Para voltar


Para voltar,
Você me pede para voltar.
Voltar aonde,
Para o quê, para quem?
Naquela noite,
Pelo reflexo de uma janela de ônibus,
Vi uma flor atômica se abrir no horizonte.
Ao tom calmo de uma eutanásia anunciada,
Recebi um decreto:
“Exploda esse campo! Não dá para suportar!”

Para esperar,
Dois anos irem-se pelos ares.
O Tempo passou,
A confiança esfriou,
A Fé morreu ou mudou-se.
E, as cinzas do vestido amarelo solar?
O vento as levou para a atmosfera azul gelada,
Indiferente ao trauma tectônico do Coração.
Alguém sussurrou:
“Não chore, ela não está na Estação!”

Para fugir,
Basta um precipício, um barco.
Águas e diálogos frios.
“Como vai você, e sua mãe?”
Por duas noites,
Lutei com meu reflexo à tela do telefone.
Perguntas, eu fazia; eu mesmo a responder.
Sob a Lua Cheia e o sereno de concreto,
Dei-me uma ordem:
“Pare de imaginar ela te pedindo para voltar”.

Palhoça, 5 de agosto de 2018.

path3777

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