrás do sucesso, lutar por metas e manter cuidados onipresentes é tão instintivo como moderno demais, tão selvagem quanto uma atitude burguesa. Vale apenas para alguns grupos bem educados, não para a maioria hipnotizada pelos chefes de guarda, pela ameaça do desemprego e pela loucura dos metrôs. A maioria morre doente, acamada e xingando parentes.

Zona de conforto é traiçoeira, sim, num casamento. Na selva, como dentro de casa, assim é. Mas, casamento pressupõe mediação e, daí, ao repouso ou ao progresso seguro, não ao movimento perpétuo e enlouquecedor. Tudo que se movimenta tende à assimetria, algo típico de adolescentes.

A vontade de ir à Guerra acaba, um dia, antes para uns que para outros. Até mesmo ter que seduzir a cônjuge vira rotina, obrigação, como se a Vida se resumisse a correr atrás do prejuízo, vigiar território, conter a língua sibilante e afiada, abominar a vaidade da outra pessoa para disfarçar a própria.

Paz verdadeira, só nos túmulos. Mas, não custa começarmos a ensaiar. Se a Guerra da Vida termina na tumba, as disputas conjugais se dissipam na alcova da suíte, no ringue da Vara Cível ou na sala do Delegado.”

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3 respostas para “Sobre a necessidade e o risco da Paz”

  1. MANO, GOSTEI MUITO DISSO: “Vale apenas para alguns grupos bem educados, não para a maioria hipnotizada pelos chefes de guarda, pela ameaça do desemprego e pela loucura dos metrôs. A maioria morre doente, acamada e xingando parentes.”
    Vivemos em um mundo onde a dualidade impera – é a lei! Impossível nesse contexto A PAZ, pois o negativo precisa do positivo e vice-versa. Um sugando o outro para sobreviver, e isso não é vida – assim também funciona a lei do carma.
    Só se livra disso tudo desligando-se dessa consciência primária eletromagnética e desenvolvendo e assumindo nossa consciência superior, interior, transcendental.
    Você cada dia escreve melhor.
    Sempre se superando!
    Abraço da Mana!

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    1. OI, Mana!
      Dualidade, lei desse mundo e de todos nesse Cosmos.

      Citando sua fala:

      “Vivemos em um mundo onde a dualidade impera – é a lei! Impossível nesse contexto A PAZ, pois o negativo precisa do positivo e vice-versa. Um sugando o outro para sobreviver, e isso não é vida – assim também funciona a lei do carma.”

      Você, pela Cultura Racional; eu, pela senda Gnóstica. Um dia, sabe-se lá quando, ainda chegamos lá, no alvo.

      Grato pela presença!

      Curtido por 1 pessoa

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